{"id":17458,"date":"2014-11-30T01:11:39","date_gmt":"2014-11-30T04:11:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17458"},"modified":"2014-11-30T01:11:39","modified_gmt":"2014-11-30T04:11:39","slug":"tudo-o-que-voce-nao-queria-saber-sobre-preconceitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/11\/30\/tudo-o-que-voce-nao-queria-saber-sobre-preconceitos\/","title":{"rendered":"Tudo o que voc\u00ea n\u00e3o queria saber sobre preconceitos"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 30\/11\/2014 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_17459\" style=\"width: 319px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/Sem-t\u00edtulo1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17459\" class=\"size-full wp-image-17459 \" alt=\"Guabiras\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/Sem-t\u00edtulo1.jpg\" width=\"309\" height=\"513\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/Sem-t\u00edtulo1.jpg 309w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/Sem-t\u00edtulo1-300x498.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/11\/Sem-t\u00edtulo1-120x199.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17459\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Guabiras<\/p><\/div>\n<p><strong>Tudo o que voc\u00ea n\u00e3o queria saber sobre preconceitos<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Na semana passada no artigo com o t\u00edtulo <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/tudo-o-que-voce-nao-queria-saber-sobre-drogas\/\" target=\"_blank\">Tudo o que voc\u00ea n\u00e3o queria saber sobre drogas<\/a>, comentei o livro de Carl Hart, <em>Um pre\u00e7o muito alto<\/em>, no qual o neurocientista americano demole alguns mitos sobre as drogas e da imagem que se faz do consumidor eventual ou do \u201cviciado\u201d. Nesta coluna, volto a falar de outros aspectos da obra.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 interessante tamb\u00e9m por mostrar a trajet\u00f3ria do autor, um jovem negro e pobre, criado nos guetos de Miami, que se torna professor de uma das universidades mais importantes do mundo &#8211; Columbia &#8211; e respeitado pesquisador, cujos estudos est\u00e3o ajudando a redefinir a compreens\u00e3o sobre as drogas.<\/p>\n<p>Ele narra como a exclus\u00e3o, o preconceito de cor e a persegui\u00e7\u00e3o policial contra jovens negros marcou a sua vida e como, pela educa\u00e7\u00e3o, ele superou esses graves problemas. Hart defende a descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas, pois identifica na reclus\u00e3o o princ\u00edpio de um caminho que leva os jovens a crimes mais violentos, \u00e0 ru\u00edna de suas vidas e dos que lhes s\u00e3o pr\u00f3ximos &#8211; e, com muita frequ\u00eancia, \u00e0 morte.<\/p>\n<p>O que o levou a ter melhor sorte que seus \u201cbrothers\u201d foi o acesso ao ensino universit\u00e1rio. Em 1996, Hart foi o \u00fanico negro, em todo os Estados Unidos, a receber o t\u00edtulo de doutor em neuroci\u00eancias.<!--more--><\/p>\n<p>Ele diz que os jovens que cometem delitos, mas n\u00e3o s\u00e3o pegos pela pol\u00edcia, t\u00eam mais possibilidades de reconstru\u00edrem suas vidas &#8211; e se apresenta como exemplo. Apesar de cometer os mesmos crimes que os amigos, ele nunca foi apanhado pela pol\u00edcia. Por isso, p\u00f4de agarrar as oportunidades que surgiram, inclusive o alistamento na Aeron\u00e1utica, o primeiro passo para que deixasse as ruas, o que lhe seria negado se tivesse ficha policial.<\/p>\n<p>Hart n\u00e3o fica no exemplo pessoal; cita estudo canadense, realizado com 779 jovens de baixa renda de Montreal, acompanhados dos 10 aos 17 anos de idade. Os pesquisadores constataram que aqueles encarcerados na adolesc\u00eancia tinham 37 mais probabilidades de serem detidos quando adultos, comparados a outros, com crimes semelhantes, mas que n\u00e3o haviam sido apanhados pela pol\u00edcia. Para ele, isso prova que a segrega\u00e7\u00e3o dos jovens tende a agravar o comportamento criminal. Ele demonstra tamb\u00e9m que, nos Estados Unidos, os jovens negros t\u00eam mais do que o dobro de possibilidade de sofrer deten\u00e7\u00e3o do que os brancos. (No Brasil seria diferente?, talvez pior.)<\/p>\n<p>Hart identifica na \u201cguerra contra as drogas\u201d, na presid\u00eancia de George Bush, uma \u201cinvestida contra os negros\u201d, e lembra que as leis mais duras sobre o crack no per\u00edodo n\u00e3o levaram \u00e0 pris\u00e3o \u201cnem um s\u00f3 branco\u201d em Los Angeles, cidade com cerca de quatro milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Ao iniciar sua vida de estudante de n\u00edvel superior, Hart diz que sabia apenas se expressar na \u201clinguagem das ruas\u201d e precisou se esfor\u00e7ar para superar suas desvantagens, e adquirir o \u201ccapital cultural\u201d dos seus colegas brancos, \u201cdo tipo que \u00e9 acumulado nos Estados Unidos quando se cresce na classe m\u00e9dia ou alta\u201d. Foi o recrutamento para a Aeron\u00e1utica que come\u00e7ou a mudar a vida dele, pois lhe abriu as portas da educa\u00e7\u00e3o de n\u00edvel universit\u00e1rio &#8211; um novo mundo.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Mestres<\/strong><br \/>\nA import\u00e2ncia de um bom mestre \u00e9 confirmada por Carl Hart. Ele se mostra particularmente agradecido a dois orientadores, que viram a sua potencialidade, para al\u00e9m de suas aparentes defici\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Nas ruas&#8230;<\/strong><br \/>\nMesmo agradecido Hart n\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico com o mundo acad\u00eamico. Diz que a \u201cluta por status\u201d na academia \u00e9 pior do que vira nas ruas, com uma desvantagem para a universidade: no gueto \u201cas regras eram mais evidentes e mais f\u00e1ceis de seguir\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8230;e na academia<\/strong><br \/>\n\u201cNo mundo universit\u00e1rio, ningu\u00e9m dizia as coisas na sua frente, era tudo muito dissimulado (&#8230;) ou explicado como \u2018equ\u00edvoco\u2019 ou \u2018falha de comunica\u00e7\u00e3o\u2019\u201d. Qualquer semelhan\u00e7a com as universidades brasileiras&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 30\/11\/2014 do O POVO. 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