{"id":17164,"date":"2014-08-23T16:01:15","date_gmt":"2014-08-23T19:01:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17164"},"modified":"2014-08-23T16:01:15","modified_gmt":"2014-08-23T19:01:15","slug":"sobre-homens-e-macacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/08\/23\/sobre-homens-e-macacos\/","title":{"rendered":"Sobre homens e macacos"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 24\/8\/2014, do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_17168\" style=\"width: 342px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus3-e1408886823397.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17168\" class=\" wp-image-17168\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus3-e1408886823397.jpg\" width=\"332\" height=\"561\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus3-e1408886823397.jpg 474w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus3-e1408886823397-300x507.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/08\/Carlus3-e1408886823397-120x203.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17168\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Carlus<\/p><\/div>\n<p><strong>Sobre homens e macacos<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Assisti ao original <em>O planeta dos macacos<\/em> quando lan\u00e7ado, em 1968. Lembro ter sa\u00eddo maravilhado do cinema, talvez pela aventura, por\u00e9m sem entender bem o enredo. Tive dificuldade de compreender o final, quando Charlton Heston, com sua companheira na garupa do cavalo, defronta-se com a Est\u00e1tua da Liberdade semienterrada. As palavras dele, de qualquer modo, ficaram gravadas na minha mem\u00f3ria: \u201cLoucos, man\u00edacos, destru\u00edram tudo\u201d.<\/p>\n<p>Menino do interior, na long\u00ednqua d\u00e9cada de 60 de s\u00e9culo passado, provavelmente nem tinha ideia do que era e do que representava a Est\u00e1tua da Liberdade. A luz se fez quando meu irm\u00e3o mais velho explicou: \u201cEles (os astronautas) voltaram para a Terra\u201d. Desde ent\u00e3o, vejo todos os filmes da s\u00e9rie, ou \u201cfranquia\u201d, como se costuma dizer agora, sempre evidenciando a marcha da insensatez a mover os humanos &#8211; e tamb\u00e9m aqueles que nos emulam, como os s\u00edmios inteligentes, nossos algozes na fic\u00e7\u00e3o, como se v\u00ea no <em>Planeta dos macacos &#8211; O confronto<\/em>, em cartaz.<!--more--><\/p>\n<p>Em uma das cenas do filme C\u00e9sar, o l\u00edder dos s\u00edmios, vendo-se em dificuldade para controlar a sanha guerreira de seu amigo Koba, lamenta-se: \u201cN\u00e3o imaginava que os macacos fossem t\u00e3o parecidos com os humanos\u201d.<\/p>\n<p>Diferentemente dos filmes anteriores em que a humanidade era devastada por uma guerra at\u00f4mica, nos filmes mais novos da s\u00e9rie, o perigo vem da manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica (cada \u00e9poca com seus medos), que produz um v\u00edrus em laborat\u00f3rio letal para os humanos &#8211; ao qual os macacos s\u00e3o imunes &#8211; e que praticamente dizima popula\u00e7\u00f5es do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Estaria mesmo a Terra condenada a ser destru\u00edda por obra dos pr\u00f3prios homens, enredo t\u00e3o comum em filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/p>\n<p>Estudo recente, encomendado pela Nasa (ag\u00eancia espacial americana), prev\u00ea um \u201ccolapso nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\u201d, relacionados a problemas com superpopula\u00e7\u00e3o, clima (efeito estufa), \u00e1gua , agricultura. Outro problema que amea\u00e7a a exist\u00eancia humana seria a desigualdade. Segundo o estudo, o alto consumo, por parte das elites, priva a maioria da humanidade de bens b\u00e1sicos para a sobreviv\u00eancia. E, sem as classes baixas para produzir bens e riquezas, o naufr\u00e1gio atingir\u00e1 a todos. (Sem contar &#8211; acrescento por minha conta &#8211; que o n\u00edvel de toler\u00e2ncia dos completamente despossu\u00eddos t\u00eam um limite, que, ultrapassado poder\u00e1 provocar revoltas incontrol\u00e1veis.)<\/p>\n<p>Em resumo, o modelo da sociedade ocidental, baseada no consumo excessivo dos mais ricos, na desigualdade, e no uso desmedido dos recursos naturais, levaria, inevitavelmente, ao cataclismo. (A pesquisa foi feita pelo Centro Nacional de S\u00edntese S\u00f3cio-Ambiental, que trabalha com a Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Ci\u00eancias Norte-Americana.)<\/p>\n<p>Mas, espere a\u00ed.<\/p>\n<p>David Deutsch, f\u00edsico da Universidade de Oxford, pioneiro no campo dos computadores qu\u00e2nticos, discorda. Para ele, o futuro ser\u00e1 melhor do que o passado. Em seu livro <em>The Beginning of Infinity<\/em> (o in\u00edcio do infinito), ele vai al\u00e9m e prev\u00ea um progresso infinito para a ra\u00e7a humana. Assim, os problemas, quaisquer um (inclusive os citados pelo estudo da Nasa), seriam resolvidos pela inesgot\u00e1vel capacidade humana de interpretar a Natureza e modific\u00e1-la, para melhorar a vida na Terra.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Marx<\/strong><br \/>\nTalvez David Deutsch concorde com pelo menos esta frase de Karl Marx, cientista social: &#8220;A humanidade s\u00f3 levanta os problemas que \u00e9 capaz de resolver e assim, numa observa\u00e7\u00e3o atenta, descobrir-se-\u00e1 que o pr\u00f3prio problema s\u00f3 surgiu quando as condi\u00e7\u00f5es materiais para o resolver j\u00e1 existiam ou estavam, pelo menos, em vias de aparecer&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Macacos<\/strong><br \/>\nNo filme, o amigo que trai C\u00e9sar, l\u00edder carism\u00e1tico dos macacos, chama-se Koba. N\u00e3o sei se proposital ou n\u00e3o, mas Koba era um dos codinomes de um certo Josef Djugashvili, tamb\u00e9m conhecido como St\u00e1lin (o homem de a\u00e7o).<\/p>\n<p><strong>Humanos<\/strong><br \/>\nDa mesma forma que o Koba, que assumiu o lugar de C\u00e9sar, reivindicando a causa s\u00edmia, St\u00e1lin tamb\u00e9m canonizou L\u00eanin, instituindo-se como int\u00e9rprete de sua vontade, e exibindo-se como o \u201cguia genial\u201d dos povos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 24\/8\/2014, do O POVO. 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