{"id":17155,"date":"2014-08-17T00:41:08","date_gmt":"2014-08-17T03:41:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17155"},"modified":"2014-08-17T00:41:08","modified_gmt":"2014-08-17T03:41:08","slug":"hiroshima-69-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/08\/17\/hiroshima-69-anos\/","title":{"rendered":"Hiroshima, 69 anos"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 17\/8\/2014, do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_17156\" style=\"width: 437px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus2-e1408246741943.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17156\" class=\"size-full wp-image-17156\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus2-e1408246741943.jpg\" width=\"427\" height=\"716\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus2-e1408246741943.jpg 427w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus2-e1408246741943-300x503.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus2-e1408246741943-120x201.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17156\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Carlus<\/p><\/div>\n<p><strong>Hiroshima, 69 anos<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5\">Efem\u00e9rides da Segunda Guerra Mundial costumam ganhar destaque nos jornais, como foi o caso do Desembarque da Normandia &#8211; o Dia D -, cuja lembran\u00e7a dos 70 anos reuniu v\u00e1rios chefes de Estado na praia francesa, no dia 6 de junho deste ano. Por\u00e9m, um dos mais dram\u00e1ticos acontecimentos ficou esmaecido na sua passagem de 69 anos, no dia 6 de agosto. Talvez pelo sestro da imprensa e dos cerimoniais em privilegiar datas \u201credondas\u201d; talvez pelo fato de o pa\u00eds que provocou a trag\u00e9dia ter sa\u00eddo vencedor do conflito.<\/span><\/p>\n<p>Esperemos, ent\u00e3o, o que acontecer\u00e1 no pr\u00f3ximo ano, quando se completar\u00e3o 70 anos do dia em que os Estados Unidos despejaram uma bomba at\u00f4mica sobre a cidade de Hiroshima, no Jap\u00e3o, sendo a primeira vez que essa arma devastadora foi utilizada na hist\u00f3ria da humanidade. A cidade tinha 245 mil habitantes, sendo que 3\/4 concentravam-se no centro, onde a bomba foi atirada, matando mais de 100 mil pessoas, deixando outro tanto de feridos.<!--more--><\/p>\n<p>A explos\u00e3o derreteu praticamento tudo &#8211; humanos, animais e pr\u00e9dios &#8211; em uma \u00e1rea de 10 quil\u00f4metros quadrados a partir de seu epicentro. A maioria dos atingidos, isto \u00e9, os que sobreviveram, n\u00e3o ouviu estrondo algum, viu apenas um \u201cclar\u00e3o silencioso\u201d, seguido de uma espessa nuvem de fuma\u00e7a, que transformou o dia em noite, e de uma chuva negra de res\u00edduos com pingos do tamanho de bolas de gude. At\u00f4nitos, os sobreviventes viram \u201cmais mortes do jamais teriam imaginado ver\u201d.<\/p>\n<p>Os trechos entre aspas s\u00e3o do livro <em><strong>Hiroshima<\/strong><\/em>, do jornalista John Hersey, que escreveu uma mat\u00e9ria para a revista New Yorker, um ano ap\u00f3s os acontecimento. Em 1985, ele retornou a Hiroshima, reencontrando os personagens da hist\u00f3ria que contara 40 anos antes.<\/p>\n<p>Hersey opta por relatar os acontecimentos pelos olhos de seis sobreviventes: srta. Toshiko Sasaki, dr. Masakazu Fujii, sra. Hatsuyo Nakamura, padre Wilhelm Kleinsorge, dr. Terufumi Sasaki e reverendo Kiyoshi Tanimoto. O jornalista narra aquela manh\u00e3 que principia como mais um dia comum (se \u00e9 que se pode chamar assim o cotidiano de um pa\u00eds em guerra, em uma cidade alvo de bombardeios) na vida de cada um dos personagens, quando tudo vira de cabe\u00e7a para baixo, exatamente \u00e0s oito horas e quinze minutos. A brutalidade do ato, que deixou centenas de milhares de mortos em poucos segundos, Hersey concentra nessas seis vidas.<\/p>\n<p>\u201cA sra. Nakamura observava o vizinho quando um clar\u00e3o de um branco intenso, de um branco que nunca tinha visto at\u00e9 ent\u00e3o, iluminou todas as coisas. (&#8230;) o instinto materno a direcionou para os seus filhos. No entanto, mal deu um passo (encontrava-se a 1.215 metros do centro da explos\u00e3o), alguma coisa a levantou e a fez voar at\u00e9 o c\u00f4modo cont\u00edguo, em meio a partes de sua casa.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 com uma narrativa assim, naturalista, aparentemente despida de sentimentos, que Hersey leva o leitor ao cora\u00e7\u00e3o do horror.<\/p>\n<p>\u201cO sr. Tanimoto corria sem parar. Como crist\u00e3o, compadecia-se daqueles que estavam soterrados; como japon\u00eas, n\u00e3o suportava a vergonha de ter sido poupado.\u201d<\/p>\n<p>Quarenta anos depois, Hersey refaz o caminho desses homens e mulheres, que reconstru\u00edram suas vidas dos escombros, mas se recusavam a ser chamados \u201csobreviventes\u201d, em respeito aos mortos, referindo a si mesmos como hibakusha &#8211; \u201cpessoas afetadas pela explos\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Nagasaki<\/strong><br \/>\nTr\u00eas dias depois de Hiroshima, outra bomba seria jogada sobre Nagasaki, matando 80 mil pessoas. As bombas tinham os simp\u00e1ticos nomes de Little Boy (garotinho) e Fat Man (gordo). Na fuselagem do avi\u00e3o que carregou a bomba de Hiroshima estava pintado o nome da m\u00e3e do piloto: Enola Gay.<\/p>\n<p><strong>Experimento<\/strong><br \/>\nO jornalista Jonh Hersey (1914-1993) trabalhou como correspondente internacional das revistas Time e Life e como colaborador da New Yorker. Um de seus livros, A bell for Adano (fic\u00e7\u00e3o) recebeu o Pr\u00eamio Pulizer (1945). Pouco depois da edi\u00e7\u00e3o da New Yorker circular com a mat\u00e9ria sobre Hiroshima, o almirante Willian F. Halsey afirmou que os japoneses estavam prestes a se render, e que a bomba at\u00f4mica fora \u201cum experimento desnecess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Lei<\/strong><br \/>\nA respeito do texto da semana passada \u201cPorta para a \u2018gente diferenciada\u2019\u201d, a leitora V\u00f3lia Barreto lembra que em Fortaleza tamb\u00e9m existe uma lei que pro\u00edbe a discrimina\u00e7\u00e3o em elevadores. De autoria do ex-vereador Jos\u00e9 Maria Pontes, a lei foi sancionada em 1996 pelo ent\u00e3o prefeito Ant\u00f4nio Cambraia.<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p>Nagasaki<br \/>\nTr\u00eas dias depois de Hiroshima, outra bomba seria jogada sobre Nagasaki, matando 80 mil pessoas. As bombas tinham os simp\u00e1ticos nomes de Little Boy (garotinho) e Fat Man (gordo). Na fuselagem do avi\u00e3o que carregou a bomba de Hiroshima estava pintado o nome da m\u00e3e do piloto: Enola Gay.<\/p>\n<p>Experimento<br \/>\nO jornalista Jonh Hersey (1914-1993) trabalhou como correspondente internacional das revistas Time e Life e como colaborador da New Yorker. Um de seus livros, A bell for Adano (fic\u00e7\u00e3o) recebeu o Pr\u00eamio Pulizer (1945). Pouco depois da edi\u00e7\u00e3o da New Yorker circular com a mat\u00e9ria sobre Hiroshima, o almirante Willian F. Halsey afirmou que os japoneses estavam prestes a se render, e que a bomba at\u00f4mica fora \u201cum experimento desnecess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Lei<br \/>\nA respeito do texto da semana passada \u201cPorta para a \u2018gente diferenciada\u2019\u201d, a leitora V\u00f3lia Barreto lembra que em Fortaleza tamb\u00e9m existe uma lei que pro\u00edbe a discrimina\u00e7\u00e3o em elevadores. De autoria do ex-vereador Jos\u00e9 Maria Pontes, a lei foi sancionada em 1996 pelo ent\u00e3o prefeito Ant\u00f4nio Cambraia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 17\/8\/2014, do O POVO. 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