{"id":18530,"date":"2016-03-05T16:01:25","date_gmt":"2016-03-05T19:01:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18530"},"modified":"2016-03-05T16:01:25","modified_gmt":"2016-03-05T19:01:25","slug":"as-piadas-que-derrubaram-o-comunismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/03\/05\/as-piadas-que-derrubaram-o-comunismo\/","title":{"rendered":"As piadas que derrubaram o comunismo"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 6\/3\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-18552\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus.jpg\" width=\"309\" height=\"480\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus.jpg 309w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus-300x466.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus-120x186.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><\/a>As piadas que derrubaram o comunismo<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Talvez o amigo n\u00e3o saiba, mas as grandes editoras pagam \u00e0s livrarias pelos melhores locais de exposi\u00e7\u00e3o de seus livros nas vitrinas e balc\u00f5es das lojas.<\/p>\n<p>Por isso caso queira se surpreender, fugindo dos vorazes best-sellers de v\u00e1rios tons, tem de ir l\u00e1 para o fundo, nas prateleiras mais baixas, aquelas em que se t\u00eam de sentar no ch\u00e3o (nem os simp\u00e1ticos banquinhos as grandes redes de livraria oferecem mais) para escacaviar os livros espremidos uns contras os outros.<\/p>\n<p>Foi assim que deparei com <em>Foi-se o martelo &#8211; A hist\u00f3ria do comunismo contada em piadas<\/em>, de Ben Lewis, na se\u00e7\u00e3o \u201cComunica\u00e7\u00e3o\u201d, talvez pelo fato de o autor ser jornalista da emissora brit\u00e2nica BBC.<\/p>\n<p>Como na semana passada escrevi \u201cPaula Nei: onde come\u00e7a a molecagem\u201d, sobre o cearense que iniciou a tradi\u00e7\u00e3o humor\u00edstica desta terra alencarina, tornando-se refer\u00eancia do humor p\u00e1trio, pensei: \u201c\u00d4pa, aqui est\u00e1 um tema para a pr\u00f3xima coluna\u201d. Vejam como estou sempre pensando em voc\u00ea, caros leitores, al\u00e9m &#8211; \u00e9 claro &#8211; do interesse que mantenho pelos temas relativos \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Russa (1917).<\/p>\n<p>Mas qual seria a rela\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia das piadas de comunistas com a revolu\u00e7\u00e3o bolchevique e suas consequ\u00eancias?<\/p>\n<p>O livro \u00e9 um tratado sobre o piadismo como arma utilizada pelos dissidentes em todo o Bloco Sovi\u00e9tico &#8211; e tamb\u00e9m usada em defesa do sistema: o \u201chumor positivo\u201d, a favor do regime, incentivado pelos dirigentes comunistas.<!--more--><\/p>\n<p>Para Lewis, \u201co comunista \u00e9 o \u00fanico sistema pol\u00edtico a ter criado um fil\u00e3o pr\u00f3prio e internacional de com\u00e9dia\u201d. E o autor se prop\u00f5e a uma tarefa ambiciosa: encontrar uma prova que vincule \u201co h\u00e1bito de contar piadas \u00e0 derrocada do sistema\u201d sovi\u00e9tico, o que ele vai tentar fazer nas 430 p\u00e1ginas do livro.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se assustem os eventuais interessados: o livro tem a fluidez dos bons textos jornal\u00edsticos e, quem quiser pular as partes mais te\u00f3ricas, ter\u00e1 garantidas boas risadas das piadas que permeiam todas as p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>E, por vezes um sorriso amargo, pois o ditador sovi\u00e9tico Stalin tamb\u00e9m apreciava o senso de humor, que ele exercitava contra os subordinados, como, ao passar por um deles nos corredores do Kremlin, dizendo: \u201cMas eu pensei que j\u00e1 tivesse mandado fuzilar voc\u00ea\u201d. O que fez o pobre homem passar v\u00e1rias noites sem dormir. Por vezes, depois da \u201cbrincadeira\u201d, a amea\u00e7a se cumpria.<\/p>\n<p>Uma revisora, na Rom\u00eania sob Nicolae Ceausesco, contou a Lewis que a principal tarefa dela era verificar se o nome do ditador sa\u00eda corretamente no jornal: uma ligeira altera\u00e7\u00e3o para \u201cNicholai\u201d podia acabar em pris\u00e3o, pois significa \u201cpinto pequeno\u201d. Como diria o Macaco Sim\u00e3o: piada pronta.<\/p>\n<p>E mais piadas.<\/p>\n<p>Euf\u00f3rico, um amigo diz a outro ter conseguido emprego em Moscou, no topo da sino de Ivan, o Grande. Ficar l\u00e1 em cima esperando para dar as badaladas da Revolu\u00e7\u00e3o Mundial. \u201cDeve ser tedioso\u201d, argumenta o outro. \u201c\u00c9, mas \u00e9 um trabalho para a vida inteira\u201d.<\/p>\n<p>Na URSS, um secret\u00e1rio escuta gargalhadas no gabinete de um juiz. Entra e pergunta o que est\u00e1 acontecendo:<br \/>\n&#8211; Acabei de ouvir a melhor piada da minha via.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o, me conte.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o posso, acabei de condenar uma pessoa a cinco anos de trabalhos for\u00e7ados por fazer isso.<\/p>\n<p>A pena padr\u00e3o por contar piadas de comunistas era de cinco anos na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Lewis coletou v\u00e1rios casos de pessoas que foram presas apenas por ouvi-las. A pol\u00edcia chegava a um caso e outro por meio de den\u00fancias.<\/p>\n<p>O autor n\u00e3o conseguiu uma estat\u00edstica precisa sobre a quantidade de pessoas enviadas ao Gulag por contar piadas, mas calcula que tenham sido milh\u00f5es, nos quase 80 anos de regime comunista.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gulag<\/strong><br \/>\nNo Gulag, um prisioneiro, condenado a 15 anos, reclama que \u00e9 inocente. Seu companheiro de infort\u00fanio: \u201c\u00c9 mentira, os inocentes s\u00e3o condenados a apenas cinco anos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cachimbo<\/strong><br \/>\nMilitantes da Ge\u00f3rgia visitam Stalin. Quando a delega\u00e7\u00e3o sai, ele n\u00e3o encontra seu cachimbo. Chama o chefe da pol\u00edcia Laurenti B\u00e9ria e manda atr\u00e1s dos homens. Algum tempo depois o ditador encontra o cachimbo embaixo da mesa e avisa B\u00e9ria. \u201cTarde demais, camarada Stalin, metade da delega\u00e7\u00e3o confessou o crime e a outra metade morreu no interrogat\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Corre\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nNa coluna da semana passada \u201cPaula Nei: onde come\u00e7a a molecagem\u201d escorreguei ao afirmar que P\u00e9rigord \u00e9 uma regi\u00e3o italiana. Leitor atento, o professor Eduardo Diatahy B. de Menezes me corrige: fica na Fran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 6\/3\/2016 do O POVO. 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