{"id":17302,"date":"2014-10-18T14:01:02","date_gmt":"2014-10-18T17:01:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17302"},"modified":"2014-10-18T14:01:02","modified_gmt":"2014-10-18T17:01:02","slug":"politica-peixes-e-porcos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/10\/18\/politica-peixes-e-porcos\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica, peixes e porcos"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, publicada no caderno &#8220;People&#8221; do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de <strong>19\/10\/2014<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_17309\" style=\"width: 328px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus.1-e1413681156568.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17309\" class=\"size-full wp-image-17309\" alt=\"Arte: Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus.1-e1413681156568.jpg\" width=\"318\" height=\"585\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus.1-e1413681156568.jpg 318w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus.1-e1413681156568-300x552.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/10\/Carlus.1-e1413681156568-120x221.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17309\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Carlus<\/p><\/div>\n<p><strong>Pol\u00edtica, peixes e porcos<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Para comentar as selv\u00e1ticas elei\u00e7\u00f5es brasileiras, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que recorro a <em>Peixe na \u00e1gua<\/em>, livro de mem\u00f3rias de Mario Vargas Llosa, em que ele conta a passagem de sua vida quando foi candidato a presidente do Peru, em 1990. Ele perdeu a elei\u00e7\u00e3o para Alberto Fujimori, que hoje se encontra preso, devido \u00e0 diversidade de crimes praticadas &#8211; de corrup\u00e7\u00e3o a assassinatos &#8211; enquanto exercia a presid\u00eancia do pa\u00eds andino.<\/p>\n<p>Pol\u00edticos brasileiros, de modo geral, devem considerar esta coluna (se \u00e9 que algum deles l\u00ea essas maltra\u00e7adas) como de uma ingenuidade atroz, e devem classificar o escritor, Pr\u00eamio Nobel de Literatura, com um \u201csonh\u00e1tico\u201d (mas desses que levam, mesmo, a s\u00e9rio, de verdade, o que dizem), o que ser\u00e1 considerado um desvio de personalidade, pois entendem que todas as armas s\u00e3o l\u00edcitas, desde que sirvam ao pragmatismo necess\u00e1rio para derrotar o \u201cinimigo\u201d.<\/p>\n<p>Levando-se em conta o que o Vargas Llosa escreveu, ele manteve um sentido de dec\u00eancia, dif\u00edcil de se enxergar em qualquer pol\u00edtico, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda. Ele n\u00e3o vacilou em combater o preconceito e a supersti\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios aliados, em plena campanha.<!--more--><\/p>\n<p>Uma das acusa\u00e7\u00f5es de seus aliados contra Fujimori \u00e9 que ele seria \u201cmenos peruano\u201d devido \u00e0 sua ascend\u00eancia japonesa. Vargas Llosa relata que um dia estavam no comit\u00ea quando ouviu manifestantes na rua gritando palavras racistas contra Fujimori. De megafone na m\u00e3o diz ter enfrentado seus aliados, dizendo ser inconceb\u00edvel que se fizesse discrimina\u00e7\u00e3o entre as pessoas em raz\u00e3o da pele, e que \u201cbranco, \u00edndio, chin\u00eas, negro ou japon\u00eas\u201d, todos eram peruanos. O engenheiro Fujimori, gritou Vargas Llosa aos aliados: \u201c\u00c9 t\u00e3o peruano quanto eu\u201d.<\/p>\n<p>Seus advers\u00e1rios o acusavam de ser \u201cateu\u201d (ele se declara agn\u00f3stico), mesmo assim ele tinha o apoio da hierarquia cat\u00f3lica peruana, temerosa do avan\u00e7o evang\u00e9lico, que se alinhava, em sua maioria, com Fujimori. Por\u00e9m, Vargas Llosa via com avers\u00e3o a disputa \u201cadotando uma fisionomia de guerra religiosa, em que os ing\u00eanuos temores, os preconceitos e as armas limpas se misturavam aos sujos golpes baixos e \u00e0s mais p\u00e9rfidas manobras, de um e outro lado, a extremos que beiravam a farsa e o surrealismo\u201d.<\/p>\n<p>Vargas Llosa detestava os \u00e1ulicos. Relata como, ao chegar a qualquer lugar, \u201cuma pequena corte ou s\u00e9quito de parentes, amigos e protegidos\u201d se apresentavam a ele \u201ccomo dirigentes populares\u201d, trocando de ideologia e partido como \u201cquem muda de camisa\u201d. E continua, sem perdoar os puxa-sacos: \u201cEram sempre eles que, depois das manifesta\u00e7\u00f5es, tentavam carregar-me nos ombros \u2013 costume rid\u00edculo, imita\u00e7\u00e3o dos toureiros, de que cheguei a ser obrigado a defender-me a pontap\u00e9s (&#8230;) Lidar com caciques, tolerar os caciques, servir-me dos caciques, foi coisa que jamais soube fazer\u201d.<\/p>\n<p>Ele relata como sua assessoria quis convenc\u00ea-lo a fazer uma campanha negativa contra Fujimori. A resposta dele \u00e9 que s\u00f3 daria aprova\u00e7\u00e3o a informa\u00e7\u00f5es comprov\u00e1veis, por\u00e9m \u201cdaquela reuni\u00e3o em diante pude intuir os escabrosos n\u00edveis de imund\u00edcies em que tanto os meus partid\u00e1rios como meus advers\u00e1rios haveriam de incorrer nas semanas subsequentes\u201d.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m imagina um candidato brasileiro alertando seus correligion\u00e1rios a somente divulgarem informa\u00e7\u00f5es comprovadas? Chamando a aten\u00e7\u00e3o de aliados que atacam, por exemplo, os nordestinos classificando-os como brasileiros de segunda categoria?<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Peixe na \u00e1gua<\/strong><br \/>\nMario Vargas Llosa publicou o livro em 1993, tr\u00eas anos ap\u00f3s ser derrotado na disputa presidencial. Al\u00e9m das mem\u00f3rias eleitorais, cap\u00edtulos se intercalam contando a vida do escritor desde 1958, quando ele deixa o Peru para viver em Paris.<\/p>\n<p><strong>Madrasta<\/strong><br \/>\nO escritor era apresentado pelos advers\u00e1rios como \u201cpervertido, porn\u00f3grafo e incestuoso\u201d, devido ao seu livro <em>Elogio da madrasta<\/em>, que fala da rela\u00e7\u00e3o entre um menino e a mulher com quem seu pai se casa em segunda n\u00fapcias. O livro foi lido inteiro, um cap\u00edtulo por dia, no programa de Fujimori.<\/p>\n<p><strong>Porcos<\/strong><br \/>\nAnalisando o desenrolar dos acontecimentos, Varga Llosa escreve em um trecho do livro: \u201cMas, naquele ponto da campanha, eu j\u00e1 sabia que no Peru s\u00e3o raros os pol\u00edticos a quem essa Circe [bruxa] que \u00e9 a pol\u00edtica n\u00e3o transforma em porcos.\u201d Qualquer semelhan\u00e7a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, publicada no caderno &#8220;People&#8221; do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 19\/10\/2014. 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