{"id":17221,"date":"2014-09-27T16:59:02","date_gmt":"2014-09-27T19:59:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17221"},"modified":"2014-09-27T16:59:02","modified_gmt":"2014-09-27T19:59:02","slug":"jesus-o-revolucionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/09\/27\/jesus-o-revolucionario\/","title":{"rendered":"Jesus, o revolucion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Carlus4-e1411851795995.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-17255\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Carlus4-e1411851795995.jpg\" width=\"299\" height=\"603\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Carlus4-e1411851795995.jpg 299w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/09\/Carlus4-e1411851795995-120x242.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><\/a>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 28\/9\/2014 do O <strong>POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Jesus, o revolucion\u00e1rio<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>O livro ganhou mais destaque devido a um questionamento agressivo de uma rep\u00f3rter, perguntando por que, sendo ele mu\u00e7ulmano, meteu-se a escrever sobre Jesus. Reza Aslan explicou que era um estudioso, com doutorado em hist\u00f3ria das religi\u00f5es, que j\u00e1 publicara quatro t\u00edtulos sobre o assunto &#8211; e que, por acaso, tamb\u00e9m era mu\u00e7ulmano. A entrevista foi na Fox News, TV americana (n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil que existem entrevistadores sem no\u00e7\u00e3o), pa\u00eds no qual o iraniano Reza Aslan vive e trabalha. O livro \u00e9 <em>Zelota &#8211; A vida na \u00e9poca de Jesus de Nazar\u00e9<\/em>.<\/p>\n<p>Como no Brasil Deus normalmente \u00e9 convocado &#8211; imagino que contra a vontade &#8211; a se apresentar na elei\u00e7\u00f5es, julguei interessante comentar o livro, que fala do filho Dele, que \u00e9, ao mesmo tempo Ele, segundo explica\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a crist\u00e3, que tenho dificuldade em entender.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, n\u00e3o sei o que \u00e9 pior: uma candidata que se faz de beata &#8211; tomando b\u00ean\u00e7\u00e3o do bispo Macedo a troco de votos &#8211; ou outra, achando que Deus \u00e9 um executivo de carreiras, com um \u201cplano\u201d exclusivo para ela. O meu modelo, nesse aspecto, \u00e9 a Fran\u00e7a. Por l\u00e1, se um candidato pelo menos passar em frente a um templo, ele perde votos. De qualquer modo, feita as contas, creio que o Jesus de Aslan est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do Psol\/PSTU do que do PT e da Rede\/PSB. (E mais distante ainda de pastores e outros santarr\u00f5es.) Vamos ver.<!--more--><\/p>\n<p>Reza Aslan analisa Jesus a partir do tempo em que ele viveu, o que parece \u00f3bvio para se entender qualquer personagem do ponto de vista hist\u00f3rico, pois os homens (e Jesus foi um deles enquanto campeou na terra), s\u00e3o os homens e as suas circunst\u00e2ncias, pois ningu\u00e9m vive em um v\u00e1cuo a-hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Em uma Palestina do s\u00e9culo I, sob o dom\u00ednio romano, \u201cimersa em energia messi\u00e2nica\u201d, Jesus era apenas mais um profeta, como qualquer pregador, seguido por \u201cum bando de maltrapilhos\u201d e \u201cclamando sobre o fim do mundo\u201d. A diferen\u00e7a era que Jesus fazia os seus prod\u00edgios de gra\u00e7a, ao contr\u00e1rio de outros milagreiros, que cobravam; com isso atra\u00eda pequenas multid\u00f5es. O que Aslan busca explicar \u00e9 como Jesus se destacou entre a multid\u00e3o de profetas para \u201calterar de modo permanente o curso da hist\u00f3ria humana\u201d.<\/p>\n<p>Para Aslan, Jesus era um revolucion\u00e1rio zelota (que pregava o zelo com as tradi\u00e7\u00f5es judaicas), preconizando o reino de Deus na Terra, e a recusa em servir a qualquer mestre estrangeiro (no caso, os romanos) &#8211; ou a qualquer mestre humano &#8211; uma devo\u00e7\u00e3o intransigente \u00e0 soberania de Deus. Era uma prega\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-espiritual, assuntos que n\u00e3o se diferenciavam na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Jesus, como os demais profetas de seu tempo, prometia o Reino de Deus na terra, que estaria prestes a suceder, como um apelo \u00e0 liberdade do dom\u00ednio estrangeiro. Nesse reino, \u201cos doentes ser\u00e3o curados, o fraco se torna forte, os famintos s\u00e3o alimentados e os pobres se tornar\u00e3o ricos (&#8230;) a riqueza ser\u00e1 distribu\u00edda e as d\u00edvidas ser\u00e3o perdoadas\u201d. O Reino de Deus, assim, \u00e9 um claro \u201cchamado \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o\u201d. Desse ponto de vista, Jesus foi derrotado, pois n\u00e3o conseguiu o intento, sendo morto e crucificado pelo poder romano.<\/p>\n<p>O Jesus ressuscitado, segundo Aslan, foi criado pelos seus seguidores, que concebem um Jesus romanizado, \u201cvitorioso\u201d frente \u00e0 morte, e mais preocupado com os problemas transcendentais. Para Aslan, o Jesus \u201cfilho de Deus\u201d, o pr\u00f3prio Deus encarnado, foi uma cria\u00e7\u00e3o para cimentar o nascente cristianismo, por\u00e9m, em confronto com a prega\u00e7\u00e3o politizada original de Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Disc\u00edpulo<\/strong><br \/>\nAslan confessa-se admirador, um \u201cdisc\u00edpulo\u201d, de Jesus de Nazar\u00e9 (hist\u00f3rico), \u201cmais genuinamente do que jamais fui de Jesus Cristo\u201d (criado pela religi\u00e3o). Por \u00f3bvio, Aslan duvida do dogma da virgindade de Maria, e d\u00e1 como certo que Jesus tinha irm\u00e3os; um deles, Tiago, um dos doze ap\u00f3stolos, figura das mais importantes do cristianismo primitivo, e que d\u00e1 nome ao famoso caminho de Santiago (s\u00e3o Tiago) de Compostela, na Espanha.<\/p>\n<p><strong>Poder pol\u00edtico<\/strong><br \/>\nO autor sustenta sua tese de que Jesus prometia um \u201creino terreno\u201d, devido ao fato dele ter sido morto e crucificado pelo crime de trai\u00e7\u00e3o a Roma, ao \u201cbuscar o poder pol\u00edtico de um rei (&#8230;) o mesmo crime pelo qual foram mortos todos os aspirantes messi\u00e2nicos da \u00e9poca\u201d.<\/p>\n<p><strong>Espada<\/strong><br \/>\nComo bom revolucion\u00e1rio, Jesus n\u00e3o teria vindo ao mundo para trazer a paz, \u201cmas a espada\u201d. Dar a outra face e amar seus inimigos, referia-se apenas, segundo Aslan, aos seus iguais, os judeus &#8211; n\u00e3o sendo um princ\u00edpio abstrato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 28\/9\/2014 do O POVO. 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