{"id":18590,"date":"2016-03-19T16:00:42","date_gmt":"2016-03-19T19:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18590"},"modified":"2016-03-19T16:00:42","modified_gmt":"2016-03-19T19:00:42","slug":"a-politica-e-a-nuvens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/03\/19\/a-politica-e-a-nuvens\/","title":{"rendered":"A pol\u00edtica e as nuvens &#8211; Como o PT chegou aonde chegou"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 20\/3\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-18612\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus2.jpg\" width=\"409\" height=\"746\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus2.jpg 409w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus2-300x547.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/03\/Carlus2-120x219.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/><\/a>A pol\u00edtica e a nuvens<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Como j\u00e1 expliquei por aqui, devido aos prazos industriais de fechamento (dia e hora de envi\u00e1-lo \u00e0 gr\u00e1fica), o meu <em>dead line<\/em> (dia em que tenho de entregar o texto) \u00e9 ter\u00e7a-feira, pois o \u201cPeople\u201d \u00e9 considerado um caderno \u201cfrio\u201d, isto \u00e9, n\u00e3o depende das not\u00edcias mais recentes.<\/p>\n<p>Incomodo o leitor com essas considera\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, pois, na velocidade em que as coisas (des)andam, um texto de an\u00e1lise da conjuntura pode rapidamente ficar \u201cvelho\u201d: o que era ontem pode n\u00e3o ser hoje; o que era algumas horas atr\u00e1s, pode esboroar-se.<\/p>\n<p>Vejam voc\u00eas: o impeachment inflou-se, depois murchou; agora incha de novo; o Minist\u00e9rio P\u00fablico, eleito o novo Batman depois de Joaquim Barbosa, levou uma cacetada ao pedir a pris\u00e3o preventiva de Lula; o pr\u00f3prio juiz S\u00e9rgio Moro, que est\u00e1 acima dessas quest\u00f5es mundanas, sentiu necessidade de justificar a \u201ccondu\u00e7\u00e3o coercitiva\u201d do ex-presidente.<\/p>\n<p>Amanh\u00e3, quem sabe, como nuvem ao vento a pol\u00edtica pode mudar e \u201cTudo o que era s\u00f3lido se evapora no ar, tudo o que era sagrado \u00e9 profanado, e por fim o homem \u00e9 obrigado a encarar com serenidade suas verdadeiras condi\u00e7\u00f5es de vida e suas rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>O PT, que surgiu de uma mescla do sindicalismo do ABC, lastreado pelas Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Cat\u00f3lica; juntando os sobreviventes da guerrilha urbana de 1968 e os ariscos trotskistas, tinha uma cara socialista, esquerdista. Lula, barba cerrada, cara zangada, igual \u00e0 do Jo\u00e3o Ferrador &#8211; \u201cHoje eu n\u00e3o t\u00f4 bom\u201d &#8211; o bonequinho s\u00edmbolo do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo.<\/p>\n<p>Dizia o PT que n\u00e3o ia pagar a d\u00edvida externa; que ia fazer a reforma tribut\u00e1ria; que rico ia, finalmente, pagar imposto; prometeu a reforma agr\u00e1ria, o agricultor agora ia ter terra; e que, tamb\u00e9m, iria acabar com a corrup\u00e7\u00e3o e com a farra dos empreiteiros etc. Assim, exaltava o lema nas elei\u00e7\u00f5es: \u201cTrabalhador vota em trabalhador\u201d.<\/p>\n<p>Depois, o PT percebeu que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um desejo inato dos oper\u00e1rios, portanto, era preciso ir mais devagar com o andor, por etapas.<\/p>\n<p>Juntando isso com o namoro que Lula iniciava com empres\u00e1rios &#8211; seus antigos desafetos nas greves -, o futuro presidente (na \u00e9poca) transfigurou-se no \u201cLulinha paz e amor\u201d, escreveu uma carta aos banqueiros, quero dizer, aos brasileiros, para \u201cacalmar os mercados\u201d e trocou o repto \u201ctrabalhadores\u201d por \u201cpovo\u201d, mais abrangente e inclusivo; pois \u201cpovo\u201d, no sentido lato, todo mundo \u00e9, at\u00e9 o 1%.<\/p>\n<p>Assim, a \u201ccarta ao povo brasileiro\u201d chamou a um amplo acordo \u201csuprapartid\u00e1rio\u201d, que veio a desaguar no famoso \u201cpresidencialismo de coaliza\u00e7\u00e3o\u201d que, diferente da promessa inicial, sempre foi superpartid\u00e1rio &#8211; e nos trouxe ao enrosco atual. Pois manter essa unidade artificial, com uma dezena de partidos \u00e1vidos por cargos e mais algum troco, sai por um pre\u00e7o pol\u00edtico muito alto, se \u00e9 que me entendem.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o foi o PT que inventou esse mecanismo (a frase \u00e9 s\u00f3 para provocar os que me acusam de ser \u201cpetista\u201d). A carta de Lula foi s\u00f3 um pedido para entrar no arranjo de poder que j\u00e1 estava montado: o acordo por cima, o uso do Estado como se fosse propriedade particular e tudo a mais da\u00ed decorrente, inclusive aquilo que voc\u00ea est\u00e1 pensando. (Dentro, em vez de desmont\u00e1-lo, o PT deu um jeito de lubrific\u00e1-lo).<\/p>\n<p>Como a burguesia (pode chamar de \u201celite\u201d) \u00e9 um bicho inteligente, percebendo que a for\u00e7a do l\u00edder sindical estava se tornando irresist\u00edvel, aliou-se a ele. E, como escrevi na semana passada, tolerou-o no clube, sem aceit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Na primeira curva, quando percebeu o animal ferido, a elite alvejou-o com acusa\u00e7\u00f5es daquilo que era um h\u00e1bito enraizado deles, mas intoler\u00e1vel no intruso. E, esperta (ou covarde?), come\u00e7ou a desembarcar do navio avariado.<\/p>\n<p>No mais, como escreveu Luis Fernando Ver\u00edssimo, \u201cazar do PT, que foi se meter na farra dos compadres justamente quando chegou a pol\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Karl Marx e Friedrich Engels<\/strong><br \/>\nO trecho citado no quarto par\u00e1grafo \u00e9 do \u201cManifesto Comunista\u201d (1848), de Karl Marx e Friedrich Engels, em que eles falam da din\u00e2mica do sistema capitalista. Portanto, dei uma for\u00e7adinha para encaixar ali a cita\u00e7\u00e3o. Mas creio que nenhum dos dois se incomodaria.<\/p>\n<p><strong>Procuradores<\/strong><br \/>\nAgora, creio que Marx n\u00e3o gostaria de ver seu amigo Engels confundindo com Hegel, como fizeram os procuradores de S\u00e3o Paulo ao pedirem a pris\u00e3o de Lula. Marx foi disc\u00edpulo de Hegel, depois rompeu com ele, mas continuou respeitando-o, mesmo sendo duro ao critic\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/migre.me\/tdNBf\" target=\"_blank\">Manifesto Comunista<\/a>; <a href=\"http:\/\/migre.me\/tdNVg.\" target=\"_blank\">Transfigura\u00e7\u00e3o<\/a>, de Luis Fernando Ver\u00edssimo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 20\/3\/2016 do O POVO. 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