{"id":17272,"date":"2014-10-11T16:09:05","date_gmt":"2014-10-11T19:09:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17272"},"modified":"2014-10-11T16:09:05","modified_gmt":"2014-10-11T19:09:05","slug":"onde-estao-os-indignados-de-junho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/10\/11\/onde-estao-os-indignados-de-junho\/","title":{"rendered":"Onde est\u00e3o os \u201cindignados\u201d de junho?"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, publicada no caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 12\/10\/2014 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus1-e1413080512613.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-17287\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus1-e1413080512613.jpg\" width=\"343\" height=\"600\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus1-e1413080512613.jpg 343w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus1-e1413080512613-300x525.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus1-e1413080512613-120x210.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><\/a>Onde est\u00e3o os \u201cindignados\u201d de junho?<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Com a rapidez com que as informa\u00e7\u00f5es transitam as \u201cjornadas de junho\u201d do ano passado parecem j\u00e1 ter uma d\u00e9cada. O movimento que p\u00f4s em xeque a pol\u00edtica e os pol\u00edticos, que levou os jovens \u201cindignados\u201d \u00e0s ruas, exigindo uma \u201cnova ordem\u201d, arrefeceu. Isso n\u00e3o quer dizer que tenha morrido, movimentos assim parecem ser surpreendentes como terremotos, que nenhum aparelho consegue detectar com precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas qual foi a influ\u00eancia de t\u00e3o espetaculoso movimento na campanha presidencial, ora no segundo turno?<\/p>\n<p>A sua consequ\u00eancia mais sentida foi que antigos pol\u00edticos apensaram \u00e0 sua propagada o verbo \u201cmudar\u201d: Dilma \u201cMuda mais\u201d e A\u00e9cio \u201cMudan\u00e7a de verdade\u201d. Marina tentou capitalizar o sentimento das ruas falando em \u201cnova pol\u00edtica\u201d, por\u00e9m seu coque evang\u00e9lico e sua resist\u00eancia em aceitar comportamentos que, hoje, ousam dizer o nome, estavam muito distantes de uma juventude que convive naturalmente com com o amor entre iguais e arranjos familiares os mais diversos.<!--more--><\/p>\n<p>Luciana Genro, que abra\u00e7a, sem embargo, causas \u201cpoliticamente corretas\u201d, mesmo negando, \u00e9 tamb\u00e9m de um partido tradicional, por isso n\u00e3o escapou \u00e0 pedreira cr\u00edtica dos black blocs. E, anotem, se o Psol chegar ao governo nada far\u00e1 nada de muito diferente do que faz, por exemplo, o PT &#8211; para o bem e para o mal. Vivemos em um mundo de predom\u00ednio capitalista; essa realidade costuma cobrar o seu pre\u00e7o, admitindo, no m\u00e1ximo reformas &#8211; e sob muita press\u00e3o. Para ir al\u00e9m disso, pelo menos na velocidade que os partidos (mais) \u00e0 esquerda preconizam, seria necess\u00e1rio uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d. E, pelo menos os modelos vistos no s\u00e9culo XX, desaconselham emula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Alguns analistas afirmam que as manifesta\u00e7\u00f5es de junho n\u00e3o impediram, por exemplo, a vota\u00e7\u00e3o expressiva de gente como Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Pastor Feliciano (PSC-SP), retr\u00f3grados ao ponto de terem como principal pol\u00edtica a especula\u00e7\u00e3o sobre o que os outros fazem na cama. Mas fato \u00e9 que tamb\u00e9m tiveram vota\u00e7\u00e3o vigorosa, por exemplo, os candidatos Jean Wyllys (Psol-RJ) e Manuela d\u00b4Avila (PCdoB-RS), pregadores do liberalismo comportamental (n\u00e3o confundir comportamento com economia).<\/p>\n<p>Continua portanto o mist\u00e9rio: onde se esconderam os ativistas de junho?<\/p>\n<p>Em favor deles, \u00e9 preciso lembrar que, exceto alguns poucos exemplos, o \u201cmercado pol\u00edtico\u201d oferece poucas op\u00e7\u00f5es aos divergentes, portanto o eleitor \u00e9 obrigado a votar no que se lhe disp\u00f5e \u00e0 frente. Entre os presidenci\u00e1veis &#8211; e mesmo entre os candidatos proporcionais &#8211; quem poderia arvorar-se representante das jornadas de junho? Mesmo porque o movimento recusava a qualquer lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ser\u00e1 que, a exemplo da Cr\u00edtica Radical, os rebeldes resolveram recusar-se a comparecer \u00e0s se\u00e7\u00f5es eleitorais, enquanto procuram um s\u00edtio nos arrabaldes &#8211; fora do eixo &#8211; para viver uma \u201csociedade sem dinheiro\u201d?<\/p>\n<p>No caso desse movimento de t\u00e3o alta envergadura hist\u00f3rica, talvez valha lembrar a an\u00e1lise que o primeiro-ministro chin\u00eas, Zhou Enlai, fez a jornalistas, quando recebeu a visita do ent\u00e3o presidente americano Richard Nixon, em 1972. Perguntado como via a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789), ele deu amostra da pachorra chinesa: \u201cAinda \u00e9 muito cedo para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>O fato e a vers\u00e3o<\/strong><br \/>\nDurante muito tempo prevaleceu a vers\u00e3o de que Zhou Enlai se referia \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, ocorrida mais dois s\u00e9culos antes. Por\u00e9m, depois ficou esclarecido ter-se tratado de um equ\u00edvoco de tradu\u00e7\u00e3o. Na verdade, a pergunta &#8211; e a resposta &#8211; referiam-se \u00e0 agita\u00e7\u00e3o de maio de 1968, na Fran\u00e7a. Por\u00e9m, como a frase era por demais interessante, perpetuou-se a vers\u00e3o e n\u00e3o o fato.<\/p>\n<p><strong>Imprima-se a lenda<\/strong><br \/>\nUmas das cenas mais marcantes do filme O homem que matou o fac\u00ednora brinca com situa\u00e7\u00e3o parecida. Um velho senador conta a um jornalista que a sua carreira constru\u00edra-se sobre uma mentira: de que fora ele que matara um pistoleiro que aterrorizava a regi\u00e3o. Autorizado a publicar, jornalista prefere abrir m\u00e3o da hist\u00f3ria in\u00e9dita, rasga suas anota\u00e7\u00f5es, e sai-se com esta: \u201cEstamos no Oeste, senhor, quando a lenda torna-se realidade, imprima-se a lenda\u201d.<\/p>\n<p><strong>Verdade?<\/strong><br \/>\nO fato (ou a lenda) \u00e9 t\u00e3o verdadeira, que circula uma tradu\u00e7\u00e3o diferente da frase: \u201cQuando a lenda for mais interessante do que a realidade, imprima-se a lenda\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, publicada no caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 12\/10\/2014 do O POVO. Onde est\u00e3o os \u201cindignados\u201d de junho? 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