{"id":17626,"date":"2015-02-07T23:35:43","date_gmt":"2015-02-08T02:35:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17626"},"modified":"2015-02-07T23:35:43","modified_gmt":"2015-02-08T02:35:43","slug":"a-politica-flertando-com-o-abismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/02\/07\/a-politica-flertando-com-o-abismo\/","title":{"rendered":"A pol\u00edtica flertando com o abismo"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 8\/2\/2015 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/02\/cARLUS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-17627\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/02\/cARLUS.jpg\" width=\"339\" height=\"584\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/02\/cARLUS.jpg 339w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/02\/cARLUS-300x517.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/02\/cARLUS-120x207.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><\/a>A pol\u00edtica flertando com o abismo<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p><em>Bling Ring<\/em> \u00e9 um filme de 2013 que s\u00f3 fui ver agora, em um desses canais a cabo. A hist\u00f3ria (baseada em fatos) gira em torno de um bando de adolescentes da alta classe m\u00e9dia californiana, cujo vazio existencial \u00e9 preenchido pela tentativa de emular a vida de celebridades, t\u00e3o destitu\u00edda de sentido quanto a deles. A forma como eles escolhem para ter o mesmo que os famosos \u00e9 o que organiza a trama: os jovens criminosos passam a roubar as casas desses miliard\u00e1rios. E o que buscam os infratores juvenis? Roupas, sapatos, joias, perfumes, artigos de maquiagem, outros produtos de grife e dinheiro vivo, que as celebridades acumulam aos mont\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma das casas \u201cvisitadas\u201d pela quadrilha \u00e9 a da <em>socialite<\/em> Paris Hilton. \u00c9 chocante a vista do <em>closet<\/em> onde ela acumula seus sapatos: h\u00e1 centenas deles, todos de marcas famosas. Enquanto aqueles jovens queriam ter tudo aquilo que Paris possui (talvez algumas pessoas vendo o filme desejem o mesmo), a qualquer pessoa normal, a primeira centelha de pensamento deveria ser: \u201cComo esse mundo \u00e9 injusto\u201d. Pelo vislumbre &#8211; as filmagens usaram o cen\u00e1rio real &#8211; creio que Hilton, por baixo, poderia usar uns dois pares de sapatos diferentes por dia, por um ano, sem nunca repeti-los.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Luxo e mis\u00e9ria<\/strong><br \/>\nSegundo estudos recentes (Oxfam e do banco Credit Suisse Research), o 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o mundial abarca 50% da riqueza global, ficando 99% da popula\u00e7\u00e3o com o que sobra. (Entre esses privilegiados est\u00e3o os personagens do filme citado acima &#8211; ladr\u00f5es e v\u00edtimas.) Outro estudo da Oxfam, ONG que atua contra a pobreza, mostra que 85 bilion\u00e1rios no mundo det\u00e9m riqueza equivalente aos 3,5 bilh\u00f5es mais pobres da popula\u00e7\u00e3o global. Voc\u00ea leu certo: 3,5 BILH\u00d5ES de viventes precisam se somar para ter patrim\u00f4nio igual a de 85 pessoas. Outra conta mostra que no mundo h\u00e1 mais de um bilh\u00e3o de pessoas vivendo com menos de um d\u00f3lar por dia. Para a Oxfam, a crise de 2008, que lan\u00e7ou milh\u00f5es de pessoas ao desespero, contribuiu para aumentar o patrim\u00f4nio dos mais ricos.<\/p>\n<p><strong>\u201cMeritocracia\u201d<\/strong><br \/>\nEm seu livro <em>O capital no s\u00e9culo XXI<\/em>, Thomas Piketty desmonta a ideia da \u201cmeritocracia\u201d, que costuma justificar a disparidade de renda. Segundo palavras de Paul Krugman, a \u201cgrande ideia\u201d do livro \u00e9 que \u201cn\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a de que retornamos ao s\u00e9culo 19 em termos de desigualdade de renda, como a de que estamos no caminho de volta ao \u2018capitalismo patrimonial\u2019, no qual os grandes p\u00edncaros da economia s\u00e3o ocupados n\u00e3o por indiv\u00edduos talentosos mas por dinastias familiares\u201d. (Em suma, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9rito em estar em um lugar que se assume por heran\u00e7a).<\/p>\n<p><strong>Esquerda<\/strong><br \/>\nCoisas assim, entre outras, ajudam a explicar a vit\u00f3ria do Syriza, partido da esquerda radical, na Gr\u00e9cia. A mesma situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 impulsionando o Podemos na Espanha. Nos dois pa\u00edses, o arrocho para pagar as respectivas d\u00edvidas aos rentistas promoveu o desemprego de milh\u00f5es de trabalhadores, com corte de verbas p\u00fablicas, da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>Pelo jeito, as pessoas est\u00e3o cansando de levar cip\u00f3 de aroeira no lombo &#8211; e est\u00e3o dando o troco. Mas, ainda bem, est\u00e3o se manifestando pela via da pol\u00edtica, por meio de partidos atuando na \u00e1gora democr\u00e1tica. Por\u00e9m, situa\u00e7\u00f5es assim tendem a ser explosivas. E j\u00e1 passou da hora de as estruturas partid\u00e1rias tradicionais perceberem que vivemos em um cen\u00e1rio insustent\u00e1vel. (O que revela a opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e recente elei\u00e7\u00e3o para presid\u00eancia da C\u00e2mara e do Senado mostram que, no Brasil, a pol\u00edtica continua flertando com o abismo.)<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Syriza<\/strong><br \/>\nSyriza \u00e9 acr\u00f4nimo de Synaspism\u00f3s Rizospastik\u00eds Arister\u00e1s ou Partido da Esquerda Radical. Sua cria\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado direto da violenta crise que atinge a Gr\u00e9cia desde 2009.<\/p>\n<p><strong>Podemos<\/strong><br \/>\nO partido Podemos surgiu com as manifesta\u00e7\u00f5es de rua na Espanha, em 2011. Na sua primeira disputa, ano passado, elegeu cinco deputados, com 1,2 milh\u00e3o de votos. A expectativa \u00e9 que crescer\u00e1 ainda mais nas elei\u00e7\u00f5es gerais do fim do ano.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\nPaulo Krugman, Pr\u00eamio Nobel de Economia (2008), considera \u201cverdadeiramente soberbo\u201d <em>O capital no s\u00e9culo XXI<\/em>, livro de Thomas Piketty, afirmando que a obra \u201crevoluciona as ideias sobre desigualdade\u201d. O trecho citado no texto <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2014\/04\/1445830-livro-o-capital-no-seculo-21-revoluciona-ideias-sobre-desigualdade.shtml\" target=\"_blank\">est\u00e1 neste artigo<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 8\/2\/2015 do O POVO. 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