{"id":17105,"date":"2014-07-26T18:28:40","date_gmt":"2014-07-26T21:28:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17105"},"modified":"2014-07-26T18:28:40","modified_gmt":"2014-07-26T21:28:40","slug":"entendendo-o-black-bloc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/07\/26\/entendendo-o-black-bloc\/","title":{"rendered":"(Des)entendendo o Black Bloc"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o de artigo publicado na coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 27\/7\/2014 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/07\/Carl\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-17106\" alt=\"Carl\u00e3o\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/07\/Carl\u00e3o.jpg\" width=\"331\" height=\"465\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/07\/Carl\u00e3o.jpg 473w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/07\/Carl\u00e3o-300x421.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/07\/Carl\u00e3o-120x168.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/><\/a>(Des)entendendo o Black Bloc<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia de manifesta\u00e7\u00f5es de junho do ano passado, quando fomos apresentados \u00e0 \u201ct\u00e1tica black bloc\u201d, os seus cr\u00edticos, eu inclu\u00eddo, eram instados a \u201centender\u00e7\u00e3o\u201d o movimento pelos que ficavam em cima do muro, sem apoi\u00e1-los claramente, mas evitando critic\u00e1-los, com medo de serem tachados de \u201cconservadores\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, ao trope\u00e7ar em uma livraria com o t\u00edtulo <em>Black Blocs<\/em>, resolvi adquiri-lo. O autor do livro, Francis Dupuis-D\u00e9ri, \u00e9 \u201cprofessor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica e membro [sic] do Instituto de Pesquisa e Estudos Feministas da Universidade de Quebec\u201d (Canad\u00e1). Mas, confesso frustra\u00e7\u00e3o no intento de me ilustrar sobre o Black Bloc (o autor usa mai\u00fasculas quando se refere ao movimento). O livro parece ter sido escrito por um entusiasmado garoto de 14 anos, que assistiu demais o seriado do Zorro (isto \u00e9, um menino de meados do s\u00e9culo passado).<!--more--><\/p>\n<p>A maior parte da \u201cobra\u201d \u00e9 uma mon\u00f3tona descri\u00e7\u00e3o dos feitos dos black blocs em alguns pa\u00edses, seguido de \u201can\u00e1lises\u201d carentes de sentido. E n\u00e3o se trata de concordar ou discordar, mas observar que Dupuis-D\u00e9ri descuidou-se da pesquisa, reproduziu platitudes, e comp\u00f4s apenas um (mau) panfleto militante.<\/p>\n<p>Por exemplo, ao comentar a oposi\u00e7\u00e3o ao Black Bloc, dramatiza: \u201cAssim, o c\u00edrculo se fecha, desde o policial e o pol\u00edtico at\u00e9 o comunista, passando pelo ide\u00f3logo capitalista, pelo bom manifestante, pelo porta-voz das for\u00e7as progressistas, pelo editor, pelo rep\u00f3rter e pelo padre. Todos compartilham os mesmos sentimentos e chegam \u00e0s mesmas conclus\u00f5es (contra os black blocs)\u201d. Poder-se-ia p\u00f4r as palavras na boca de um adolescente rebelde, n\u00e3o fosse o argumento t\u00edpico de movimentos totalit\u00e1rios, que veem o universo conspirando contra a \u201cverdade\u201d da qual eles s\u00e3o portadores.<\/p>\n<p>Dupuis-D\u00e9ri, que pretende explicar o movimento Black Bloc,<br \/>\nn\u00e3o consegue nem mesmo vislumbrar que tipo de gente o comp\u00f5e: \u201c\u00c9 dif\u00edcil fazer um perfil sociol\u00f3gico preciso (&#8230;) minhas observa\u00e7\u00f5es sugerem [sic] que eles s\u00e3o sobretudo jovens, embora alguns membros tenham mais de 50 anos\u2026\u201d O soci\u00f3logo tenta de novo tatear as figuras que o tantalizam: \u201cSer f\u00e3 de m\u00fasica punk n\u00e3o \u00e9 suficiente para fazer de algu\u00e9m um candidato a black bloc. Por outro lado, um black bloc pode n\u00e3o gostar de m\u00fasica punk, ou estar em uma universidade\u201d. Entendeu? Nem eu?<\/p>\n<p>Para validar a t\u00e1tica da destrui\u00e7\u00e3o dos \u201csimbolos do capitalismo\u201d, ele explica que o m\u00e9todo do quebra-quebra se justifica por si, pois \u201co alvo \u00e9 a mensagem\u201d. Dupuis-D\u00e9ri se vale da teoria de um conterr\u00e2neo dele, Marshall McLuhan, formulador do conceito de que \u201co meio \u00e9 a mensagem\u201d.<\/p>\n<p>Estudioso da m\u00eddia, McLuhan afirmou que mais importante do que o conte\u00fado da mensagem \u00e9 o meio (ve\u00edculo) pela qual ela se expressa. Assim, apoderando-se da teoria de McLuhan (sem dar o cr\u00e9dito ao autor) Dupuis-D\u00e9ri quer afirmar que o conte\u00fado da \u201cmensagem\u201d \u00e9 a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o (a viol\u00eancia), e isso dispensaria os black blocs de qualquer outra explica\u00e7\u00e3o, e ele de esclarecer o leitor.<\/p>\n<p>Assim, amigos, gastei R$ 34,90 e sai do livro do jeito que entrei, acrescida a sensa\u00e7\u00e3o de que esses caras gostam mesmo \u00e9 da gandaia, pois como declarou um deles: \u201cA\u00e7\u00f5es diretas geram um certo prazer\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Editora<\/strong><br \/>\nA editora do livro \u00e9 a Veneta, cujo nome forma o logotipo sobre um fundo preto, ilustrado por uma bomba em explos\u00e3o, caveiras, raios e caracteres * #, representando xingamentos.<\/p>\n<p><strong>Esot\u00e9rico<\/strong><br \/>\nO livro \u00e9 cheio de declara\u00e7\u00f5es, digamos assim, esot\u00e9ricos-emocionais para explicar a a\u00e7\u00e3o: a) \u201cFormar um Black Bloc \u00e9 um equalizador (&#8230;) n\u00e3o sou nada mais nem nada menos do que uma entidade que se move com um todo\u201d; b) \u201cUma revolta, como o amor, nos permitir\u00e1 aproveitar as oportunidades\u201d; c) \u201cTive uma sensa\u00e7\u00e3o infinetesimal de liberdade\u201d. E por a\u00ed vai.<\/p>\n<p><strong>Banco Mundial<\/strong><br \/>\nExistem ainda depoimentos como este, de um \u201ccoletivo de mulheres\u201d: \u201cO que \u00e9 viol\u00eancia, quando o Estado est\u00e1 matando pessoas todo dia? E as pessoas no Banco Mundial comem beb\u00eas do Terceiro Mundo no caf\u00e9 da manh\u00e3, ent\u00e3o, se eles levam um tijolo na cara, bem\u2026 a culpa \u00e9 deles\u201d. Aqui n\u00e3o sei se \u00e9 um problema de tradu\u00e7\u00e3o, ou se os comunistas perderam definitivamente o posto de \u201ccomedores de criancinhas\u201d para o Banco Mundial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o de artigo publicado na coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 27\/7\/2014 do O POVO. 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