{"id":17091,"date":"2014-07-19T16:50:20","date_gmt":"2014-07-19T19:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17091"},"modified":"2014-07-19T16:50:20","modified_gmt":"2014-07-19T19:50:20","slug":"a-copa-e-seus-usos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/07\/19\/a-copa-e-seus-usos\/","title":{"rendered":"A Copa e seus usos"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado no caderno &#8220;People&#8221;, coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 20\/7\/2014 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>A Copa e seus usos<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Nesta altura do campeonato, o universo j\u00e1 sabe que a Alemanha \u00e9 tetracampe\u00e3 das Copas do Mundo, e o brasileiro j\u00e1 teve tempo suficiente para lamber as suas feridas. Falar-se-\u00e1 durante muito tempo da derrota \u201cvergonhosa\u201d do selecionado canarinho. A vantagem \u00e9 que o fantasma de 1950 poder\u00e1, finalmente, descansar em paz, pois a maldi\u00e7\u00e3o foi superada pelos sete gols com os quais nos castigou a sele\u00e7\u00e3o que agora est\u00e1 com as duas m\u00e3os na ta\u00e7a.<\/p>\n<p>De quebra, o brasileiro aprendeu que argentino n\u00e3o \u00e9 aquele ser \u201carrogante\u201d, um advers\u00e1rio do qual vale a pena ganhar no campo, de qualquer modo, sendo que \u201croubando \u00e9 mais gostoso\u201d. A alegre invas\u00e3o argentina nos fez senti-los verdadeiros (ia dizer \u201chermanos\u201d, mas essa palavra j\u00e1 deu o que tinha de dar). Nos sentimos, ent\u00e3o, verdadeiramente (ia dizer \u201cintegrantes da mesma grande p\u00e1tria latinoamericana\u201d, mas ia soar muito anos 1960 ou \u201cchavista\u201d). Ent\u00e3o, cada um pense como passou a ver os argentinos, retirados os filtros globais. (Na verdade verdadeira, argentinos s\u00e3o apenas gente, como todos os demais povos, como todos habitantes humanos do planeta Terra, com uma ou outra idiossincrasia.)<!--more--><\/p>\n<p>De minha parte, mantenho o que escrevi quando iniciei uma s\u00e9rie sobre futebol nesta coluna, que deveria tratar de pol\u00edtica, por\u00e9m tornou-se um espa\u00e7o de assuntos gerais. (Mas, enfim, tudo \u00e9 pol\u00edtica, inclusive o imposto de renda, como j\u00e1 sabia o poeta russo-georgiano Maiakoviski, e como recentemente nos mostrou o economista franc\u00eas Thomas Piketti.) O que eu dizia \u00e9 que gosto do futebol por v\u00ea-lo como uma met\u00e1fora da vida, por\u00e9m seus dramas tem pouca ou nenhuma influ\u00eancia na vida pr\u00e1tica das pessoas. Ningu\u00e9m, do povo, fica mais rico ou mais pobre por causa do futebol, e nem organiza a sua vida ou d\u00e1 seu voto pelo resultado de um jogo, por mais importante que seja (excluindo, obviamente, os fan\u00e1ticos).<\/p>\n<p>Mas, falando em pol\u00edtica, vejam como s\u00e3o interessantes as an\u00e1lises da Copa, a partir dos dois campos (sem trocadilho) em que est\u00e1 dividido o Brasil. Do lado da situa\u00e7\u00e3o, exalta-se a organiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo; critica-se a cartolagem futebol\u00edstica; tenta-se injetar otimismo, apesar da derrota em campo; canta-se e organiza\u00e7\u00e3o do Mundial &#8211; e se fala em \u201creorganizar\u201d o futebol para \u201cmudar mais\u201d, como indica o portal da campanha de Dilma Rousseff<\/p>\n<p>O portal do PSDB afirma que o PT \u00e9 \u201cestatizante\u201d e quer criar a \u201cFutebolbr\u00e1s\u201d; acusa a \u201cfalta de uma lista robusta de benef\u00edcios duradouros para a popula\u00e7\u00e3o decorrentes da realiza\u00e7\u00e3o da Copa no Brasil\u201d &#8211; e tenta jogar nas costas do governo a derrota em campo, comparando o comando de Dilma na Presid\u00eancia ao de Felip\u00e3o nas quatro linhas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, PT e PSDB concordam plenamente em um ponto: afirmam categoricamente que a Copa est\u00e1 sendo usada politicamente. Agora, a resposta sobre quem est\u00e1 fazendo esse uso, vai depender do lado ao qual a pergunta for feita.<\/p>\n<p><strong>PS.<\/strong> Sugiro que o PSDB tome cuidado com a acusa\u00e7\u00e3o que faz ao governo, de querer estatizar o futebol (apesar de duvidar que a presidente Dilma proponha equ\u00edvoco de tal monta). Podem estar dando um tiro no p\u00e9. Do mau jeito que as coisas v\u00e3o na CBF, se a proposta vier a lume, \u00e9 bem prov\u00e1vel que encontre amplo apoio na torcida brasileira.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Simpatia<\/strong><br \/>\nPor \u00f3bvio, n\u00e3o se deve julgar ningu\u00e9m pela \u201csimpatia\u201d aparente. Mas a presidente Dilma podia ter-se esfor\u00e7ar um pouco mais na cerim\u00f4nia da entrega da ta\u00e7a ao selecionado alem\u00e3o. Tudo bem que os torcedores da \u201celite\u201d estavam vaiando. Por\u00e9m, ela poderia ter estampado pelo menos um sorriso, ou puxar um daqueles rapag\u00f5es e dar-lhe um abra\u00e7o, como fez Angela Merkel, \u00e0 qual tamb\u00e9m falta jogo de cintura, por\u00e9m mostrou-se mais am\u00e1vel que a anfitri\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Simp\u00e1ticos<\/strong><br \/>\nSimpatia n\u00e3o \u00e9 exclusividade do povo brasileiro, que goza desse estere\u00f3tipo ben\u00e9fico; sem d\u00favida, os alem\u00e3es tamb\u00e9m podem t\u00ea-la. Por\u00e9m, o que a sele\u00e7\u00e3o alem\u00e3 fez por aqui foi muito bem estudado, inclusive a aproxima\u00e7\u00e3o com o \u201cpovo\u201d e a benemer\u00eancia com os \u00edndios. Tudo foi planejado, nada ficou ao acaso. N\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica, \u00e9 constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A prop\u00f3sito<\/strong><br \/>\nSe os dirigentes do futebol brasileiro entendem que a sele\u00e7\u00e3o precisa de prepara\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, ok. Agora, convocar uma psic\u00f3loga de \u00faltima hora, como se fosse uma socorrista do Samu, a\u00ed \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado no caderno &#8220;People&#8221;, coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 20\/7\/2014 do O POVO. 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