{"id":18554,"date":"2016-03-12T16:01:33","date_gmt":"2016-03-12T19:01:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18554"},"modified":"2016-03-12T16:01:33","modified_gmt":"2016-03-12T19:01:33","slug":"lula-e-o-mundo-sedutor-da-elite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/03\/12\/lula-e-o-mundo-sedutor-da-elite\/","title":{"rendered":"Lula e o mundo sedutor da elite"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 13\/3\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-18573\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus1.jpg\" width=\"328\" height=\"539\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus1.jpg 328w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus1-300x493.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus1-120x197.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><\/a>Lula e o mundo sedutor da elite<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Luiz In\u00e1cio Lula da Silva voltou a sacar seus velhos discursos com oposi\u00e7\u00f5es e met\u00e1foras simplistas, por\u00e9m de f\u00e1cil entendimento, portanto eficazes como discurso pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Lembro-me de um trecho do livro \u201cOs dez dias que abalaram o mundo\u201d, sobre esse per\u00edodo decisivo da Revolu\u00e7\u00e3o Russa (1917), em que Jonh Reed narra o encontro de um oper\u00e1rio com um oponente dos bolcheviques, sendo que este era mais preparado para o debate. Reed conta que, a cada argumento do antagonista, o oper\u00e1rio respondia: \u201cEu s\u00f3 sei que existe a burguesia e o proletariado\u201d, reafirmando que a reden\u00e7\u00e3o estaria nesta classe. (Cito de mem\u00f3ria.)<\/p>\n<p>L\u00eanin, um te\u00f3rico sofisticado, sabia que os oper\u00e1rios n\u00e3o entenderiam (e talvez n\u00e3o gostassem muito de saber) que os bolcheviques os viam como uma \u201cclasse em si\u201d e n\u00e3o \u201cpara si\u201d. Por isso, o partido lhes oferecia d\u00edades simplificadas e palavras de ordem de f\u00e1cil entendimento: \u201cPaz, p\u00e3o e terra\u201d, que foram capazes de eletrizar as \u201cmassas\u201d e levar os bolcheviques ao poder.<\/p>\n<p>Pois bem, mas est\u00e1vamos falando de Lula. O seu discurso, logo depois da \u201ccondu\u00e7\u00e3o coercitiva\u201d, estava eivado desses duos opostos: \u201cn\u00f3s e eles\u201d; \u201cpovo e elite\u201d; \u201cricos e pobres\u201d. O juiz S\u00e9rgio Moro dera o mote e, como Lula pode ser tudo, menos trouxa, aproveitou para nadar de bra\u00e7ada, reunificar a milit\u00e2ncia e p\u00f4r o bloco na rua.<!--more--><\/p>\n<p>Mas, caso se olhe um pouco para tr\u00e1s, ver-se-\u00e1 que Lula tamb\u00e9m frequentou a Casa Grande, sem observar que era tolerado, por\u00e9m n\u00e3o aceito. A hist\u00f3ria do Brasil tem v\u00e1rios exemplos de <em>outsiders<\/em> que tentaram fazer parte do clube, mas foram barrados no baile.<\/p>\n<p>O exemplo mais pat\u00e9tico do desprezo com que a \u201celite\u201d trata os despidos de pedigree \u00e9 o almo\u00e7o no jornal Folha de S. Paulo para o qual Lula foi convidado quando era candidato a presidente da Rep\u00fablica (2002).<\/p>\n<p>O fato foi narrado pelo jornalista Ricardo Kotscho, ent\u00e3o assessor de Lula, no livro \u201cDo golpe ao Planalto &#8211; Uma vida de rep\u00f3rter\u201d:<\/p>\n<p>\u201cAssim que os comensais sentaram \u00e0 mesa, (Ot\u00e1vio) Frias Filho disparou a primeira pergunta: se Lula se sentia em condi\u00e7\u00f5es de governar o pa\u00eds, mesmo sem ter se preparado para isso, n\u00e3o sabendo nem falar ingl\u00eas. O candidato fez uma express\u00e3o de incredulidade, olhou para mim (Kotscho) como quem diz: \u2018E eu tinha que ouvir isso?\u2019, engoliu em seco e deu uma resposta at\u00e9 tranquila diante daquela situa\u00e7\u00e3o constrangedora\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Kotscho, o tom hostil permaneceu nas interven\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que Lula reagiu: \u201cO senhor me desculpe (falando para Ot\u00e1vio Frias, pai), mas eu n\u00e3o posso mais ficar aqui. Vou embora. N\u00e3o posso aceitar isso em nome da minha dignidade\u201d.<\/p>\n<p>Observem, n\u00e3o era uma entrevista, na qual perguntas mais duras s\u00e3o permitidas e necess\u00e1rias. Lula atendia a um convite para conversar com a dire\u00e7\u00e3o do jornal sobre o seu programa de governo.<\/p>\n<p>Esse epis\u00f3dio deveria ter acendido todos os sinais de alerta em Lula, servido-lhe como amostra do mundo sedutor que ele estava prestes a alcan\u00e7ar, mas que n\u00e3o era dele.<\/p>\n<p>Lula j\u00e1 disse considerar inexplic\u00e1vel a rejei\u00e7\u00e3o e o temor da \u201celite\u201d em rela\u00e7\u00e3o a ele, pois empres\u00e1rios e banqueiros nunca haviam ganhado tanto dinheiro como no governo dele. (A explica\u00e7\u00e3o, Lula, \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 da turma.)<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o adianta agora Lula apelar para os \u201camigos\u201d que o seduziram quando estava no exerc\u00edcio do poder &#8211; e hoje lhe viram as costas. Na hora do aperto, o ex-l\u00edder oper\u00e1rio precisou voltar \u00e0s suas origens, lustrando o discurso que lhe possibilitou a escalada.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nem tudo \u00e9 permitido<\/strong><br \/>\n\u00c9 ineg\u00e1vel que os programas sociais implementados no governo Lula tornaram o Brasil melhor. Mas isso n\u00e3o quer dizer que se deve aceitar dele qualquer malfeito. Cada instante da vida de uma pessoa \u00e9 uma encruzilhada, que a p\u00f5e \u00e0 prova.<\/p>\n<p><strong>Manifesta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nOs partid\u00e1rios do impeachment de Dilma Rousseff t\u00eam manifesta\u00e7\u00e3o marcada para hoje. Depois da \u201ccondu\u00e7\u00e3o coercitiva\u201d de Lula, o PT tamb\u00e9m resolveu ir para as ruas na data. Conflitos poder\u00e3o ocorrer.<\/p>\n<p><strong>Na ess\u00eancia<\/strong><br \/>\nO <em>dead line<\/em> (prazo final de entrega ao editor) deste texto \u00e9 ter\u00e7a-feira. S\u00e3o tempos de mudan\u00e7as pol\u00edticas velozes, mas creio que a ess\u00eancia do artigo se sustenta em qualquer situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 13\/3\/2016 do O POVO. 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