{"id":17884,"date":"2015-05-30T16:03:26","date_gmt":"2015-05-30T19:03:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17884"},"modified":"2015-05-30T16:03:26","modified_gmt":"2015-05-30T19:03:26","slug":"os-senhores-das-mas-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/05\/30\/os-senhores-das-mas-noticias\/","title":{"rendered":"Os senhores das m\u00e1s not\u00edcias"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 31\/5\/2015 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/05\/Carlus3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-17886\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/05\/Carlus3.jpg\" width=\"298\" height=\"602\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/05\/Carlus3.jpg 298w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/05\/Carlus3-120x242.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><\/a>Os senhores das m\u00e1s not\u00edcias<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Gay Talese, um dos papas do \u201cjornalismo liter\u00e1rio\u201d americano, no livro <em>Fama e anonimato<\/em> (Fame and obscurity, no original), tra\u00e7a o perfil de uma pl\u00eaiade de an\u00f4nimos e famosos, t\u00edpicos de Nova York. Um dos \u201ccontos de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o\u201d, como os anuncia a orelha do livro, \u00e9 \u201cSr. M\u00e1 Not\u00edcia\u201d, no qual Talese perfila Alden Whitman, que era o redator dos obitu\u00e1rios do jornal The New York Times.<\/p>\n<p>(Se o leitor n\u00e3o sabe, os grande jornais e ag\u00eancias de not\u00edcias costumam manter um arquivo com a biografia atualizada de pessoas que est\u00e3o pr\u00f3ximas &#8211; ou nem tanto, dependendo do caso &#8211; de prestar contas conta com o Todo Poderoso, de modo a ter o material pronto quando o sujeito \u201cpassar dessa para a melhor\u201d, ou pior.)<\/p>\n<p>Quando Talese, que tamb\u00e9m trabalhava no jornal, publicou a primeira edi\u00e7\u00e3o do livro (1960), o NYT tinha dois mil obitu\u00e1rios preparados com anteced\u00eancia, e o respons\u00e1vel por mant\u00ea-los atualizados era Whtiman, um sujeito que gostava do que fazia, dedicando-se com afinco ao mister por \u201cpuro prazer\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>\u201c(Alden) confessa que, depois de escrever um belo obitu\u00e1rio com a pessoa ainda viva, seu orgulho de redator \u00e9 t\u00e3o grande, que mal consegue esperar que a pessoa caia morta para poder ver sua obra-prima impressa\u201d, escreve Talese.<\/p>\n<p>Lembrei-me desse texto a prop\u00f3sito da participa\u00e7\u00e3o do jornalista Carlos Castilho na Entrevista Aberta, no Espa\u00e7o O POVO de Cultura &amp; Arte, ocorrida este m\u00eas. Castilho falou sobre a \u201cS\u00edndrome da not\u00edcia ruim\u201d, que acomete a imprensa brasileira, t\u00edtulo de um artigo publicado por ele no Observat\u00f3rio da Imprensa.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 &#8220;avalancha&#8221; de informa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas pessimistas e \u00e0 rotina de not\u00edcias sobres crimes, Castilho alerta:<\/p>\n<p>&#8220;O que se nota atualmente \u00e9 que uma parcela consider\u00e1vel do p\u00fablico come\u00e7a a descrer do que a imprensa publica por associar as not\u00edcias ruins a uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. A outra parte da clientela de jornais, revistas, telejornais e redes sociais vincula-se a esses ve\u00edculos n\u00e3o por sua miss\u00e3o informativa, mas porque oferecem abrigo e conforto para posicionamentos ideol\u00f3gicos. Ambos os casos deveriam preocupar os executivos da ind\u00fastria jornal\u00edstica porque eles n\u00e3o garantem a sustentabilidade futura das empresas que dirigem&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o se trata de olhar o mundo \u201ccom lentes cor-de-rosa\u201d, como adverte o pr\u00f3prio Castilho, mas de lembrar que a realidade \u00e9 mais ampla, mais diversificada e mais complexa, nela existindo, por \u00f3bvio, coisas boas e m\u00e1s &#8211; e, entre os dois extremos, uma grada\u00e7\u00e3o infinita. Portanto, os meios de comunica\u00e7\u00e3o deveriam ter a preocupa\u00e7\u00e3o em equilibrar um pouco mais as coisas, libertando-se da simplifica\u00e7\u00e3o, que transforma tudo em uma luta do bem contra o mal.<\/p>\n<p>Mas o que tem a ver o trecho do livro de Talese, citado acima, com a s\u00edndrome brasileira? \u00c9 que, veja voc\u00ea, caro leitor, vivemos em uma \u00e9poca em em que algumas publica\u00e7\u00f5es e colunistas levam a obsess\u00e3o pela not\u00edcia ruim (em rela\u00e7\u00e3o a determinados temas) a tal limite, que a verdade passou a ser mero detalhe; isto \u00e9, eles escrevem uma pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o ou despejam os seus preconceitos no papel impresso, no \u00e9cran dos computadores, ou os lan\u00e7am nas ondas do r\u00e1dio ou da TV e, como Alden &#8211; que torcia pela morte de seus personagens para ver impressa a sua \u201cobra-prima\u201d -, esses \u201cjornalistas\u201d ficam esperando que a realidade autentique seus desejos. Se isso n\u00e3o acontecer, pior para a realidade.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>No mundo<\/strong><br \/>\nApesar de suas peculiaridades, a \u201cs\u00edndrome da not\u00edcia ruim\u201d n\u00e3o \u00e9 exclusividade brasileira. Pesquisa do Departamento da Ci\u00eancia da UFMG analisou 69.907 manchetes de quatro ve\u00edculos online, em 2014 &#8211; The New York Times, BBC, Reuters e Daily Mail. Foi constatado que cerca de 70% das not\u00edcias di\u00e1rias est\u00e3o relacionadas a fatos que geram sentimentos negativos, como cat\u00e1strofes, doen\u00e7as, crimes e crises. <a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1902\/5.shtml\" target=\"_blank\"><strong>Veja aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Corrigindo 1<\/strong><br \/>\nNo artigo da semana passada, cravei que os bancos ficariam fora do ajuste fiscal (entreguei o texto antes do an\u00fancio oficial), mas eles levaram uma beliscada. A Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) passou de 15% para 20%. Por\u00e9m, nada muda na ess\u00eancia do que escrevi, mesmo porque &#8211; prepare-se &#8211; os clientes ser\u00e3o chamados a pagar a conta.<\/p>\n<p><strong>Corrigindo 2<\/strong><br \/>\nDo publicit\u00e1rio Ricardo Alc\u00e2ntara recebi mensagem a respeito da frase que citei de Bertolt Brecht, como \u201cMelhor do que roubar um banco \u00e9 fundar um\u201d. Conhecedor da obra do dramaturgo e poeta alem\u00e3o, Ricardo corrigiu, lembrando que o dito est\u00e1 em um dos poemas de Brecht: &#8220;Qual crime \u00e9 maior:\/ fundar um banco\/ ou assaltar um banco?&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 31\/5\/2015 do O POVO. 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