{"id":18131,"date":"2015-10-17T16:01:11","date_gmt":"2015-10-17T19:01:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18131"},"modified":"2015-10-17T16:01:11","modified_gmt":"2015-10-17T19:01:11","slug":"a-historia-essa-velha-senhora-ensina-alguma-coisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/10\/17\/a-historia-essa-velha-senhora-ensina-alguma-coisa\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria, essa velha senhora, ensina alguma coisa?"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 18\/10\/2015 do O POVO.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-18145\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus2.jpg\" width=\"316\" height=\"523\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus2.jpg 316w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus2-300x497.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus2-120x199.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 316px) 100vw, 316px\" \/><\/a>A hist\u00f3ria, essa velha senhora, ensina alguma coisa?<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>O argumento mais comum para defender a import\u00e2ncia de recuperar fatos do passado &#8211; como os documentos da ditadura brasileira, por exemplo &#8211; \u00e9 um suposto \u201caprendizado\u201d que isso traria para as novas gera\u00e7\u00f5es: e para as antigas, que desconhecem mais amplamente o assunto. Sup\u00f5e-se, portanto, ser poss\u00edvel \u201caprender com a hist\u00f3ria\u201d, e que isso evitaria o cometimento dos mesmos erros.<\/p>\n<p>Conversando dia desses com uma amiga do jornal, disse-lhe que duvidava desse qualidade professoral atribu\u00edda \u00e0 hist\u00f3ria. Ela sorriu, n\u00e3o sei se por concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia, mas passou a exagerar quando o assunto volta \u00e0 baila: \u201cO Pl\u00ednio diz que ningu\u00e9m aprende\u00a0<strong>nada<\/strong> com a hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>O primeiro problema nesse \u201caprender com a hist\u00f3ria\u201d \u00e9 que seria necess\u00e1rio obter amplo acordo para definir o que \u00e9 \u201ccerto\u201d e o que \u00e9 \u201cerrado\u201d, pois, nessa vis\u00e3o, o aprendizado servira para se evitar os equ\u00edvocos dantes cometidos.<!--more--><\/p>\n<p>E da\u00ed vem a minha primeira implic\u00e2ncia, pois se sup\u00f5e que, conhecendo o \u201cmal\u201d, os indecisos e os ignorantes seriam iluminados aderindo ao \u201cbem\u201d. Por\u00e9m, infelizmente, at\u00e9 o mal absoluto &#8211; o nazismo, por exemplo &#8211; encontra defensores. No Brasil, n\u00e3o estamos vendo gente nas ruas exigindo a volta da ditadura e lamentando que os d\u00e9spotas n\u00e3o tenham dado cabo de todos os opositores do regime militar? Acreditar que gente dessa qualidade &#8211; por mais que conhe\u00e7a a hist\u00f3ria e seus horrores -, v\u00e1 aderir ao lema \u201cpaz e amor\u201d ou \u00e0 democracia, \u00e9 acreditar em conto de fadas.<\/p>\n<p>(Esperar que a hist\u00f3ria ensine alguma coisa a algu\u00e9m equivale ao pai que acha que pode passar, por osmose, a sua \u201cexperi\u00eancia\u201d aos filhos. Cada gera\u00e7\u00e3o tem a sua pr\u00f3pria forma de ver as coisa, normalmente em confronto com a anterior. Se isso \u00e9 bom ou ruim, a conferir. A gera\u00e7\u00e3o <em>yuppie<\/em>, por exemplo, foi filha da gera\u00e7\u00e3o anterior, os <em>hippies<\/em>, com valores absolutamente confrontantes.)<\/p>\n<p>Essa reflex\u00f5es me vieram a prop\u00f3sito de not\u00edcias que li a respeito de um filme alem\u00e3o <em>Look who\u00b4s back<\/em> (\u201cOlhe quem est\u00e1 de volta\u201d), adapta\u00e7\u00e3o de um romance sat\u00edrico de Timur Vernes, que vendeu mais de um milh\u00e3o de exemplares na Alemanha. No livro, Hitler acorda nos tempos atuais, torna-se celebridade e volta \u00e0 pol\u00edtica. Vernes disse ter escrito a obra para criticar o que ele classifica como complac\u00eancia dos alem\u00e3es com o nazismo.<\/p>\n<p>E essa \u201ccomplac\u00eancia\u201d parece ter sido verificada pelo ator Oliver Masucci, que representa o papel principal na pel\u00edcula. Vestido como o personagem, ele viajou por quatro semanas pelo pa\u00eds, \u201csorrindo aos cidad\u00e3os e afagando seus bichos de estima\u00e7\u00e3o\u201d. Ele disse ter ficado \u201cchocado\u201d com a calorosa recep\u00e7\u00e3o que recebeu de muita gente.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas se esqueceram rapidamente que as c\u00e2meras estavam rodando e come\u00e7aram a falar com o homem (o suposto Hitler), a se abrirem para ele\u201d disse Masucci. O ator ouviu cr\u00edticas a estrangeiros, foi alvo da sauda\u00e7\u00e3o nazista, e muita gente assumia postura militar \u00e0 sua passagem. O diretor do filme, David Wnendt, admirou-se: \u201cComo pode ser que tantas pessoas aceitem e reajam positivamente a Hitler?\u201d<\/p>\n<p>E isso tudo, apesar dos esfor\u00e7os dos governos alem\u00e3es, ap\u00f3s a Segunda Guerra, para extinguir qualquer tra\u00e7o da ideologia nazista na Alemanha.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: as pessoas aprendem alguma coisa com essa velha senhora, chamada hist\u00f3ria? E se aprendem, aprendem o qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Hippies e yuppies<\/strong><br \/>\nOs yuppies, derivado do acr\u00f4nimo YUP (jovem profissional urbano, em ingl\u00eas) caracteriza um segmento da gera\u00e7\u00e3o de jovens dos anos 1980: individualistas, conservadores e apegados a bens materiais &#8211; o oposto de gera\u00e7\u00e3o precedente, os hippies.<\/p>\n<p><strong>Alemanha<\/strong><br \/>\nNo pa\u00eds onde medrou um dos maiores horrores do s\u00e9culo XX, o nazismo, aumenta o \u00f3dio a estrangeiros. Thomas Maizi\u00e8re, ministro do interior alem\u00e3o, se diz preocupado com o \u201cradical aumento de agress\u00f5es xen\u00f3fobas\u201d contra refugiados, que pedem asilo no pa\u00eds. Dois ter\u00e7os dos ataques s\u00e3o praticados por pessoas que, at\u00e9 o momento, n\u00e3o haviam cometido nenhum delito. Ou seja, \u00e9 o famoso \u201ccidad\u00e3o de bem\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\nA informa\u00e7\u00f5es a respeito do filme, citadas no texto colhi, na ag\u00eancia Reuters: <a href=\"http:\/\/br.reuters.com\/article\/entertainmentNews\/idBRKCN0S02W520151006\" target=\"_blank\">Alem\u00e3es recebem calorosamente ator que se faz passar por Hitler<\/a>; e na p\u00e1gina da Deutsche Welle: <a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt\/e-se-hitler-acordasse-nos-dias-de-hoje\/a-18767121\" target=\"_blank\">E se Hitler acordasse nos dias de hoje?<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 18\/10\/2015 do O POVO. A hist\u00f3ria, essa velha senhora, ensina alguma coisa? 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