{"id":16952,"date":"2014-05-24T00:01:47","date_gmt":"2014-05-24T03:01:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16952"},"modified":"2014-05-24T00:01:47","modified_gmt":"2014-05-24T03:01:47","slug":"assim-comeca-o-esculacho-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/05\/24\/assim-comeca-o-esculacho-urbano\/","title":{"rendered":"Assim come\u00e7a o esculacho urbano"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Pol\u00edtica&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 24\/5\/2014, do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Assim come\u00e7a o esculacho urbano<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Valet, palavra das l\u00ednguas inglesa e francesa &#8211; n\u00e3o dicionarizada em portugu\u00eas -, significa \u201ccriado\u201d nas duas l\u00ednguas, um empregado pessoal. No Brasil dos macaquitos &#8211; como diriam os argentinos &#8211; a palavra passou a ser usada como sin\u00f4nimo de \u201cmanobrista\u201d, pois os marqueteiros devem ter achado essa palavra feia ou muita \u201cvelha\u201d para ser do agrado da seleta clientela. Nem se preocuparam em aportugues\u00e1-la, pois um \u201cvalet\u201d deve valer mais do que um valete.<\/p>\n<p><strong>O servi\u00e7o<\/strong> j\u00e1 existe, h\u00e1 tempos, pelo menos pelas bandas de S\u00e3o Paulo e Rio. Para quem ainda n\u00e3o sabe, \u201cvalets\u201d s\u00e3o aqueles sujeitos que ficam embaixo de um guarda-sol &#8211; mesmo que seja de noite -, em frente a um estabelecimento comercial, normalmente um restaurante, oferecendo, sob paga, a guarda do seu carro, enquanto o propriet\u00e1rio se diverte ou faz compras.<\/p>\n<p><strong>Pois bem,<\/strong> a moda dos valetes est\u00e1 migrando para Fortaleza, sob licenciamento da Prefeitura, como noticiou este jornal na edi\u00e7\u00e3o de ontem. O \u201cgancho\u201d (jarg\u00e3o do jornalismo utilizado para a situa\u00e7\u00e3o que justifica uma mat\u00e9ria) foi um carro, deixado com um com desses valetes &#8211; e que foi fotografado estacionado sobre a cal\u00e7ada, em local obviamente proibido. A foto foi parar no Facebook, para surpresa do dono do ve\u00edculo.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Por\u00e9m,<\/strong> estranho foi o esclarecimento de V\u00edtor Ciasca , presidente da Autarquia Municipal de Tr\u00e2nsito (AMC), sobre o funcionamento dessas empresas de manobrismo. Ele disse que as empresas de valete n\u00e3o precisam dispor de garagem ou estacionamento, e que os carros podem ser estacionados nas vias p\u00fablicas, ressalvando, por\u00e9m, para al\u00edvio geral: \u201cMas somente onde \u00e9 permitido\u201d.<\/p>\n<p><strong>Espere a\u00ed.<\/strong> Quer dizer que uma empresa, al\u00e9m de ganhar concess\u00e3o para p\u00f4r um escrit\u00f3rio (o guarda-sol) na cal\u00e7ada, de quebra, adquire o direito de usar a rua para prop\u00f3sitos privados? Estou entendendo bem: uma empresa ganha dinheiro vendendo espa\u00e7o p\u00fablico, sob os ausp\u00edcios da Prefeitura? Se alguma autoridade pudesse esclarecer, gostaria de ouvir os argumentos.<\/p>\n<p><strong>E, por qual<\/strong> raz\u00e3o, ocupei tanto espa\u00e7o de uma coluna com o t\u00edtulo \u201cPol\u00edtica\u201d para falar de estacionamento? Por dois motivos: 1) Porque o espa\u00e7o p\u00fablico \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica; 2) por que \u00e9 assim que come\u00e7a o esculacho, com autoridades autorizando um tipo de servi\u00e7o que n\u00e3o tem estrutura nenhuma, e lhe d\u00e3o o direito de explorar o j\u00e1 congestionado espa\u00e7o urbano.<\/p>\n<p><strong>Uma cidade<\/strong> com lei diria o seguinte: \u201cO senhor quer abrir um servi\u00e7o de manobrista (desculpe), de valet, sem problema, caro empres\u00e1rio. Ent\u00e3o, o senhor ter\u00e1 de arrumar um estacionamento particular para guardar os carros de seus clientes\u201d. Porque, sem isso &#8211; acrescentaria um funcion\u00e1rio p\u00fablico zeloso &#8211; n\u00e3o tem neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>(O mau<\/strong> h\u00e1bito de ocupar cal\u00e7ada deve ter come\u00e7ado assim, distraidamente &#8211; depois virou problema. Os valetes, escrevam, logo se transformar\u00e3o em outro.)<\/p>\n<p><strong>A prop\u00f3sito<\/strong>, aqueles sempre dispostos a queixas contra os desvalidos \u201cpastoradores\u201d de carros, v\u00e3o se opor a esses flanelinhas de luxo?<\/p>\n<p><strong>CENSURA<\/strong><br \/>\nDiscretamente, Paulo C\u00e9sar de Ara\u00fajo lan\u00e7ou esta semana o livro O r\u00e9u e o rei &#8211; Minha hist\u00f3ria com Roberto Carlos, em detalhes (Companhia das Letras), em que conta o caso da censura \u00e0 sua obra anterior Roberto Carlos em detalhes (Planeta), proibida de circular pela Justi\u00e7a, em processo movido pelo cantor. Para evitar riscos de ver o livro proibido, a editora manteve sigilo at\u00e9 o lan\u00e7amento. Havia o temor de que Roberto Carlos fizesse nova investida cens\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Ao justificar<\/strong> a proibi\u00e7\u00e3o de sua biografia, escrita por Paulo C\u00e9sar, um dos argumentos de Roberto Carlos foi que o direito de escrever sobre sua vida pertencia a ele. Agora, Paulo C\u00e9sar diz que est\u00e1 contando a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, a de um menino pobre no interior da Bahia, que sonhava comprar um disco de Roberto Carlos.<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria<\/strong> se conclui(?) com Paulo C\u00e9sar revelando os bastidores da proibi\u00e7\u00e3o do livro; com o encontro do \u201cmenino pobre\u201d com seu \u00eddolo, nas barras de um tribunal.<\/p>\n<p><strong>HONORIS CAUSA<\/strong><br \/>\nSobre a nota \u201chonoris causa\u201d (21\/5), na qual anotei: \u201cLula deve ser hoje o brasileiro com mais t\u00edtulos universit\u00e1rios do pa\u00eds\u201d, a respeito da homenagem que o ex-presidente recebeu de uma universidade boliviana, me escreve o leitor Leandson Sampaio. Ele diz que o brasileiro mais distinguido com o doutor honoris causa foi o educador pernambucano Paulo Freire (1921-1997), com 41 t\u00edtulos. Lula, diz ele, vem em segundo, com 28 distin\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>FIRMO<\/strong><br \/>\nNa ter\u00e7a-feira a coluna volta aos cuidados de seu titular, \u00c9rico Firmo. Espero que tenha sido bom para voc\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Pol\u00edtica&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 24\/5\/2014, do O POVO. 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