{"id":17211,"date":"2014-09-20T16:01:22","date_gmt":"2014-09-20T19:01:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17211"},"modified":"2014-09-20T16:01:22","modified_gmt":"2014-09-20T19:01:22","slug":"desqualificacao-da-politica-e-o-risco-a-democracia17211","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/09\/20\/desqualificacao-da-politica-e-o-risco-a-democracia17211\/","title":{"rendered":"Desqualifica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e o risco \u00e0 democracia"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, publicado no caderno &#8220;People&#8221;, O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 21\/9\/2014.<\/p>\n<div id=\"attachment_17218\" style=\"width: 322px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Sem-t\u00edtulo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17218\" class=\"size-full wp-image-17218\" alt=\"Arte: Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Sem-t\u00edtulo.jpg\" width=\"312\" height=\"562\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Sem-t\u00edtulo.jpg 312w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Sem-t\u00edtulo-300x540.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Sem-t\u00edtulo-120x216.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 312px) 100vw, 312px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17218\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Carlus<\/p><\/div>\n<p><strong>Desqualifica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e o risco \u00e0 democracia<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>O professor Ven\u00edcio A. Lima, arguto observador da m\u00eddia, costuma recorrer com frequ\u00eancia em seus escritos a um argumento desenvolvido, na d\u00e9cada de 1980, pela professora Maria do Carmo Campello de Souza (1936-2006) para apontar que a desqualifica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos pol\u00edticos e da pol\u00edtica p\u00f5e em risco o sistema democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Escreve a professora: \u201cParece-nos poss\u00edvel dizer (&#8230;) que os meios de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam tido uma participa\u00e7\u00e3o extremamente acentuada na extens\u00e3o do processo de <em>system blame<\/em> [culpar o sistema]. Deve-se assinalar o papel exercido pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o da imagem p\u00fablica do regime, sobretudo no que se refere \u00e0 acentua\u00e7\u00e3o de um aspecto sempre presente na cultura do pa\u00eds \u2013 a desconfian\u00e7a arraigada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica e aos pol\u00edticos \u2013 que pode refor\u00e7ar a descren\u00e7a sobre a pr\u00f3pria estrutura de representa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria parlamentar. (&#8230;)<\/p>\n<p>\u201cO teor exclusivamente denunciat\u00f3rio de grande parte das informa\u00e7\u00f5es acaba por estabelecer junto \u00e0 sociedade (&#8230;) uma liga\u00e7\u00e3o direta e extremamente nefasta entre a desmoraliza\u00e7\u00e3o da atual conjuntura e a subst\u00e2ncia mesma dos regimes democr\u00e1ticos. (&#8230;) A despeito da evidente responsabilidade que cabe \u00e0 imensa maioria da classe pol\u00edtica pelo desenrolar sombrio do processo pol\u00edtico brasileiro, os meios de comunica\u00e7\u00e3o o apresentam como homegeneizado e, em compara\u00e7\u00e3o com os dardos de sua cr\u00edtica, poupam outros setores (&#8230;). Tem-se muitas vezes a impress\u00e3o de que corrup\u00e7\u00e3o, cinismo e desmandos s\u00e3o monop\u00f3lio dos pol\u00edticos, dos partidos ou do Congresso (&#8230;)\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>A professora Maria do Carmos cita os exemplos da Alemanha e da \u00c1ustria, na d\u00e9cada de 1930, lembrando que \u201co processo de avalia\u00e7\u00e3o negativa do sistema democr\u00e1tico estava t\u00e3o disseminado que, quando alguns setores vieram em defesa do regime democr\u00e1tico, eles j\u00e1 se encontravam reduzidos a uma minoria para serem capazes de impedir a ruptura\u201d. E, como se sabe, a derrocada da democracia alem\u00e3 &#8211; a Rep\u00fablica de Weimar &#8211; possibilitou a ascens\u00e3o do nazismo.<\/p>\n<p>O processo de <em>system blame<\/em> significa culpar o sistema, isto \u00e9, a pr\u00f3pria democracia, pelos problemas por quais passam o pa\u00eds. Observe-se como \u00e9 comum ouvir-se que na ditadura \u201cn\u00e3o havia corrup\u00e7\u00e3o\u201d, esquecendo-se propositalmente, quem usa tal argumento, que o problema havia, por\u00e9m ficava submerso, devido \u00e0 censura \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>Tem raz\u00e3o tamb\u00e9m a professora quando afirma que alguns setores s\u00e3o poupados de cr\u00edtica mais severa. Pode-se citar o poder empresarial, por exemplo, muito pouco investigado pela imprensa. Ser\u00e1 que no mundo dos neg\u00f3cios n\u00e3o h\u00e1 sonega\u00e7\u00e3o, pagamento de propinas e outros desmandos que, ao fim e ao cabo s\u00e3o suportados pelo cidad\u00e3o? A corrup\u00e7\u00e3o tem apenas uma ponta, a do corrompido (pol\u00edticos), ou existe tamb\u00e9m o agente corrompedor (empres\u00e1rio), que costuma sair ileso das investiga\u00e7\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se desqualificar a pol\u00edtica \u00e9 um perigo \u00e0 democracia, deixar tudo como est\u00e1, tamb\u00e9m pode s\u00ea-lo. Vejam nas notas abaixo como \u00e9 adverso, para dizer o m\u00ednimo, o balan\u00e7o que este jornal fez da atua\u00e7\u00e3o da Assembleia Legislativa do Cear\u00e1. Por isso, talvez tenha chegado a hora de uma decis\u00e3o firme dos cidad\u00e3os para &#8211; por meios democr\u00e1ticos &#8211; salvar a pol\u00edtica dos pol\u00edticos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Assembleia<\/strong><br \/>\nA reportagem mostra a quase aus\u00eancia de atua\u00e7\u00e3o Assembleia Legislativa nas duas principais dimens\u00f5es de uma casa legislativa &#8211; a produ\u00e7\u00e3o de leis e a fiscaliza\u00e7\u00e3o do Executivo. Dos projetos aprovados nesta legislatura, 78% foram para nomear \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e criar datas comemorativas.<\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7o<\/strong><br \/>\nQuanto \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o, foram barradas todas as iniciativas que pudessem incomodar Executivo, incluindo at\u00e9 rejei\u00e7\u00e3o de pedidos de esclarecimento. E essa Assembleia custa, por ano, R$ 363,027 milh\u00f5es ao contribuinte, ou seja, quase um milh\u00e3o de reais por dia.<\/p>\n<p><strong>Livro<\/strong><br \/>\nO conceito desenvolvido pela professora Maria do Carmo est\u00e1 no cap\u00edtulo \u201cA Nova Rep\u00fablica brasileira: sob a espada de D\u00e2mocles\u201d, no livro <em>Democratizando o Brasil<\/em>, organizado por Alfred Stepan (1988). Os trechos reproduzidos neste artigo foram colhidos do texto \u201cAs manifesta\u00e7\u00f5es de junho e a m\u00eddia\u201d, do professor Ven\u00edcio Lima, revista <em>Teoria e Debate<\/em>: http:\/\/migre.me\/lDte4. (As conclus\u00f5es s\u00e3o de minha responsabilidade.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, publicado no caderno &#8220;People&#8221;, O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 21\/9\/2014. 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