{"id":18148,"date":"2015-10-24T16:01:00","date_gmt":"2015-10-24T19:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18148"},"modified":"2015-10-24T16:01:00","modified_gmt":"2015-10-24T19:01:00","slug":"jornalistas-sao-os-culpados-pela-epidemia-de-mas-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2015\/10\/24\/jornalistas-sao-os-culpados-pela-epidemia-de-mas-noticias\/","title":{"rendered":"Jornalistas s\u00e3o os culpados pela epidemia de m\u00e1s not\u00edcias?"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 25\/10\/2015, do O POVO.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-18158\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus3.jpg\" width=\"426\" height=\"684\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus3.jpg 426w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus3-300x482.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2015\/10\/Carlus3-120x193.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 426px) 100vw, 426px\" \/><\/a>Jornalistas s\u00e3o os culpados pela epidemia de m\u00e1s not\u00edcias?<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Recentemente escrevi uma coluna com o t\u00edtulo <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/a-historia-essa-velha-senhora-ensina-alguma-coisa\/\" target=\"_blank\"><strong>O que o leitor quer: not\u00edcias boas ou ruins?<\/strong><\/a> (11\/10\/2015), confrontando a exig\u00eancia por \u201cboas not\u00edcias\u201d com as pesquisas mostrando que viol\u00eancia, crimes, mortes e mexericos sobre \u201ccelebridades\u201d s\u00e3o os assuntos mais procurados nos jornais.<\/p>\n<p>No mesmo dia em que a coluna foi publicada, passeando por uma livraria vi o livro <em>Not\u00edcias &#8211; Manual do usu\u00e1rio, do escritor Alain de Botton<\/em>, chamado de \u201cfil\u00f3sofo pop\u201d, por abordar temas do cotidiano de maneira informal, sem jarg\u00f5es acad\u00eamicos. Botton nasceu na Su\u00ed\u00e7a e foi criado na Inglaterra, onde mora.<\/p>\n<p>Concordando com a tese de Hegel, Botton diz que \u201cna sociedade moderna, o notici\u00e1rio passou a desfrutar do prest\u00edgio que antes era das religi\u00f5es\u201d, mas que estas sempre tiveram em conta a incapacidade do p\u00fablico em \u201cfocalizar a aten\u00e7\u00e3o\u201d. Por isso, as religi\u00f5es oferecem, a cada dia, apenas \u201cuma pequena por\u00e7\u00e3o de seu card\u00e1pio\u201d, de modo a influenciar a maneira como as pessoas pensam e se comportam. Para os dois fil\u00f3sofos, o \u201cpop\u201d e o tradicional, no mundo moderno \u201co notici\u00e1rio passa a ocupar o lugar da religi\u00e3o como principal fonte de orienta\u00e7\u00e3o e como refer\u00eancia de autoridade\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o, por sua vez, com sua avalancha de informa\u00e7\u00f5es, carentes de \u201ccoordena\u00e7\u00e3o, destila\u00e7\u00e3o e curadoria\u201d, diz Botton, em vez de deixar a \u201cimpress\u00e3o de uma possibilidade pol\u00edtica, o contato com as not\u00edcias do dia pode nos causar uma sensa\u00e7\u00e3o de insignific\u00e2ncia em um universo mentalmente ca\u00f3tico e sem salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, existem duas maneiras de obter a passividade dos indiv\u00edduos: proibindo as informa\u00e7\u00f5es ou oferecendo-as excessivamente: \u201cUma enxurrada de not\u00edcias, e n\u00e3o a sua proibi\u00e7\u00e3o, seria suficiente para deixar o <em>status quo<\/em> inalterado para sempre\u201d. Segundo o escritor, \u00e9 este o caminho que est\u00e3o trilhando os meios de comunica\u00e7\u00e3o: quantidade em vez de qualidade.<\/p>\n<p>Mas a tese central defendida por Botton \u00e9 que a responsabilidade pela prefer\u00eancia dos leitores por m\u00e1s not\u00edcias \u00e9 dos jornalistas, que n\u00e3o conseguiriam escrever de modo atraente sobre os assuntos de interesse p\u00fablico &#8211; e n\u00e3o de uma tara especial dos leitores por ver banalidades, crimes e viol\u00eancia nos notici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Diz ainda Botton que os jornalistas s\u00e3o obcecados pela \u201cprecis\u00e3o\u201d e que isso atrapalharia o mister de fazer as not\u00edcias mais sedutores. \u201cAs falsifica\u00e7\u00f5es podem eventualmente ser necess\u00e1rias a servi\u00e7o de um objetivo ainda mais elevado que a precis\u00e3o: a esperan\u00e7a de transmitir ideias e imagens importantes a um p\u00fablicos impaciente e distra\u00eddo\u201d. (O problema \u00e9 que a autoriza\u00e7\u00e3o para falsificar em nome de um \u201cbem maior\u201d, todo mundo sabe do jeito que termina &#8211; e sempre \u00e9 p\u00e9ssimo.)<\/p>\n<p>Botton diz que, para cada fato negativo, em qualquer lugar do mundo, h\u00e1 centenas de outros mostrando a normalidade da vida: \u201cAlguns v\u00e3o se rebelar e se exaltar nas ruas, quebrando vitrines e fugindo com seus saques, mas a maioria estar\u00e1 ocupada em cuidar das flores no jardim e manter a cozinha arrumada\u201d. (De fato, assim como o sol nasce todo dia.)<\/p>\n<p>Na conclus\u00e3o, o escritor d\u00e1 a receita dele para um jornalismo \u201cideal\u201d. Por\u00e9m, para se obter o \u201cjornalismo ideal\u201d de Botton, primeiro seria necess\u00e1rio um mundo ideal. E, suspeito, em um mundo ideal o jornalismo talvez fosse desnecess\u00e1rio, como todas as demais institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>O jornalismo&#8230;<\/strong><br \/>\n<em>Notici\u00e1rio Pol\u00edtico<\/em>: \u201cDeveria criar uma a\u00e7\u00e3o harmoniosa e tolerante (&#8230;) tornando poss\u00edveis momentos de orgulho e empatia coletiva\u201d. <em>Internacional<\/em>: \u201cDeveria ajudar a humanizar o Outro em nossa mente\u2026\u201d<\/p>\n<p><strong>\u2026 ideal de\u2026<\/strong><br \/>\n<em>Econ\u00f4mico:<\/em> \u201c(Deveria) descartar tanto o cinismo desnecess\u00e1rio quanto a indigna\u00e7\u00e3o imatura\u201d. <em>Celebridades:<\/em> \u201cOs famosos nos fariam sentir uma inveja produtiva e equilibrada\u201d.<\/p>\n<p><strong>Alain de Botton<\/strong><br \/>\n<em>Desastres:<\/em> \u201cAs trag\u00e9dias dos outros deveriam nos lembrar de que muitas vezes tamb\u00e9m estamos muito perto de nos comportar de forma amoral, tacanha ou violenta\u201d. <em>Consumo:<\/em> \u201cO notici\u00e1rio deveria (&#8230;) nos orientar habilmente para objetos e servi\u00e7os (&#8230;) com mais possibilidade de atender a nossas aspira\u00e7\u00f5es subjacentes de uma exist\u00eancia plena\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 25\/10\/2015, do O POVO. 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