{"id":17959,"date":"2015-08-02T10:00:17","date_gmt":"2015-08-02T13:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=17959"},"modified":"2015-08-02T10:00:17","modified_gmt":"2015-08-02T13:00:17","slug":"como-ir-longe-devagar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/08\/02\/como-ir-longe-devagar\/","title":{"rendered":"Como ir longe, devagar"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 2\/8\/2015 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/08\/Carlus1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-17976\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/08\/Carlus1.jpg\" width=\"294\" height=\"552\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/08\/Carlus1.jpg 420w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/08\/Carlus1-300x564.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/08\/Carlus1-120x225.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 294px) 100vw, 294px\" \/><\/a>Como ir longe, devagar<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>\u201cEstilo de vida slow &#8211; Para desacelerar\u201d, mat\u00e9ria publicada no domingo passado neste jornal, assinada pela jornalista Raphaelle Batista, lembrou-me um livro que lera h\u00e1 anos, e que busquei na estante para record\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A reportagem de Raphaelle aborda alguns aspectos do movimento \u201cSlow\u201d (devagar), principalmente a rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3es [os pais ficaram de fora : )], que est\u00e3o se reeducando para ter uma vida mais equilibrada e para dedicar mais tempo e aten\u00e7\u00e3o aos filhos.<\/p>\n<p>Pois bem, o livro que me veio \u00e0 mem\u00f3ria come\u00e7a justamente com um pai atarefado &#8211; jornalista, com as horas lhe faltando para dar conta de todos os compromissos -, lendo um jornal enquanto espera, impaciente, na fila de embarque no aeroporto de Roma. Ele depara, ent\u00e3o, com uma not\u00edcia que lhe parece uma oportunidade inacredit\u00e1vel para \u201cganhar\u201d mais tempo em sua faina, que costuma avan\u00e7ar pela noite.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo da not\u00edcia \u00e9 o seguinte: \u201cA hist\u00f3ria para fazer dormir em um minuto\u201d, dando conta de uma cole\u00e7\u00e3o em que os autores condensaram os cl\u00e1ssicos contos de fada em 60 segundos. \u201cEureca!\u201d, exclama em pensamento o nosso jornalista, imaginando que n\u00e3o precisaria mais \u201cperder\u201d tempo contando longas hist\u00f3rias para fazer o filho dormir: a fatura agora poderia ser liquidada sem demora.<!--more--><\/p>\n<p>Por\u00e9m, o pensamento absurdo de se livrar rapidamente do filho, o leva \u00e0 reflex\u00e3o: teria ficado maluco? Passa a vida em revista e v\u00ea que ela se transformara \u201cem uma corrida de obst\u00e1culos, para conseguir encaixar sempre mais e mais coisas a cada hora do dia\u201d. Teve a certeza de que adquirira a \u201cdoen\u00e7a do tempo\u201d, tendo adotado o \u201cculto \u00e0 velocidade\u201d, aquela sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso \u201cpedalar cada vez mais r\u00e1pido\u201d para n\u00e3o cair da bicicleta.<\/p>\n<p>Foi a partir desse acontecimento que Carl Honor\u00e9 resolveu \u201cinvestigar o pre\u00e7o da pressa e as perspectivas de um abrandamento do ritmo, num mundo obcecado com a ideia de andar cada vez mais r\u00e1pido\u201d. As suas andan\u00e7as atr\u00e1s dessas hist\u00f3rias resultaram no livro <em>Devagar &#8211; Como um movimento mundial est\u00e1 desafiando o culto da velocidade<\/em> (2005). Em ingl\u00eas, \u201cIn praise of slow\u201d, algo como \u201celogio da lentid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No livro, em cada cap\u00edtulo, ele visita pessoas e movimentos que adotam e divulgam o estilo de vida \u201cDevagar\u201d. Passando pela mesa, o \u201cslow food\u201d; cidades que lutam para manter aspectos tradicionais da vida cotidiana; m\u00e9dicos que exercitam a intera\u00e7\u00e3o com os pacientes; pessoas que buscam reduzir o ritmo de trabalho; pais que procuram criar os filhos \u201csem pressa\u201d, e sem impor-lhe uma agenda como se fossem pequenos executivos. E tamb\u00e9m fala do sexo Devagar.<\/p>\n<p>Como sei que esse \u00e9 um assunto que chama a aten\u00e7\u00e3o e esta coluna est\u00e1 precisando de audi\u00eancia. Vou dar uma palinha do cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>O movimento Sexo Devagar surgiu na It\u00e1lia e seu fundador, Alberto Vitale, pretende resgatar o ato sexual da \u201cvelocidade alucinante do nosso mundo louco e vulgar\u201d. Segundo o livro, Vitale desenvolve uma cruzada contra a \u201ctrepada r\u00e1pida\u201d e percorre cidades dando palestras sobre as alegrias do sexo Devagar.<\/p>\n<p>Por sua vez, numa esp\u00e9cie de \u201centrei na hist\u00f3ria\u201d Honor\u00e9 matricula-se com a mulher em um curso de sexo t\u00e2ntrico para aprender desde a \u201csexualidade vagarosa e amorosa\u201d, at\u00e9 exerc\u00edcios para o fortalecer o \u201cpubococc\u00edgeo, o feixe de m\u00fasculos que vai do osso p\u00fabico ao c\u00f3ccix\u201d, que a professora chama de \u201cm\u00fasculos do amor\u201d.<\/p>\n<p>(Quem quiser saber mais, n\u00e3o somente sobre sexo Devagar, mas sobre o movimento de maneira geral, pode tentar encontrar o livro.)<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cear\u00e1<\/strong><br \/>\nCarl Honor\u00e9 \u00e9 escoc\u00eas, vive em Londres, e tem rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com o Cear\u00e1. Na d\u00e9cada de 1990, morou em Pacoti, como parte de um programa de interc\u00e2mbio; e em Fortaleza, atuando na ONG Terre des Hommes.<\/p>\n<p><strong>O r\u00e1pido come o lento<\/strong><br \/>\nNo livro, Honor\u00e9 lembra uma frase de Klaus Schwab, criador do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial: \u201cEstamos passando de um tempo em que o grande come o pequeno para outro em que o r\u00e1pido come o lento\u201d.<\/p>\n<p><strong>Idolatria<\/strong><br \/>\nHonor\u00e9 adverte que n\u00e3o est\u00e1 em guerra contra velocidade, que, segundo ele, ajudou a modificar o mundo de maneira \u201clibertadora\u201d. Por\u00e9m, quer que seu livro seja visto como um libelo contra a \u201cidolatria\u201d da velocidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 2\/8\/2015 do O POVO. 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