{"id":1744,"date":"2009-08-05T05:01:34","date_gmt":"2009-08-05T10:01:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blog4.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=1744"},"modified":"2009-08-05T05:01:34","modified_gmt":"2009-08-05T10:01:34","slug":"graciliano-ramos-o-editor-de-guimaraes-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2009\/08\/05\/graciliano-ramos-o-editor-de-guimaraes-rosa\/","title":{"rendered":"Graciliano Ramos, o &#8220;editor&#8221; de Guimar\u00e3es Rosa"},"content":{"rendered":"<p>Por meio de um post\u00a0 <a href=\"http:\/\/twitter.com\/frednavarro\" target=\"_blank\">Fred Navarro<\/a>\u00a0no Twitter de\u00a0cheguei ao\u00a0texto &#8220;Os mestres da tesoura&#8221;, na revista <a href=\"http:\/\/bravonline.abril.com.br\/conteudo\/literatura\/mestres-tesoura-488751.shtml\" target=\"_blank\">Bravo!<\/a>\u00a0Os editores, como voc\u00eas sabem &#8211;\u00a0\u00e9 disso que trata o artigo &#8211; s\u00e3o sempre criticados por sua tarefa de cortar e ajeitar textos. O editor\u00a0\u00e9 um eterno incompreendido &#8211; muitas vezes xingado: censor!, o mais leve dos nomes.<\/p>\n<p>Pois nesse artigo de Mariana Delfini, os editores s\u00e3o louvados: os her\u00f3is que muitas vezes &#8220;salvam os textos dos autores&#8221;. Gostei; j\u00e1 passei pelo papel de editor [de jornal] e, muitas vezes, me vi em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil para mostrar a jovens jornalistas, dados a literatices, que jornal n\u00e3o \u00e9\u00a0de borracha\u00a0&#8211; e que os leitores t\u00eam direito a um texto claro, objetivo e, principalmente, compreens\u00edvel.<\/p>\n<p>Ler e divulgar o artigo da Bravo!,\u00a0portanto, uma pequena vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas esta postagem \u00e9 para\u00a0cumprir minha resposta a Fred Navarro, pois em resposta ao seu post no Twitter disse-lhe que buscaria um artigo de Graciliano Ramos em que este narra como, em um concurso liter\u00e1rio,\u00a0votou contra o livro de contos <em>Sagarana<\/em>, de ningu\u00e9m menos do que Guimar\u00e3es Rosa [que o assinava com o pseud\u00f4nomi Viator], por julg\u00e1-lo muito prolixo &#8211; um catatau de 500 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Tempos depois, Rosa publicaria o livro, e Graciliano comenta: &#8220;O volume de 500 p\u00e1ginas emagecreu bastante e muita consist\u00eancia ganhou em longa e paciente depura\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Vejam que interessante os artigos em que Graciliano narra o fato e fala do seu encontro com Guimar\u00e3es Rosa.<\/p>\n<p><strong>Conversa de bastidores<\/strong><br \/>\nGraciliano Ramos<br \/>\n[16\/maio\/1944]\n<p>Com o papel caro, o livro pela hora da morte, as tipografias abarrotadas, o livreiro se esconde, recusa de longe as ofertas de escritas que inundam o mercado. Pois sei de editor rigoroso que andou em busca de um literato in\u00e9dito, desconhecido, t\u00e3o desconhecido que at\u00e9 lhe ignor\u00e1vamos o nome.<\/p>\n<p>Talvez seja conveniente narrarmos este absurdo, pois o autor em quest\u00e3o, depois de longo sil\u00eancio e longas viagens, surgiu de repente, causando barulho em jornais e revistas. Acho-me em boa situa\u00e7\u00e3o para consider\u00e1-lo sem exageros e contar um sururu art\u00edstico sucedido h\u00e1 quase dez anos. Alguns leitores apreciam tais leviandades, em falta delas criam anedotas, supondo interessante a vida dos sujeitos que usam pena e tinta. Engano: \u00e9 chatice.<\/p>\n<p>Ora, em ma\u00e7ada horr\u00edvel, das piores, que sempre nos facultam como prova de considera\u00e7\u00e3o, respeito, etc., senti-me envolvido em 1938. Um concurso, precisamente o concurso Humberto de Campos, da livraria Jos\u00e9 Ol\u00edmpio. Pertenci ao j\u00fari. Que rem\u00e9dio? Ante o sorriso am\u00e1vel e assassino do negociante de papel impresso, aceitei o convite, amarelo, disposto a n\u00e3o ler nada, jogar o trabalho sobre o resto da comiss\u00e3o. \u00c9 o que pensamos ao tomar semelhantes incumb\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8211; Que influi o meu parecer? Confio no ju\u00edzo dos outros, voto com a maioria &#8211; e est\u00e1 acabado.<\/p>\n<p>No julgamento percebe-se que todos procederam do mesmo jeito e prorroga-se o neg\u00f3cio. Com certeza h\u00e1 nova dilata\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que algu\u00e9m resolva amolar-se.<\/p>\n<p>Pois nesse j\u00fari de 1938 aconteceu que cinco indiv\u00edduos, murchos com o golpe de 10 de novembro, indispostos ao elogio, enfastiados, decidiram ler mais de cinq\u00fcenta volumes. Podem imaginar como a tarefa se realiza. A gente folheia o tro\u00e7o, bocejando, fazendo caretas, admite enfim que a leitura \u00e9 desnecess\u00e1ria; solta-o, pega um papel, rabisca um t\u00edtulo, um pseud\u00f4nimo, um zero, \u00e0s vezes qualquer reflex\u00e3o en\u00e9rgica. E passa adiante. Alguma coisa razo\u00e1vel \u00e9 posta de lado e mais tarde se examina.<\/p>\n<p>Aborrecendo-me assim, abri um cartap\u00e1cio de quinhentas p\u00e1ginas grandes: uma d\u00fazia de contos enormes, assinados por certo Viator, que ningu\u00e9m presumia quem fosse. Em tais casos rogamos a Deus que o original n\u00e3o preste e nos poupe o dever de ir ao fim. N\u00e3o se deu isso: aquele era trabalho s\u00e9rio em demasia. Certamente de um m\u00e9dico mineiro, lembrava a origem: montanhoso, subia muito, descia &#8211; e os pontos elevados eram magn\u00edficos, os vales me desapontavam. Admirei um excelente feiti\u00e7o, a patifaria de Lalino Salatiel e, superior a tudo, uma figura not\u00e1vel, dessas que se conservam na mem\u00f3ria do leitor: seu Jo\u00e3ozinho Bemb\u00e9m. Por outro lado enjoei um doutor imposs\u00edvel, feito cavador de enxada, o namoro de um engenheiro com uma professorinha e passagens que me sugeriam propaganda de soro antiof\u00eddico.<\/p>\n<p>Houve discuss\u00e3o e briga. No dia do julgamento, eliminadas composi\u00e7\u00f5es menos s\u00f3lidas, ficamos horas no gabinete de Prudente de Morais, hesitando entre esse voluma desigual e outro, <em>Maria Perigosa<\/em>, que n\u00e3o se elevava nem ca\u00eda muito. Optei pelo segundo &#8211; e, em consequ\u00eancia, Marques Rab\u00ealo quis matar-me: gritou, espumou, fez um n\u00famero excessivo de piruetas ferozes. Defendi-me com tr\u00eas armas: o doutor, a professora, as inje\u00e7\u00f5es antiof\u00eddicas.<\/p>\n<p>&#8211; Ora, essa! Discutimos literatura de fic\u00e7\u00e3o. Deixemos em paz o Instituto de Butant\u00e3.<\/p>\n<p>Dias da Costa apoiou-me. Prudente de Morais sustentou Marques. E Peregrino J\u00fanior, transformado em fiel de balan\u00e7a, exigiu quarenta e oito horas para manifestar-se Escolheu <em>Maria Perigosa<\/em> &#8211; e assim Lu\u00eds Jardim obteve o pr\u00eamio Humberto de Campos em 1938.<\/p>\n<p>Viator desapareceu sem deixar vest\u00edgio. Desgostei-me: eu desejava sinceramente v\u00ea-lo crescer, talvez convencer-se de que me havia enganado preterindo-o. Afinal os julgamentos s\u00e3o prec\u00e1rios &#8211; e naquele t\u00ednhamos vacilado. Eu, pelo menos, vacilara. \u00c0s vezes assaltava-me vago remorso e perguntava a mim mesmo onde se teria escondido Viator. Em conversa com Jos\u00e9 Ol\u00edmpio, referi-me a ele. Se se cortasse alguns contos, publicar-se-ia um bom livro. E o meu amigo, com entusiasmo f\u00e1cil, logo se p\u00f4s em busca do escritor misterioso, chegou a sugerir-me um artigo, esp\u00e9cie de an\u00fancio. Todas as pesquisas foram in\u00fateis.<\/p>\n<p>Em fim de 1944, Idelfonso Falc\u00e3o, aqui de passagem, apresentou-me J. Guimar\u00e3es Rosa, secret\u00e1rio de embaixada, rec\u00e9m-chegado da Europa.<\/p>\n<p>&#8211; O senhor figurou num j\u00fari que julgou um livro meu em 1938.<br \/>\n&#8211; Como era o seu pseud\u00f4nimo?<br \/>\n&#8211; Viator.<br \/>\n&#8211; Ah! O senhor \u00e9 o m\u00e9dico mineiro que andei procurando.<\/p>\n<p>Idelfonso Falc\u00e3o ignorava que Rosa fosse m\u00e9dico, mineiro e literato. Fiz camaradagem r\u00e1pida com o secret\u00e1rio de embaixada.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe que votei contra o seu livro?<br \/>\n&#8211; Sei, respondeu-me sem nenhum ressentimento.<\/p>\n<p>Achando-me diante de uma intelig\u00eancia livre de mesquinhez, estendi-me sobre os defeitos que guardara na mem\u00f3ria. Rosa concordou comigo. Havia suprimido os contos mais fracos. E emendara os restantes, vagaroso, alheio aos futuros leitores e \u00e0 cr\u00edtica. Falei na inten\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Ol\u00edmpio, mas julgo que o meu novo companheiro j\u00e1 tinha compromisso.<\/p>\n<p>Vejo agora, relendo <em>Sagarana<\/em> (Editora Universal &#8211; Rio &#8211; 1946), que o volume de quinhentas p\u00e1ginas emagreceu bastante e muita consist\u00eancia ganhou em longa e paciente depura\u00e7\u00e3o. Eliminaram-se tr\u00eas hist\u00f3rias, capinaram-se diversas coisas nocivas. As partes boas se aperfei\u00e7oaram: <em>O burrinho pedr\u00eas<\/em>, <em>A volta do marido pr\u00f3digo<\/em>, <em>Duelo<\/em>, <em>Corpo Fechado<\/em>, sobretudo <em>Hora e vez de Augusto Matraga<\/em>, que me faz desejar ver Rosa dedicar-se ao romance. Achariam a\u00ed campo mais vasto as suas admir\u00e1veis qualidades: a vigil\u00e2ncia na observa\u00e7\u00e3o, que o leva a n\u00e3o desprezar min\u00facias na apar\u00eancia insignificantes, uma honestidade quase m\u00f3rbida ao reproduzir os fatos. J\u00e1 em 1938 eu havia atentado nesse rigor, indicara a Prudente de Morais numerosos versos para efeito onomatopaico intercalados na prosa. Vou reencontr\u00e1-los. L\u00e1 est\u00e3o, \u00e0 p\u00e1gina 25, fixando a marcha dos bois nos caminhos sertanejos, dois per\u00edodos (o primeiros feito de adjetivos aplic\u00e1veis ao gado) composto de pentass\u00edlabos: &#8220;Galhudos, gaiolos, estrelos, esp\u00e9cios, combucos, cubetos, lobunos, lompardos, caldeiros, sambraias, chamurros, churriados, corombos, coruetos bocaleos, borralhos, chumbados, chitados, vareiros, silveiros&#8230; E os toscos da testa do mocho macheado, e as rugas antigas do boi corual\u00e3o&#8230;&#8221; Notem que temos a\u00ed dez alitera\u00e7\u00f5es. O rumor dos cascos no ch\u00e3o duro se prolonga &#8211; e \u00e0 p\u00e1gina 26 ainda \u00e9 martelado em dezesseis versos de cinco s\u00edlabas: &#8220;As ancas balan\u00e7am, e as vagas de dorsos das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estratos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, quer\u00eancia dos pastos de l\u00e1 do sert\u00e3o&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Esse doloroso interesse de surpreender a realidade nos mais leves pormenores induz o autor a certa dissipa\u00e7\u00e3o naturalista &#8211; movimentar, por exemplo, uma boiada com vinte adjetivos mais ou menos desconhecidos do leitor, alargar-se talvez um pouco nas descri\u00e7\u00f5es. Se isto \u00e9 defeito, confesso que o defeito me agrada.<\/p>\n<p>A arte de Rosa \u00e9 terrivelmente dif\u00edcil. Esse antimodernista repele o improviso. Com imenso esfor\u00e7o escolhe palavras simples e nos d\u00e1 impress\u00e3o de vida numa nesga de caatinga, num gesto de caboclo, uma conversa cheia de prov\u00e9rbios matutos. O seu di\u00e1logo \u00e9 rebuscadamente natural: desdenha o recurso ing\u00eanuo de cortar <em>ss<\/em>, <em>ll<\/em> e <em>rr<\/em> finais, deturpar flex\u00f5es, e aproximar-se, tanto quanto poss\u00edvel, da l\u00edngua do interior.<\/p>\n<p>Devo acrescentar que Rosa \u00e9 um animalista not\u00e1vel: fervilham bichos no livro, n\u00e3o conven\u00e7\u00f5es de ap\u00f3logo, mas irracionais direitos, exibidos com peladuras, esparav\u00f5es e os necess\u00e1rios movimentos de orelhas e de rabos. Talvez o h\u00e1bito de examinar essas criaturas haja aconselhado o meu amigo a trabalhar com lentid\u00e3o bovina.<\/p>\n<p>Certamente ele far\u00e1 um romance, romance que n\u00e3o lerei, pois, se for come\u00e7ado agora, estar\u00e1 pronto em 1956, quando os meus ossos come\u00e7arem a esfarelar-se.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;<\/p>\n<p>O Mestre Gra\u00e7a\u00a0acerta na mosca &#8211;\u00a0exatamente em 1956 Guimar\u00e3es Rosa publica seu <em>Grande Sert\u00e3o: Veredas &#8211;<\/em>\u00a0um marco da literatura brasileira, que veio a lume tr\u00eas anos depois da morte de Graciliano, em 1953.<\/p>\n<p>Veja outro texto de Graciliano Ramos, provavelmente escrito em 1938, quando ele comenta o livro de Viator, sem saber que este era o pseud\u00f4nimo de Guimar\u00e3es Rosa.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Um livro in\u00e9dito<\/strong><br \/>\nGraciliano Ramos<\/p>\n<p>No concurso Humberto de Campos, institu\u00eddo pela livraria Jos\u00e9 Ol\u00edmpio, dois escritores chegaram juntos at\u00e9 o \u00faltimo escrut\u00ednio: o sr. Lu\u00eds Jardim, j\u00e1 obtentor de v\u00e1rios pr\u00eamios, e Viator, pseud\u00f4nimo dum desconhecido que se apresentou com um livro de quase quinhentas p\u00e1ginas datilografadas. Houve discuss\u00e3o, o j\u00fari excitou-se, afinal Viator perdeu por um voto. Perdeu, mas teve a prefer\u00eancia de Prudente de Morais, o que sempre vale alguma coisa. E quase chove pancada, argumento de peso nesta capital do futebol e do carnaval, onde os literatos se esquentam desesperadamente e a cr\u00edtica \u00e0s vezes deixa o jornal, entra nos becos, ataca fam\u00edlias respeit\u00e1veis e acaba em murros.<\/p>\n<p>Votei contra esse livro de Viator. Votei porque dois dos seus contos me pareceram bastante ordin\u00e1rios: a hist\u00f3ria dum m\u00e9dico morto na ro\u00e7a, reduzido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de trabalhador de eito, e o namoro mais ou menos idiota dum engenheiro com uma professora de grupo escolar. Esses dois contos e algumas p\u00e1ginas campanudas, entre elas uma que cheira a propaganda de soro antiof\u00eddico, me deram arrepio e me afastaram do vasto calhama\u00e7o de quinhentas p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Jardim embolsou o pr\u00eamio, figurou nas vitrinas, recebeu da cr\u00edtica umas amabilidades. E Viator n\u00e3o se manifestou, at\u00e9 hoje permanece em rigoroso inc\u00f3gnito: ignoramos se \u00e9 mo\u00e7o ou velho, em que se ocupa, a que ra\u00e7a pertence. Apenas imaginamos que \u00e9 m\u00e9dico e reside no interior, em Minas ou perto de Minas.<\/p>\n<p>Ora esse sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel. Em virtude da decis\u00e3o do j\u00fari, muita gente sup\u00f5e que o concorrente vencido seja um escritor de pequena valia. Injusti\u00e7a: apesar dos contos ruins e de v\u00e1rias passagens de mau gosto, esse desconhecido \u00e9 algu\u00e9m de muita for\u00e7a e n\u00e3o tem o direito de esconder-se. Prudente de Morais acha que ele fez alguns dos melhores contos que existem em l\u00edngua portuguesa. Nestes tempos de elogio barato opini\u00f5es semelhantes fervilham nos jornais e n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima import\u00e2ncia, mas Prudente desdenha os salamaleques e julga devagar. Hesitou entre os dois livros, afinal optou pelo que, tendo graves defeitos, encerra trabalhos como <em>Conversa de bois<\/em>, uma verdadeira maravilha.<\/p>\n<p>Tr\u00eas membros da comiss\u00e3o escolheram um livro que n\u00e3o sobe demais nem desce muito. Um deles, na v\u00e9spera do julgamento, aconselhou Jos\u00e9 Ol\u00edmpio a editar as duas obras, qualquer que fosse a premiada. Realmente a escolha era bem dif\u00edcil.<br \/>\nMas Viator n\u00e3o apareceu, o que devemos lastimar. Orgulho ou mod\u00e9stia? Parece que esse homem n\u00e3o se contenta com segundo lugar. Aqui, por\u00e9m, n\u00e3o se trata de subalternidade: dos seus contos uns s\u00e3o melhores, outros s\u00e3o piores que os do escritor pernambucano. Viator \u00e9 terrivelmente desigual: ou o namoro idiota da professorinha ou a morte do compadre Jo\u00e3ozinho Bembem, p\u00e1gina admir\u00e1vel.<\/p>\n<p>Vivem por a\u00ed a falar demais em literatura do Nordeste, literatura do Centro, literatura do Sul, num jogo de empurra cheio de picuinhas tolas. As hist\u00f3rias a que me refiro s\u00e3o do Brasil inteiro: por isso n\u00e3o podemos saber onde vive o autor, um sujeito que sabe o que diz e observou tudo muito direito.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que o livro de Viator seja publicado. O meu desejo \u00e9 que figurem no volume todos os contos, os bons e os maus. A publica\u00e7\u00e3o dos segundos justificava a opini\u00e3o de tr\u00eas membros do j\u00fari que funcionou no concurso Humberto de Campos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio de um post\u00a0 Fred Navarro\u00a0no Twitter de\u00a0cheguei ao\u00a0texto &#8220;Os mestres da tesoura&#8221;, na revista Bravo!\u00a0Os editores, como voc\u00eas sabem &#8211;\u00a0\u00e9 disso que trata&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[1029,1099,1123,2135],"class_list":["post-1744","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","tag-fred-navarro","tag-graciliano-ramos","tag-guimaraes-rosa","tag-sagarana"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1744"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1744\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}