{"id":17755,"date":"2015-04-11T16:51:28","date_gmt":"2015-04-11T19:51:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17755"},"modified":"2015-04-11T16:51:28","modified_gmt":"2015-04-11T19:51:28","slug":"os-homens-que-amavam-os-cachorros-e-a-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/04\/11\/os-homens-que-amavam-os-cachorros-e-a-revolucao\/","title":{"rendered":"Os homens que amavam os cachorros &#8211; e a revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 12\/4\/2015 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/04\/carlus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-17763\" alt=\"carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/04\/carlus.jpg\" width=\"451\" height=\"667\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/04\/carlus.jpg 451w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/04\/carlus-300x444.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/04\/carlus-120x177.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/a>Os homens que amavam os cachorros &#8211; e a revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>A admir\u00e1vel a trajet\u00f3ria de Leon Trotski, o l\u00edder da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, que rivalizava com L\u00eanin em elabora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e popularidade, est\u00e1 bem representada na mais completa biografia escrita sobre sobre ele, pelo polon\u00eas Isaac Deutscher. Na obra, Deutscher revela v\u00e1rias passagens impressionantes na vida de Trotski; uma delas, talvez por ins\u00f3lita, me ficou na mem\u00f3ria. Quando come\u00e7ou a ser defenestrado do partido Partido Comunista pelo seu maior inimigo, Joseph St\u00e1lin &#8211; que se transformaria no dirigente supremo da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica -, Trotski demostrava a sua contrariedade (e arrog\u00e2ncia) lendo romances franceses durante as reuni\u00f5es do Comit\u00ea Central, inst\u00e2ncia m\u00e1xima partid\u00e1ria.<!--more--><\/p>\n<p>O polon\u00eas Deustscher, apesar de simpatizante, exp\u00f4s as complexas contradi\u00e7\u00f5es do criador do Ex\u00e9rcito Vermelho na trilogia \u201cO profeta armado\u201d, \u201cO profeta desarmado\u201d e o \u201cProfeta banido\u201d, que d\u00e3o conta da trajet\u00f3ria de Trotski, desde o seu nascimento, at\u00e9 que Ram\u00f3n Mercader enterra-lhe uma picareta de alpinista na cabe\u00e7a, pondo fim \u00e0 sua vida, em 1940.<\/p>\n<p>Interessado na vida de Trotski, li v\u00e1rias coisas sobre ele, por\u00e9m, seu assassino sempre me parecia uma sombra. O pouco que sabia \u00e9 que era um espanhol, militante do Partido Comunista, e agente da pol\u00edcia secreta sovi\u00e9tica. No livro lan\u00e7ado h\u00e1 pouco no Brasil, \u201cO homem que amava os cachorros\u201d, do cubano Leonardo Padura, Mercader aparece de corpo inteiro, um sujeito bem mais complexo que uma simples m\u00e3o assassina a servi\u00e7o do Kremlin, ainda que tamb\u00e9m assim tenha sido. O livro \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, os personagens surgem com os nomes verdadeiros, e os fatos narrados s\u00e3o reais, e bem conhecidos, tendo gerado toneladas de pap\u00e9is impressos e discuss\u00f5es intermin\u00e1veis.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do \u00f3timo texto e da sacada liter\u00e1ria da narra\u00e7\u00e3o paralela das vidas de Trotski e Mercader em terceira pessoa &#8211; a cada vez o narrador adotando o ponto de vista do personagem em cena -, Padura oferece ainda uma vis\u00e3o da sufocante Cuba dos anos 1980 e dos padecimentos materiais da ilha caribenha, que se agravaram com a queda do Muro de Berlim. \u00c9 em Cuba que o narrador conhece Mercader, cuja aproxima\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por meio dos dois belos c\u00e3es borz\u00f3is que o espanhol leva a passear na praia. \u00c9 o interesse por cachorros -Trotski tamb\u00e9m os amava &#8211; que ajudar\u00e1 Mercader a se aproximar de sua v\u00edtima.<\/p>\n<p>Ram\u00f3n Mercader inicia a trajet\u00f3ria, que levaria a vida dele a cruzar tragicamente com a de Trotski, quando a sua tirana m\u00e3e &#8211; agente da pol\u00edcia secreta sovi\u00e9tica &#8211; vai busc\u00e1-lo nas trincheiras da guerra civil espanhola para iniciar o treinamento que o transformaria de homem interessado em contribuir para a cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cnova sociedade\u201d em assassino frio, com um \u00fanico prop\u00f3sito na vida: matar Leon Trostki, para o bem da revolu\u00e7\u00e3o comunista, conforme lhe enfiara na cabe\u00e7a a azeitada m\u00e1quina stalinista de moer mentes e gente.<\/p>\n<p>Nesse percurso, Ram\u00f3n Mercader, assumir\u00e1 a personalidade fict\u00edcia do belga Jacques Mornard, e de rom\u00e2ntico militante comunista vai se tornar um descrente, um c\u00ednico, que n\u00e3o acreditar\u00e1 em mais nada, passando a odiar o mundo e a si pr\u00f3prio. E, por fim, Mercader cumprir\u00e1 seu destino, n\u00e3o mais como sacrif\u00edcio em nome do proletariado mundial, mas como algu\u00e9m que precisa apenas se livrar de um fardo.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nome<\/strong><br \/>\nO nome real de Trotski \u00e9 grafado no livro \u201cO homem que amava os cachorros\u201d, como Liev Davidovitch Bronstein. Mas, devido \u00e0 translitera\u00e7\u00e3o do idioma russo tamb\u00e9m \u00e9 usado no Brasil \u201cLeon\u201d (mais comum) ou \u201cLev\u201d.<\/p>\n<p><strong>Orelha<\/strong><br \/>\nO livro, da editora Boitempo, tem 589 p\u00e1ginas de boa literatura. A orelha do livro avisa n\u00e3o ser necess\u00e1rio conhecer a vida de Trotski ou a hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa para gostar do livro. \u00c9 fato, mas conhecendo-se, pelo menos um pouco, aproveita-se melhor o livro.<\/p>\n<p><strong>Vidas<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m das duas vidas, o narrador conta tamb\u00e9m a sua, em Cuba, transformando o apartamento em ru\u00ednas em que mora em uma met\u00e1fora da ilha. Um dos aspectos mais tocantes \u00e9 quando conta a persegui\u00e7\u00e3o que move o regime castrista ao seu irm\u00e3o, estudante de medicina, obrigado a abandonar o curso quando descobrem sua homossexualidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 12\/4\/2015 do O POVO. 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