{"id":18441,"date":"2016-02-07T00:46:32","date_gmt":"2016-02-07T03:46:32","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18441"},"modified":"2016-02-07T00:46:32","modified_gmt":"2016-02-07T03:46:32","slug":"o-americano-e-o-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/02\/07\/o-americano-e-o-portugues\/","title":{"rendered":"O americano e o portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, publicada no caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 7 de fevereiro de 2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-18442\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus.jpg\" width=\"348\" height=\"474\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus.jpg 348w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus-300x409.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus-120x163.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><\/a>O americano e o portugu\u00eas<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Por meio de um link no Twitter cheguei a um cap\u00edtulo do livro <em>Deve ser brincadeira, sr. Feynman<\/em>, escrito por Richard P. Feynman (1918-1988), cientista americano, Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica em 1965. Devido \u00e0 sua personalidade alegre e expansiva, ele serviu de modelo hollywwodiano do cientista jovem e genial, que se tornou popular nos cinemas. Nos anos 1950, ele esteve no Brasil dando aula e trabalhando com cientistas p\u00e1trios. (Isso eu conto para voc\u00eas depois de pesquisar, pois tamb\u00e9m desconhecia Feynman e sua import\u00e2ncia.)<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo com o t\u00edtulo \u201cO americano, outra vez!\u201d ele conta de maneira bem-humorada a sua passagem por esta terra brasilis, mais especificamente no Rio de Janeiro, depois de uma escala no Recife, onde viu um carro imbicado dentro de uma cratera: \u201cEra maravilhoso: ele cabia direitinho, com seu teto no n\u00edvel da estrada. Os trabalhadores n\u00e3o tinham se dado ao trabalho de sinalizar, e o cara tinha simplesmente ca\u00eddo no buraco. Percebi\u00a0uma diferen\u00e7a: quando n\u00f3s cavamos um buraco, haver\u00e1 todo tipo de sinais e luzes para nos proteger. No Brasil, eles cavam um buraco e, quando acaba a jornada de trabalho, eles simplesmente v\u00e3o embora\u201d. (Mudou?)<!--more--><\/p>\n<p>Apesar dessa m\u00e1 impress\u00e3o inicial, Feynman gostou demais do Brasil e das pessoas, aprendeu a tocar frigideira, desfilou em escola de samba e se deu bem no hotel em que ficou hospedado no Rio, onde aeromo\u00e7as (na \u00e9poca ainda n\u00e3o se dizia \u201ccomiss\u00e1rias de bordo\u201d) tamb\u00e9m ficavam.<\/p>\n<p>Feinyman tamb\u00e9m conta como aprendeu o portugu\u00eas e sua dificuldade inicial, pois conseguia falar, sem conseguir entender seu interlocutor. Por\u00e9m, o interessante \u00e9 a forma \u201csimp\u00e1tica\u201d e, ao mesmo tempo cr\u00edtica, como v\u00ea alguns costumes no ambiente educacional e universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando foi a um semin\u00e1rio, os cientistas que o antecederam falaram em ingl\u00eas (tr\u00f4pego, segundo Feynman, ao ponto de ele n\u00e3o entender). Na vez dele, mandou esta (d\u00e1 at\u00e9 para ouvir a ironia na voz): \u201cDesculpem; eu n\u00e3o havia percebido que a l\u00edngua oficial da Academia Brasileira de Ci\u00eancias era ingl\u00eas, e por isso n\u00e3o preparei minha palestra em ingl\u00eas. Ent\u00e3o, por favor, desculpem-me, mas terei de faz\u00ea-la em portugu\u00eas\u201d. (Ele havia se aplicado e pedido ajuda de seus alunos para redigir a palestra no vern\u00e1culo.)<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo professor a tomar a palavra disse que iria \u201cseguir o exemplo do colega dos Estados Unidos\u201d e tamb\u00e9m fez a palestra em portugu\u00eas. Todos os demais o seguiram. Feynman arremata: \u201cEnt\u00e3o, at\u00e9 onde sei, mudei a tradi\u00e7\u00e3o da l\u00edngua utilizada na Academia Brasileira de Ci\u00eancias\u201d. (Mudou o pensamento colonizado?)<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m estranha como o ensino brasileiro priorizava o professor, em vez do aluno. Feynman pergunta a um colega se os estudantes preferiam as aulas de manh\u00e3 ou \u00e0 tarde. \u201c\u00c0 tarde\u201d, lhe responde: \u201cEnt\u00e3o vamos fazer \u00e0 tarde\u201d. \u201cMas \u00e0 tarde a praia \u00e9 boa\u201d, diz o colega professor, sugerindo que ele d\u00ea as aulas de manh\u00e3 para ficar com a tarde livre. (Mudou?)<\/p>\n<p>O professor americano tamb\u00e9m fica chocado com com o sistema \u201cdecoreba\u201d que imperava no ensino brasileiro, no qual os alunos eram treinados para repetir o que estava nos livros ou era dito pelo professor, sem ter aprendido nada. \u201cEles (os estudantes) podiam passar nas provas, \u2018aprender\u2019 essa coisa toda e n\u00e3o saber nada, exceto o que eles tinham decorado\u201d. (Mudou?)<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frigideira<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito divertido ler os trechos em que Feynman conta como se interessou pelo portugu\u00eas nos Estados Unidos: ao ver uma bela mulher entrar na sala de aula. E depois, no Brasil, suas perip\u00e9cias para aprender a tocar frigideira e participar de uma escola de samba, que desfilou por Copacabana.<\/p>\n<p><strong>Livro<\/strong><br \/>\nFeynman tamb\u00e9m trabalhou no projeto Manhattan, que construiu a bomba at\u00f4mica nos Estados Unidos. Nos outros cap\u00edtulos do livro, Feynman relata debates com Albert Einstein e Niels Bohr sobre a f\u00edsica at\u00f4mica e tamb\u00e9m fala sobre jogos de azar.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos<\/strong><br \/>\nConheci o livro <strong>Deve ser brincadeira<\/strong>, sr. Feynman devido a um post no Twitter de Jonny Ken Itaya: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/jonnyken\" target=\"_blank\">@jonnyken<\/a>. O cap\u00edtulo aqui comentado pode ser visto <a href=\"http:\/\/seer.cgee.org.br\/index.php\/parcerias_estrategicas\/article\/viewFile\/119\/112\" target=\"_blank\"><strong>neste link<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, publicada no caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 7 de fevereiro de 2016 do O POVO. 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