{"id":16932,"date":"2014-05-18T10:49:00","date_gmt":"2014-05-18T13:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16932"},"modified":"2014-05-18T10:49:00","modified_gmt":"2014-05-18T13:49:00","slug":"collor-e-o-diva-selvagem-dos-politicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/05\/18\/collor-e-o-diva-selvagem-dos-politicos\/","title":{"rendered":"Collor e o \u201cdiv\u00e3 selvagem\u201d dos pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, no caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 18\/5\/2014, do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Collor e o \u201cdiv\u00e3 selvagem\u201d dos pol\u00edticos<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<div id=\"attachment_16933\" style=\"width: 368px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/05\/Carlus2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-16933\" class=\"size-full wp-image-16933\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/05\/Carlus2.jpg\" alt=\"Carlus\" width=\"358\" height=\"553\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/05\/Carlus2.jpg 358w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/05\/Carlus2-300x463.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/05\/Carlus2-120x185.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-16933\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Carlus<\/p><\/div>\n<p>Mais de vinte anos p\u00f3s seu impeachment, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, atualmente senador (PTB-AL) foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (SFT). Eram-lhe atribu\u00eddos os crimes de peculato, falsidade ideol\u00f3gica e corrup\u00e7\u00e3o passiva, por\u00e9m a Corte Suprema n\u00e3o encontrou provas que pudessem conden\u00e1-lo. Assim, pode-se dizer &#8211; mesmo tendo o impeachment transcorrido formalmente de acordo com as regras democr\u00e1ticas &#8211; que seu impedimento foi um ato meramente pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Muitos agora &#8211; inclusive jornalistas &#8211; fazem reparos \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do notici\u00e1rio durante o per\u00edodo, que teria significado um \u201cjulgamento midi\u00e1tico\u201d para Collor, condenado-o \u00e0 revelia de provas, com base apenas em um velho v\u00edcio da imprensa p\u00e1tria: o jornalismo declarat\u00f3rio, que, a prop\u00f3sito, continua a produzir aberra\u00e7\u00f5es.<!--more--><\/p>\n<p>No entanto, um dos primeiros a fazer essa an\u00e1lise de forma organizada foi o cearense Ant\u00f4nio Fausto Neto, doutor em Comunica\u00e7\u00e3o, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos-RS). No livro <em>O impeachment da televis\u00e3o &#8211; Como se cassa um presidente<\/em>, editado em 1995 pela Diadorim, Fausto Neto defende que os \u201cmedia\u201d (jornalistas e meios de comunica\u00e7\u00e3o), \u201cespecialmente os televisivos\u201d, constru\u00edram antecipadamente o impeachment de Collor.<\/p>\n<p>Para ele a televis\u00e3o toma para si o espa\u00e7o do di\u00e1logo pol\u00edtico, assumindo, como simulacro, o lugar do parlamento. \u201cO setting televisivo \u00e9 o lugar que se apresenta como inst\u00e2ncia que rouba do espa\u00e7o parlamentar o papel de agenciador do debate dos problemas da sociedade\u201d, tornando-se, dessa forma, uma esp\u00e9cie de \u201cdiv\u00e3 selvagem\u201d dos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Fausto diz que o desenvolvimento das not\u00edcias deu-se mais pelo poder \u201cautorreferenciador\u201d da m\u00eddia do pelo \u201cideal\u201d do jornalismo investigativo. Isto \u00e9, um notici\u00e1rio referenciava-se em outro de modo circular, legitimando-se entre si e autoatribuindo-se uma \u201ccapacidade onipotente\u201d que, nas palavras de um apresentador da TV da \u00e9poca, lhes daria o direito de \u201cinvestigar a tudo e a todos\u201d. Nesse quadro, diz o professor, os entrevistados (pol\u00edticos e demais personagens) seriam joguetes que, a despeito do que falassem, eram \u201cmostrados como figurantes a compor o ritual televisivo\u201d.<\/p>\n<p>Isso possibilitou, na vis\u00e3o de Fausto Neto, que se estabelecesse um manique\u00edsmo, cujo lado \u201cbom\u201d reunia jornalistas e a popula\u00e7\u00e3o, que procurava entender os \u201cdesvarios\u201d do espa\u00e7o parlamentar. Assim, o discurso jornal\u00edstico n\u00e3o se contentou mais em apenas descrever os fatos, mas tamb\u00e9m em \u201capontar a verdade deles\u201d. Desse modo, a TV passa a \u201cagendar a pol\u00edtica\u201d e agir como \u201cgrupo de press\u00e3o\u201d e \u201cfinalmente, sentenciar processos\u201d.<\/p>\n<p>Para Fausto, foram esses os caminhos que selaram o destino do ex-presidente Collor, levando-o a sofrer o \u201cimpeachment da televis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>An\u00e1lise do discurso<\/strong><br \/>\nO professor Ant\u00f4nio Fausto Neto vale-se da teoria da an\u00e1lise do discurso para defender a sua tese, talvez a causa das discord\u00e2ncias, entre concord\u00e2ncias, que tenho com o estudo. Entretanto, para al\u00e9m de qualquer considera\u00e7\u00e3o, deve-se reconhecer-lhe o m\u00e9rito de ter sido um dos pioneiros em apontar as rachaduras na cobertura do epis\u00f3dio.<\/p>\n<p><strong>Cobertura<\/strong><br \/>\nSem Internet, jornais, o notici\u00e1rio noturno e revistas semanais competiam ferozmente para ver quem apresentava a den\u00fancia mais bomb\u00e1stica &#8211; e eram esperados com ansiedade. Quem acompanhou o caso deve se lembrar o fr\u00eamito que cada \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d provocava. A catarse sobreveio quando o impeachment foi decretado.<\/p>\n<p><strong>\u00c9tica<\/strong><br \/>\nNa conclus\u00e3o do livro, Fausto Neto prop\u00f5e que se reflita sobre os caminhos do jornalismo no \u201cfuturo\u201d (no qual j\u00e1 estamos), tendo em vista a sua identidade, \u00e9tica e, especialmente, sobre a \u201cefic\u00e1cia do seu lugar nas sociedades democr\u00e1ticas\u201d. Olhando para publica\u00e7\u00f5es ligeiras e acusa\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis que ainda se v\u00ea, pode-se dizer que o caminho a ser percorrido ainda \u00e9 muito longo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, no caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 18\/5\/2014, do O POVO. 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