{"id":17942,"date":"2015-07-25T16:01:21","date_gmt":"2015-07-25T19:01:21","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17942"},"modified":"2015-07-25T16:01:21","modified_gmt":"2015-07-25T19:01:21","slug":"as-filha-dos-traficante-e-o-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/07\/25\/as-filha-dos-traficante-e-o-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente\/","title":{"rendered":"As filhas do traficante e o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 26\/7\/2015<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/07\/Carlus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-17954\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/07\/Carlus.jpg\" width=\"340\" height=\"442\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/07\/Carlus.jpg 340w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/07\/Carlus-300x390.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/07\/Carlus-120x156.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/a>As filhas do traficante e o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAinda pouco popular no Brasil e caracterizado por ser uma misto de t\u00eanis e v\u00f4lei de praia jogado com uma peteca e uma raquete, o badminton tem sua origem indefinida, mas a modalidade que se conhece hoje teve in\u00edcio na \u00cdndia. Nascido sob o nome de poona, o esporte ganhou for\u00e7a quando, ainda no s\u00e9culo 19, oficiais brit\u00e2nicos em miss\u00f5es na \u00cdndia, ap\u00f3s terem entrado em contato com o poona e gostado da pr\u00e1tica, resolveram levar o esporte para a Europa.\u201d<\/p>\n<p>Pouco afeito a esportes, n\u00e3o tinha a m\u00ednima ideia do que seria \u201cbadminton\u201d, jogo no qual o Brasil destacou-se nos jogos Pan-Americanos, com duas medalhas de prata, uma delas garantida pela dupla de irm\u00e3s, Lohaynny (19 anos) e Luana Vicente (21 anos). As duas levaram o Brasil pela primeira vez ao p\u00f3dio em Jogos Pan-Americanos na modalidade feminina do esporte. Resolvi pesquisar para saber que tipo de jogo era esse, quando li a hist\u00f3ria de Lohanny e Luana, criadas em favelas do Rio de Janeiro, e sobre dificuldades que encontraram at\u00e9 subir no p\u00f3dio, em Toronto, no Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Filhas de um traficante que mandava no Chapad\u00e3o, favela da zona norte do Rio de Janeiro, as meninas, acostumaram-se a acordar em meio a tiroteios e a uma vida n\u00f4made: em um ano, trocaram de casa 15 vezes, acompanhando as fugas do pai.<!--more--><\/p>\n<p>Quando Luana tinha oito anos, o pai foi morto em um confronto com a pol\u00edcia. A m\u00e3e pegou as crian\u00e7as e mudou-se para outra favela, a Chacrinha, onde conheceu um novo companheiro, e as meninas aproximaram-se do projeto Miratus, entidade criada por Sebasti\u00e3o Dias de Oliveira, que ensinava a modalidade esportiva a jovens da favela. Funcion\u00e1rio p\u00fablico na \u00e9poca (1998), Sebasti\u00e3o era egresso da Funabem, entidade predecessora da Febem, funda\u00e7\u00f5es criadas para cuidar do \u201cbem estar\u201d do menor, isto \u00e9, locais de interna\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as pobres.<\/p>\n<p>\u201cEu acho que o badminton foi a porta, a nossa \u00fanica chance, eu n\u00e3o sei o que seria da gente se n\u00e3o fosse o badminton (&#8230;) Eu me sinto uma vitoriosa, se n\u00e3o fosse pelo badminton, eu n\u00e3o seria o que sou\u201d, disse Luana em uma de suas entrevistas.<\/p>\n<p>No entanto, pela hist\u00f3ria delas, n\u00e3o seria dif\u00edcil ver qual seria o \u201clado B\u201d da vida das irm\u00e3s se elas, em vez de encontrarem o esporte, tivessem topado com as alternativas nocivas mais comuns no mundo em que elas cresceram, como aquele seguida pelo pai.<\/p>\n<p>Se assim fosse, se tivessem trilhado o caminho para o qual milhares de crian\u00e7as pobres s\u00e3o empurradas &#8211; gra\u00e7as a todos os deuses que assim n\u00e3o foi &#8211; muita gente que hoje aplaude as irm\u00e3s talvez estivesse pedindo penas mais duras para elas e maldizendo o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n<p>Um documento vilipendiado e pouco conhecido. A maioria dos que atacam o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente nunca o leu. Se o lessem, em vez de estarem vociferando contra o estatuto, talvez estivessem pedindo que fosse cumprido na \u00edntegra. Se isso fosse feito, isto \u00e9, se todas cl\u00e1usulas do estatuto fossem respeitadas, talvez v\u00edssemos surgir mais Lohaynnys e mais Luanas, em todas as \u00e1reas do esporte e do conhecimento humano.<\/p>\n<p>O que posso sugerir ao leitor \u00e9 que leia o documento e fa\u00e7a uma an\u00e1lise do que ali est\u00e1 inscrito. Creio que, pelo menos um, h\u00e1 de mudar de opini\u00e3o e, em vez de exigir a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, passar\u00e1 a defender que o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente seja aplicado em sua \u00edntegra.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Clarear<\/strong><br \/>\nEm entrevista, em 2011, ao portal do <a href=\"http:\/\/www.esporte.gov.br\/index.php\/multimidia\/118-lista-radio-esporte\/44955-projeto-de-badminton-atende-a-jovens-da-favela-da-chacrinha-no-rio-por-meio-da-lei-de-incentivo\" target=\"_blank\">Minist\u00e9rio do Esporte<\/a>, que passou a apoiar o projeto Miratus, Sebasti\u00e3o Dias de Oliveira disse que o seu objetivo era \u201cclarear o caminho dos jovens para que n\u00e3o tropecem e consigam enxergar os obst\u00e1culos nos seus caminhos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cidad\u00e3os<\/strong><br \/>\n\u201cQuero formar cidad\u00e3os\u201d, disse ele em outra <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/esporte\/fk0307200529.htm\" target=\"_blank\">entrevista<\/a>, em 2005. Mas j\u00e1 previa que surgiriam resultados esportivos, fruto de seu treinamento: \u201cN\u00e3o custa viajar (nos sonhos)\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/globoesporte.globo.com\/jogos-pan-americanos\/noticia\/2015\/07\/pai-no-trafico-e-fugas-de-casa-irmas-do-badminton-lembram-infancia-no-morro.html\" target=\"_blank\">Globo Esporte<\/a>, de onde compilei hist\u00f3rias das irm\u00e3s; <a href=\"http:\/\/www.brasil2016.gov.br\/pt-br\/olimpiadas\/modalidades\/badminton\" target=\"_blank\">defini\u00e7\u00e3o de badminton<\/a>, \u00a0no portal oficial do governo federal sobre jogos ol\u00edmpicos; <a href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/documentos-e-pesquisa\/publicacoes\/edicoes\/paginas-individuais-dos-livros\/estatuto-da-crianca-e-do-adolescente\" target=\"_blank\">Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente<\/a>; Facebook de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sebastiao.d.deoliveira\" target=\"_blank\">Sebasti\u00e3o Dias de Oliveira<\/a>, criador do projeto Badminton.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 26\/7\/2015 As filhas do traficante e o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[1517],"class_list":["post-17942","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo-o-povo","tag-menu-politico"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17942"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17942\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}