{"id":17017,"date":"2014-06-21T16:01:49","date_gmt":"2014-06-21T19:01:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17017"},"modified":"2014-06-21T16:01:49","modified_gmt":"2014-06-21T19:01:49","slug":"futebol-na-alegria-e-na-tristeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/06\/21\/futebol-na-alegria-e-na-tristeza\/","title":{"rendered":"Futebol, na alegria e na tristeza"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 22\/6\/2014 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_17032\" style=\"width: 374px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/06\/Guabiras.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17032\" class=\"size-full wp-image-17032\" alt=\"Arte: Guabiras\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/06\/Guabiras.jpg\" width=\"364\" height=\"489\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/06\/Guabiras.jpg 364w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/06\/Guabiras-300x403.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/06\/Guabiras-120x161.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 364px) 100vw, 364px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17032\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Guabiras<\/p><\/div>\n<p><strong>Futebol, na alegria e na tristeza<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chap\u00e9u na m\u00e3o, e nos est\u00e1dios suplico: \u2018Uma linda jogada pelo amor de Deus!\u2019 Quando acontece o bom futebol, agrade\u00e7o o milagre sem me importar com o clube ou o pa\u00eds que o oferece\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que o escritor uruguaio Eduardo Galeano inicia o seu <em>Futebol ao sol e \u00e0 sombra<\/em>, livro que \u00e9 uma homenagem ao esporte e seus her\u00f3is de todas as p\u00e1trias. Na obra, na verdade uma longa cr\u00f4nica, na qual se misturam realidade, lenda e imagina\u00e7\u00e3o, Galeano faz um relato emocionado de todas as Copas, a partir de 1934.<\/p>\n<p>Antes de entrar no assunto propriamente dito, ele oferece defini\u00e7\u00f5es muito pr\u00f3prias, e rom\u00e2nticas, dos v\u00e1rios aspectos e dos personagens do futebol. O gol: \u201c\u00c9 o orgasmo do futebol\u201d. O \u00e1rbitro: \u201cO \u00e1rbitro \u00e9 arbitr\u00e1rio por defini\u00e7\u00e3o\u201d. O \u00eddolo: \u201cE um belo dia a deusa dos ventos beija o p\u00e9 do homem, o maltratado, o desprezado p\u00e9, e desse beijo nasce o \u00eddolo do futebol\u201d. A bola: \u201cNo Brasil, ningu\u00e9m duvida de que ela \u00e9 mulher\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>Galeano vai buscar as origens mais remotas do jogo e as encontra na China, cinco mil anos atr\u00e1s: \u201cNo futebol, como em quase tudo, os primeiros foram os chineses\u201d. Por\u00e9m, o futebol teria chegado ao Ocidente, \u00e0s Ilhas Brit\u00e2nicas, \u201cpelos p\u00e9s dos legion\u00e1rios romanos\u201d. O escritor vai encontrar cita\u00e7\u00f5es sobre o futebol at\u00e9 em Shakepeare:<\/p>\n<p>&#8211; Rodo para v\u00f3s de tal maneira\u2026 Tomais-me por uma bola de futebol? V\u00f3s me chutais para l\u00e1 e ele me chuta para c\u00e1. Se devo durar nesse servi\u00e7o, deveis forrar-me de couro. (Com\u00e9dia de erros)<\/p>\n<p>E, em Rei Lear, o conde de Kent costumava insultar assim: \u201cTu, desprez\u00edvel jogador de futebol\u201d.<\/p>\n<p>Por \u00f3bvio, Galeano det\u00e9m-se na Copa de 1950, a trag\u00e9dia que abalou o Brasil, provocada pelo time de seu pa\u00eds. Entanto, o escritor uruguaio n\u00e3o tripudia. Generosamente, destaca os craques brasileiros, inclusive o goleiro Barbosa, que tomou o fat\u00eddico gol de Ghiggia, que sacramentou a derrota do Brasil na final, por 2&#215;1, em pleno Maracan\u00e3. A Jules Rimet foi para o Uruguai.<\/p>\n<p>O gol foi de Ghiggia, mas todos os analistas s\u00e3o un\u00e2nime em afirmar que o condutor da vit\u00f3ria foi o capit\u00e3o do time, Obidulio Varela, que absteve-se de bater no peito, cantar vit\u00f3ria. Ao fim do jogo, cercado por jornalistas, atribuiu a derrota brasileira \u00e0 \u201ccausalidade\u201d, e evitou ser fotografado. Depois, passou a noite tomando cerveja com os jogadores brasileiros.<\/p>\n<p>Se Ghiggia foi o carrasco uruguaio, Barbosa foi escolhido como o vil\u00e3o brasileiro do jogo, o que alguns atribuem ao fato de ele ser negro. Em 1993, nas eliminat\u00f3rios para o Mundial dos Estados Unidos, Barbosa foi visitar o selecionado brasileiro na concentra\u00e7\u00e3o, por\u00e9m foi impedido de entrar. Desabafou: \u201cNo Brasil, a pena maior para um crime \u00e9 de 30 anos de cadeia. H\u00e1 43 anos pago por um crime que n\u00e3o cometi\u201d.<\/p>\n<p>Ghiggia, por sua vez, declarou anos depois:<\/p>\n<p>&#8211; Apenas tr\u00eas pessoas, com um \u00fanico gesto calaram o Maracan\u00e3 com 200 mil pessoas: Frank Sinatra, o papa Jo\u00e3o Paulo Segundo e eu.<\/p>\n<p>Iniciando os cap\u00edtulos relativos a cada Copa, Galeano faz um \u00e1gil resumo da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do mundo. A partir da Copa de 1962 (a revolu\u00e7\u00e3o cubana triunfara em 1959), ele introduz o seguinte par\u00e1grafo: \u201cFontes bem informadas de Miami anunciavam a iminente queda de Fidel Castro, que ia despencar em quest\u00e3o de horas\u201d. Nos cap\u00edtulos seguintes, ele repete ironicamente a frase, sem nenhuma altera\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o Mundial de 2002, quando se encerra o livro.<\/p>\n<p>Eduardo Galeano \u00e9 um jornalista e escritor uruguaio, autor de mais de 40 livros, sendo o mais conhecido As veias abertas da Am\u00e9rica Latina, no qual narra a hist\u00f3ria do continente, criticando a explora\u00e7\u00e3o que os europeus, depois os americanos submeteram a regi\u00e3o. O golpe militar no Uruguai (1973) levou-o \u00e0 pris\u00e3o e depois ao ex\u00edlio na Argentina, de onde tamb\u00e9m foi obrigado a sair em 1976, quando o general Jorge Rafael Videla derruba o governo constitucional e assume o poder.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>O capit\u00e3o<\/strong><br \/>\nO sentimento de empatia de Obidulio Varela em rela\u00e7\u00e3o aos brasileiros derrotados \u00e9 confirmado pelo jornalista Armando Nogueira. No livro <em>A Copa que ningu\u00e9m viu &#8211; E a que n\u00e3o queremos lembrar<\/em>, ele relata um depoimento do capit\u00e3o uruguaio, dizendo que, caso soubesse que iria amargurar tanto \u201cum povo t\u00e3o simp\u00e1tico\u201d, n\u00e3o teria se esfor\u00e7ado para ganhar o Mundial de 1950.<\/p>\n<p><strong>A manchete<\/strong><br \/>\nNo mesmo livro, o jornalista Roberto Muylaert, na \u00e9poca trabalhando na Gazeta Esportiva (SP), conta que o editor mandou preparar antecipadamente v\u00e1rios t\u00edtulos (na \u00e9poca era preciso produzi-los em clich\u00ea para a impress\u00e3o), todos dando vit\u00f3ria ao Brasil, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de um: \u201cEm meio ao desespero geral o Brasil perdeu\u201d. Muylaert disse que o editor quase apanhou na reda\u00e7\u00e3o, mas guardou a manchete no fundo da gaveta, \u201ce foi essa a que ele usou para imprimir o jornal\u201d.<\/p>\n<p><strong>Maracan\u00e3<\/strong><br \/>\nFoi tamb\u00e9m em <em>A Copa que ningu\u00e9m viu<\/em> que Armando Nogueira, descreve como foi o fim do jogo no Maracan\u00e3 na Copa de 1950: \u201cEm menos de uma hora, o est\u00e1dio parece um imenso cemit\u00e9rio. (&#8230;) O povo descendo a rampa, em sil\u00eancio, parecia um cortejo f\u00fanebre. Parecia n\u00e3o &#8211; era mesmo. T\u00ednhamos acabado de enterrar a soberba nacional\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 22\/6\/2014 do O POVO. 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