{"id":17421,"date":"2014-11-22T16:01:20","date_gmt":"2014-11-22T19:01:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17421"},"modified":"2014-11-22T16:01:20","modified_gmt":"2014-11-22T19:01:20","slug":"tudo-o-que-voce-nao-queria-saber-sobre-drogas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/11\/22\/tudo-o-que-voce-nao-queria-saber-sobre-drogas\/","title":{"rendered":"Tudo o que voc\u00ea n\u00e3o queria saber sobre drogas"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, do <strong>O POVO<\/strong>, edi\u00e7\u00e3o de 23\/11\/2014.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/H\u00e9lio-R\u00f4la6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-17438\" alt=\"H\u00e9lio R\u00f4la\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/H\u00e9lio-R\u00f4la6.jpg\" width=\"342\" height=\"322\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/H\u00e9lio-R\u00f4la6.jpg 489w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/H\u00e9lio-R\u00f4la6-300x282.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/H\u00e9lio-R\u00f4la6-120x113.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><\/a>Tudo o que voc\u00ea n\u00e3o queria saber sobre drogas<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Muito provavelmente o livro <em>Um pre\u00e7o muito alto<\/em> vai contrariar tudo o que voc\u00ea sabe (ou pensa que) sobre drogas. Entre essas cren\u00e7as, a vers\u00e3o de que o crack \u00e9 uma droga t\u00e3o poderosa que vicia na primeira dose. O autor mostra que o crack e a coca\u00edna em p\u00f3 s\u00e3o \u201cqualitativamente\u201d a mesma droga, portanto seus efeitos s\u00e3o os mesmos. Como prova, ele exp\u00f5e a estrutura qu\u00edmica do hidrocloreto de coca\u00edna (a droga em p\u00f3) e de sua pasta base (o crack), mostrando que s\u00e3o praticamente id\u00eanticas. \u201cBoa parte do que achamos que sabemos a respeito de drogas, v\u00edcio e escolhas poss\u00edveis est\u00e1 errada\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>O autor do livro \u00e9 o neurocientista Carl Hart, professor dos departamentos de Psicologia e Psiquiatria na Universidade de Columbia, Estados Unidos. A incomum carreira de Hart explica porque ele resolveu estudar as drogas ilegais e mostra o caminho percorrido at\u00e9 chegar \u00e0s conclus\u00f5es que contrariam o senso comum.<!--more--><\/p>\n<p>Negro, de fam\u00edlia pobre e problem\u00e1tica, Hart &#8211; que cultiva longas tran\u00e7as rastaf\u00e1ri &#8211; foi criado nos guetos de Miami: usou drogas, vendeu-as e cometeu v\u00e1rios outros delitos quando era adolescente. Foi salvo de destino parecido de amigos e parentes &#8211; pris\u00e3o ou morte &#8211; quando, recrutado pela Aeron\u00e1utica, resolveu estudar.<\/p>\n<p>Carl Hart mostra que o v\u00edcio na droga n\u00e3o pode ser explicada fora do contexto em que \u00e9 consumida e que s\u00e3o v\u00e1rios os fatos que levam \u00e0 depend\u00eancia, entre eles a pobreza e a exclus\u00e3o social. Atribuir todo \u201ccomportamento conden\u00e1vel\u201d ao uso de drogas \u00e9 um erro que leva ao aumento do preconceito contra negros e pobres, diz ele.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do senso comum, Hart n\u00e3o atribui \u00e0s drogas os problemas familiares ou da sociedade. Tomando a sua pr\u00f3pria vida como exemplo, ele diz que, antes mesmo da introdu\u00e7\u00e3o do crack, em seu bairro \u201cdiversas fam\u00edlias j\u00e1 eram dilaceradas pelo racismo institucionalizado, a pobreza e outras for\u00e7as\u201d. Valendo-se de pesquisa em jornais, ele mostra que a cada vez que uma nova droga \u00e9 introduzida no com\u00e9rcio, a ela \u00e9 atribu\u00edda todos os males, de forma sensacionalista, com a ajuda da imprensa.<\/p>\n<p>Para ele, o uso da droga, mesmo que regularmente, n\u00e3o \u00e9, em si mesmo um dist\u00farbio: \u201cO h\u00e1bito de beber n\u00e3o \u00e9 um problema para a maioria das pessoas, o mesmo se aplica \u00e0s drogas ilegais\u201d. Ele somente considera \u201cv\u00edcio\u201d se o uso da droga interferir nas \u201cfun\u00e7\u00f5es vitais importantes\u201d, como o cuidado com os filhos, o trabalho e as rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas. Entre os 20 milh\u00f5es de americanos consumidores de droga, ele diz que o percentual de viciados fica entre 10% e 25%.<\/p>\n<p>O autor considera que o v\u00edcio, principalmente nas comunidades exclu\u00eddas &#8211; a maioria negras -, se d\u00e1 pelo fato de n\u00e3o existirem \u201cest\u00edmulos alternativos\u201d, como o cuidado familiar, educa\u00e7\u00e3o de qualidade e trabalho para os jovens. Carl Hart tamb\u00e9m decomp\u00f5e a figura do viciado como \u201cdoid\u00e3o\u201d disposto a qualquer coisa para conseguir mais uma dose. Em uma de suas experi\u00eancias (autorizadas) ele oferece &#8211; em seu laborat\u00f3rio &#8211; um cachimbo de crack a viciados e, depois da primeira dose, lhes pergunta se eles querem outra ou cinco d\u00f3lares em dinheiro. Muitos deles preferem o dinheiro derrubando o mito, segundo Hart, de que a primeira dose gera uma \u201c\u00e2nsia irrevers\u00edvel\u201d ou \u201csequestra a mente\u201d do viciado, impedindo que ele tome decis\u00f5es racionais.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Perigos<\/strong><br \/>\nPor \u00f3bvio, Carl Hart n\u00e3o faz apologia das drogas. Pelo contr\u00e1rio, ele pretende que seus estudos contribuam para se encontrar formas mais efetivas de prevenir os seus perigos.<\/p>\n<p><strong>Descrminaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nHart n\u00e3o \u00e9 nem mesmo favor\u00e1vel \u00e0 proposta liberal de legalizar as drogas. Ele sugere a descriminaliza\u00e7\u00e3o, como forma de livrar da cadeia jovens &#8211; a maioria negros &#8211; que t\u00eam suas vidas destru\u00eddas pela pris\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo<\/strong><br \/>\nNo pr\u00f3ximo domingo vou comentar outros aspectos do livro <em>Um pre\u00e7o muito alto<\/em>, do ponto de vista da promo\u00e7\u00e3o do autor por meio da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 23\/11\/2014. 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