{"id":17739,"date":"2015-04-04T23:25:35","date_gmt":"2015-04-05T02:25:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17739"},"modified":"2015-04-04T23:25:35","modified_gmt":"2015-04-05T02:25:35","slug":"jesus-o-revolucionario-fracassado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/04\/04\/jesus-o-revolucionario-fracassado\/","title":{"rendered":"Jesus, o revolucion\u00e1rio fracassado"},"content":{"rendered":"<p>Texto publico no caderno DOM., edi\u00e7\u00e3o de 5\/4\/2015, do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_17740\" style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/04\/H\u00c9LIO-R\u00f4la.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17740\" class=\" wp-image-17740 \" alt=\"H\u00c9LIO R\u00d4LA\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/04\/H\u00c9LIO-R\u00f4la-625x492.jpg\" width=\"438\" height=\"344\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17740\" class=\"wp-caption-text\">H\u00c9LIO R\u00d4LA<\/p><\/div>\n<p><strong>Jesus, o revolucion\u00e1rio fracassado<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>O argumento central do livro <em>Zelota &#8211; A vida e a \u00e9poca de Jesus de Nazar\u00e9<\/em>, de Reza Aslan, gira em torno da descri\u00e7\u00e3o do per\u00edodo em que o nazareno vivia, para mostrar que ele era \u201co homem e suas circunst\u00e2ncias\u201d, fruto de determinado contexto hist\u00f3rico, filho de um povo que vivia sob o jugo romano.<\/p>\n<p>Um dos grupos mais radicais, surgido no s\u00e9culo I a.C., era o dos adeptos da chamada \u201cQuarta Filosofia\u201d, liderados por um \u201cprofessor carism\u00e1tico e revolucion\u00e1rio\u201d, conhecido como Judas, o Galileu. Era um grupo disposto a recorrer a m\u00e9todos violentos para confirmar a ades\u00e3o irrestrita \u00e0 Tor\u00e1 e \u00e0 Lei, mantendo firme a \u201crecusa em servir qualquer mestre estrangeiro\u201d ou \u201cmestre humano de maneira geral\u201d. Pregavam a obedi\u00eancia irrestrita \u00e0 soberania de Deus, e o zelo com seus ensinamentos, por isso \u201czelotas\u201d. Um grupo desse tipo era, ao mesmo tempo, inimigo de Roma e inconveniente para as autoridades judaicas.<!--more--><\/p>\n<p>Aslan tra\u00e7a o retrato de Jesus como um \u201crevolucion\u00e1rio fervoroso\u201d, na Palestina do s\u00e9culo I da era atual. Sobre ele, segundo Aslan, h\u00e1 somente dois fatos hist\u00f3rico seguros. O primeiro \u00e9 que Jesus foi um judeu que liderou um movimento popular contra Roma; o segundo \u00e9 que foi crucificado por isso. As demais passagens de sua vida prov\u00eam de fontes hist\u00f3ricas prec\u00e1rias, afirma o historiador.<\/p>\n<p>Aslan narra como fundamental para entender o Jesus hist\u00f3rico a ira que o toma, um dia ap\u00f3s sua entrada triunfal em Jerusal\u00e9m, quando expulsa os comerciantes do Templo: gritando, chutando a mesa dos vendedores, e libertando bois, ovelhas e pombos, que seriam vendidos para o sacrif\u00edcio. Jesus fez essa algazarra no p\u00e1tio p\u00fablico do Templo, lugar em que o com\u00e9rcio era permitido, desafiando Roma e as autoridades religiosas. \u201cUm ataque aos neg\u00f3cios do templo \u00e9 semelhante a um ataque \u00e0 nobreza sacerdotal, o que, considerando-se a rela\u00e7\u00e3o emaranhada [boa conviv\u00eancia] do Templo com Roma, equivalia a um ataque \u00e0 pr\u00f3pria Roma\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que entra a tese de Aslan, contrariando quase tudo o que se diz sobre Jesus, principalmente os fieis, de que pouco interessaria a ele as coisas deste mundo. Depois do escarc\u00e9u promovido por Jesus, as autoridades do Templo buscam um modo de apresent\u00e1-lo como um revolucion\u00e1rio zelota, de modo a intrig\u00e1-lo contra Roma. Aproximando-se dele, em p\u00fablico, perguntam os sacerdotes: \u201cMestre, \u00e9 l\u00edcito pagar o tributo a C\u00e9sar?\u201d Segundo Aslan saber se a lei de Mois\u00e9s permitia pagar tributos a Roma era a caracter\u00edstica distintiva dos zelotas. Portanto, o dilema que Jesus precisava resolver n\u00e3o era f\u00e1cil.<\/p>\n<p>\u201cMostrai-me um den\u00e1rio\u201d (a moeda romana), diz Jesus: \u201cDe quem \u00e9 essa imagem?\u201d<br \/>\n\u201c\u00c9 de C\u00e9sar\u201d, respondem as autoridades.<br \/>\n\u201cBem, ent\u00e3o devolvei a C\u00e9sar a propriedade que pertence a C\u00e9sar e devolvei a Deus a propriedade que pertence a Deus.\u201d<\/p>\n<p>Aslan diz ser \u201csurpreendente\u201d que at\u00e9 hoje essa passagem tenha sido interpretado como desinteresse de Jesus pela \u201ccoisas deste mundo\u201d. Para o autor, o debate era sobre a soberania de Deus sobre a terra (Palestina). Portanto, diz Aslan, o que Jesus fez foi dizer que C\u00e9sar deveria receber a moeda de volta, n\u00e3o como um tributo, mas porque a moeda era dele, com sua imagem estampada. Por decorr\u00eancia, Deus tinha o direito de receber de volta a terra que os romanos ocupavam.<\/p>\n<p>Para Aslan, Jesus foi crucificado por Roma justamente por querer implementar o reino de Deus na terra, reivindicando o manto de rei e de Messias, amea\u00e7ando a ocupa\u00e7\u00e3o romana na Palestina. Desse ponto de vista, segundo Aslan, Jesus foi derrotado, como seus antecessores, pois n\u00e3o conseguiu o seu intento. A hist\u00f3ria do Cristo ressuscitado, vitorioso, diz o historiador, foi constru\u00edda depois de sua morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto publico no caderno DOM., edi\u00e7\u00e3o de 5\/4\/2015, do O POVO. 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