{"id":18504,"date":"2016-02-27T16:01:14","date_gmt":"2016-02-27T19:01:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18504"},"modified":"2016-02-27T16:01:14","modified_gmt":"2016-02-27T19:01:14","slug":"paula-nei-onde-comeca-a-molecagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/02\/27\/paula-nei-onde-comeca-a-molecagem\/","title":{"rendered":"Paula Nei: onde come\u00e7a a molecagem"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 28\/2\/2016 do O POVO.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-18522\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus3.jpg\" width=\"309\" height=\"404\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus3.jpg 442w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus3-300x392.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/02\/Carlus3-120x157.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><\/a>Paula Nei: onde come\u00e7a a molecagem<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>A convite da Academia Aracatiense de Letras, mais especificamente do acad\u00eamico Mauro Oliveira, professor do Instituto Federal (IFCE) &#8211; articulista deste jornal -, assisti \u00e0 reuni\u00e3o do gr\u00eamio liter\u00e1rio, na qual foi lan\u00e7ado o livro <em>Paula Nei &#8211; O primeiro humorista brasileiro<\/em>, de Jader Soares, o comediante conhecido como Zebrinha.<\/p>\n<p>Abstraindo-se o exagero tipicamente cearense do t\u00edtulo, o texto faz uma boa compila\u00e7\u00e3o dos causos atribu\u00eddos a Francisco de Paula Nei (1858-1897), possibilitando entrever-lhe o perfil e sua vida bo\u00eamica e desregrada, que lhe cobrou a conta aos 39 anos de idade. Nascido em Aracati, tornou-se celebridade no Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital do Reino &#8211; e depois da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Literato sem nunca ter escrito um livro, Paula Nei \u201cfoi o maior talento verbal de seu tempo\u201d, no dizer de Raimundo Menezes (<em>A vida bo\u00eamia de Paula Nei<\/em>). Autor de apenas sete poemas, em um deles legou a express\u00e3o que se tornaria marca registrada de Fortaleza: \u201cA loura desposada do Sol\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>Mesmo de longe, continuava a amar a terra alencarina a ponto de dizer: \u201cPelo Brasil sou capaz de morrer! Pelo Cear\u00e1 sou capaz de matar!\u201d Tamb\u00e9m era amante da cultura francesa, o que revela em carta a um amigo: \u201cLeio jornais franceses para dar-me a ilus\u00e3o de viver em Paris\u201d.<\/p>\n<p>Nessa carta, em que conta como s\u00e3o suas vira\u00e7\u00f5es para ganhar a vida, pode-se observar a sua verve: \u201cContinuo a fazer reportagens para os jornais, um de manh\u00e3, outro de tarde, inimigos irreconcili\u00e1veis em pol\u00edtica, mas unha e carne em solecismos e outras barbaridades gramaticais. Ambos pagam mal. Cavo not\u00edcias como os porcos de Perigord descobrem t\u00faberas: fu\u00e7ando nos lameiros. Quando n\u00e3o as encontro (as not\u00edcias), invento-as\u201d. (A cita\u00e7\u00e3o aos \u201cporcos de P\u00e9rigord\u201d\u00a0refere-se a uma regi\u00e3o da It\u00e1lia<strong>*<\/strong>, rica em trufas, ou t\u00faberas, um fungo car\u00edssimo, usado na culin\u00e1ria, em cuja procura os porcos eram usados para localiz\u00e1-las em ra\u00edzes de \u00e1rvores.)<\/p>\n<p>Paula Nei estudou Engenharia e Medicina, abandonando os dois cursos. De Engenharia, assistiu apenas a uma aula, desistiu quando o professor encheu duas lousas com c\u00e1lculo e anunciou o resultado no \u00faltimo espa\u00e7o dispon\u00edvel: \u201cIgual a zero\u201d. Revoltado, Paula Nei reclamou: \u201cQuer dizer que o senhor passou uma hora nesses dois quadros para no final dar em nada? Igual a zero? Sinto muito, eu desisto\u201d.<\/p>\n<p>Reinando na rua do Ouvidor, por onde transitava toda a intelectualidade brasileira no s\u00e9culo XIX, Paula Nei tinha um \u201csecret\u00e1rio\u201d, um sujeito que vivia de \u201cmorder\u201d (pedir dinheiro) aos amigos, chamado Rocha Alaz\u00e3o. Paula Nei firmou at\u00e9 um contrato escrito com ele. Uma das cl\u00e1usulas certificava: \u201cOrdenado n\u00e3o h\u00e1. Passarei algum quando for poss\u00edvel, e poder\u00e1s morder os meus amigos, que s\u00e3o pessoas de alta qualifica\u00e7\u00e3o (&#8230;)\u201d Em troca disso, o secret\u00e1rio, entre outras obriga\u00e7\u00f5es, tinha de cuidar da correspond\u00eancia, \u201cvotar por mim nas elei\u00e7\u00f5es\u201d, \u201cauxiliar-me em raptos e outras aventuras de amor\u201d e, \u201cem dias de aperto, levar meu rel\u00f3gio ao prego\u201d.<\/p>\n<p>Quando foi proclamada a Rep\u00fablica, Paula Nei, cheio dos paus, estava na sacada do jornal Gazeta de Not\u00edcias, junto com outras personalidades. Do povo aglomerado embaixo, come\u00e7aram os apelos: \u201cFala Nei, fala Nei\u201d. Cambaleando, Paula Nei avan\u00e7a para pronunciar o discurso, trope\u00e7a e \u00e9 amparado por um oficial do Ex\u00e9rcito. Prof\u00e9tico, anuncia: \u201cConcidad\u00e3os! O povo amparado pelo Ex\u00e9rcito: eis a Rep\u00fablica\u201d. (Em <em>Cabe\u00e7as-chatas<\/em>, de Leonardo Mota)<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Qu\u00edmica<\/strong><br \/>\nNa aula de Qu\u00edmica, o professor pergunta:<br \/>\n&#8211;Conhece alguma aplica\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, senhor Paula Nei.<br \/>\n&#8211;Dizem que serve para beber.<\/p>\n<p><strong>Popular<\/strong><br \/>\nQuando de sua morte, o jornal A Rep\u00fablica escreveu: \u201cN\u00e3o \u00e9 talvez dizer muito afirmar que ele foi o mo\u00e7o mais popular do Rio de Janeiro e um dos que melhor justificaram essa popularidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Nome de rua<\/strong><br \/>\nFortaleza homenageia Paula Nei com nome de rua (Aldeota) e de pra\u00e7a (Henrique Jorge). No Rio de Janeiro (Realengo) e em S\u00e3o Paulo (Aclima\u00e7\u00e3o) tamb\u00e9m existem ruas com o nome do humorista cearense.<\/p>\n<p><strong>*<\/strong>\u00a0<span style=\"line-height: 1.5\">A regi\u00e3o de <strong>P\u00e9rigord<\/strong> fica na <strong>Fran\u00e7a<\/strong> e n\u00e3o na It\u00e1lia, como anotado, me alerta \u00a0o professor Eduardo Diatahy B. de Menezes, atento leitor. (Corrigido \u00e0s 18h15min de 28\/2\/2016.)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 28\/2\/2016 do O POVO. 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