{"id":17722,"date":"2015-03-28T17:45:56","date_gmt":"2015-03-28T20:45:56","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17722"},"modified":"2015-03-28T17:45:56","modified_gmt":"2015-03-28T20:45:56","slug":"livro-sobre-a-suecia-diz-muito-sobre-politicos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/03\/28\/livro-sobre-a-suecia-diz-muito-sobre-politicos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Livro sobre a Su\u00e9cia diz muito sobre pol\u00edticos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de 29\/3\/2015, coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221; do O <strong>POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/03\/Carlus.1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-17720\" alt=\"Carlus.1\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/03\/Carlus.1.jpg\" width=\"374\" height=\"509\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/03\/Carlus.1.jpg 467w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/03\/Carlus.1-300x409.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/03\/Carlus.1-120x163.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><\/a>Livro sobre a Su\u00e9cia diz muito sobre pol\u00edticos brasileiros<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>\u00c9 um livro sobre a Su\u00e9cia, mas, ao l\u00ea-lo, ser\u00e1 imposs\u00edvel deixar de pensar no Brasil, a cada linha. <em>Um pa\u00eds sem excel\u00eancias e mordomias<\/em>, de Claudia Wallin, tra\u00e7a um roteiro do comportamento dos integrantes do Legislativo sueco, abordando tamb\u00e9m aspectos do Executivo e do Legislativo. O cidad\u00e3o brasileiro, que j\u00e1 v\u00ea como exagerados os privil\u00e9gios das \u201cautoridades\u201d brasileiras, vai ficar ainda mais assustado ao compar\u00e1-las com a vida espartana dos homens p\u00fablicos suecos.<\/p>\n<p>O \u201csem excel\u00eancias\u201d do livro refere-se ao fato de no pa\u00eds os pronomes formais terem sido abolidos na d\u00e9cada de 1960. Assim, a forma de tratamento a qualquer cidad\u00e3o, incluindo os parlamentares \u00e9 \u201cvoc\u00ea\u201d. (No Brasil poder-se-ia pelo menos eliminar o rid\u00edculo \u201cexcel\u00eancia\u201d, pois \u201csenhor\u201d j\u00e1 estaria de bom tamanho.)<!--more--><\/p>\n<p>O \u201csem mordomia\u201d remete ao fato que parlamentares, dirigentes executivos e ju\u00edzes (em qualquer inst\u00e2ncia), de fato, n\u00e3o as t\u00eam. O sal\u00e1rio m\u00e9dio de um deputado \u00e9 50% a mais do que recebe um professor prim\u00e1rio (mesmo assim muito suecos questionam o motivo de um parlamentar ganhar mais do que um professor). A prop\u00f3sito, nesse pa\u00eds n\u00f3rdico, os deputados n\u00e3o podem aumentar seus pr\u00f3prios sal\u00e1rios, o que \u00e9 feito por um comit\u00ea independente, cuja decis\u00e3o \u00e9 irrecorr\u00edvel.<\/p>\n<p>Deputado tamb\u00e9m n\u00e3o disp\u00f5em de carro oficial, nem secret\u00e1ria particular, nem assessores, nomeados por eles. Os servidores p\u00fablicos atendem indistintamente parlamentares dos v\u00e1rios partidos. Para ir ao trabalho, eles usam \u00f4nibus, trem ou bicicleta (A capa do livro mostra o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Carl Bildt, ex-primeiro ministro, indo para o trabalho de bicicleta, o que \u00e9 h\u00e1bito, n\u00e3o mera demonstra\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, um dos \u201cesc\u00e2ndalos\u201d da pol\u00edtica sueca (em 2011) foi o fato de a deputada Mikaela Valtersson (Partido Verde) ter usado t\u00e1xi para ir ao trabalho, em vez de pegar o trem. Virou manchete de jornal. Os suecos n\u00e3o admitiam que ela gastasse dinheiro p\u00fablico, 17 mil coroas, em seis meses (cerca de 2,6 d\u00f3lares) em t\u00e1xi, \u201capesar de morar perto de uma esta\u00e7\u00e3o de trem\u201d.<\/p>\n<p>Os apartamentos funcionais para os parlamentares, que moram fora de Estocolmo (capital), t\u00eam a m\u00e9dia 45,6 m\u00b2, o menor 16,6m\u00b2, equivalente a um ret\u00e2ngulo de 8 metros por 2 metros. A cozinha e a lavanderia s\u00e3o coletivas, e os parlamentares lavam a pr\u00f3pria roupa. Se algu\u00e9m morar com eles (mulher, marido) tem de pagar metade do valor estabelecido como aluguel. Os parlamentares tamb\u00e9m podem dispensar os apartamentos p\u00fablicos e alugar um \u201capartamento funcional\u201d de particulares, recebendo o valor correspondente. E aqui aconteceu outro \u201cesc\u00e2ndalo\u201d, tamb\u00e9m em 2011.<\/p>\n<p>O l\u00edder da social-democracia, Hakan Juholt, morava junto com a namorada em um apartamento funcional, o que foi descoberto por um jornal. A not\u00edcia informava que, desde 2007, ele vinha \u201crecebendo dinheiro dos contribuintes\u201d para a moradia, e dividia o apartamento com a companheira, sem que ela pagasse metade do aluguel. O caso foi investigado pela Ag\u00eancia Nacional Anticorrup\u00e7\u00e3o, e Hakan foi obrigado a devolver a metade do valor recebido indevidamente, 160 mil coroas suecas (cerca de 25 mil d\u00f3lares). Al\u00e9m disso, devido ao \u201cesc\u00e2ndalo\u201d, viu sua ascens\u00e3o pol\u00edtica ser interrompida.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Suprema Corte<\/strong><br \/>\nJu\u00edzes na Su\u00e9cia recebem entre 6,6 mil d\u00f3lares e 13,3 mil d\u00f3lares, sal\u00e1rio do magistrado da Suprema Corte. Sem nenhum outro benef\u00edcio: n\u00e3o t\u00eam carro oficial; v\u00e3o para o trabalho em ve\u00edculo pr\u00f3prio, de bicicleta ou no transporte p\u00fablico. N\u00e3o aceitam nenhum tipo de presente (mesmo de baixo valor), incluindo viagens e estadias em hot\u00e9is. Tamb\u00e9m n\u00e3o recebem \u201caux\u00edlio moradia\u201d, como no Brasil. (Um jurista entrevistado pela autora disse \u201cnunca ter ouvido falar\u201d de um juiz corrupto na Su\u00e9cia.)<\/p>\n<p><strong>Vereador sem sal\u00e1rio<\/strong><br \/>\nA \u00fanica autoridade na Su\u00e9cia que tem carro oficial \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro-ministro. Vereadores n\u00e3o recebem sal\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Livro<\/strong><br \/>\nO reparo que fa\u00e7o ao livro <em>Um pa\u00eds sem excel\u00eancias e mordomias<\/em>, da Gera\u00e7\u00e3o Editorial, com 343 p\u00e1ginas, \u00e9 que poderia ter a metade delas, sem perder nada importante. No mais seria interessante que autoridades p\u00fablicas brasileiras lessem o livro. Talvez ruborizassem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de 29\/3\/2015, coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221; do O POVO. 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