{"id":18637,"date":"2016-04-09T16:01:24","date_gmt":"2016-04-09T19:01:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18637"},"modified":"2016-04-09T16:01:24","modified_gmt":"2016-04-09T19:01:24","slug":"cargos-de-confianca-como-moeda-de-troca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/04\/09\/cargos-de-confianca-como-moeda-de-troca\/","title":{"rendered":"Cargos de confian\u00e7a como moeda de troca"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 10\/4\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/04\/Carlus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18640\" alt=\"Carlus\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/04\/Carlus-300x509.jpg\" width=\"300\" height=\"509\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/04\/Carlus-300x509.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/04\/Carlus-120x204.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/04\/Carlus.jpg 338w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cargos de confian\u00e7a como moeda de troca<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Quando se questiona um mandat\u00e1rio brasileiro sobre o porqu\u00ea da famosa distribui\u00e7\u00e3o de cargos \u201cde confian\u00e7a\u201d como moeda de troca pol\u00edtica, a resposta que se recebe &#8211; dos partidos da A a Z &#8211; \u00e9 que \u201cem todo o mundo\u201d se governa com aliados.<\/p>\n<p>Certo. Mas ser\u00e1 comum, em todo o mundo, que uma cidade (Fortaleza, por exemplo) tenha quatro mil cargos de \u201clivre nomea\u00e7\u00e3o\u201d, sendo outros tantos no Estado &#8211; e no governo federal mais de 20 mil? Postos distribu\u00eddos de acordo com arb\u00edtrio do chefe do Executivo, fruto de negocia\u00e7\u00f5es nem sempre republicanas?<\/p>\n<p>Uma pessoa assim nomeada tem compromisso com os cidad\u00e3os ou com seu \u201cpadrinho\u201d?<\/p>\n<p>Por esse caminho s\u00e3o criados pequenos feudos, dirigidos por sobas que exercem o poder (maior ou menor) de acordo com a quantidade de indica\u00e7\u00f5es de que disp\u00f5em. Alguns s\u00e3o discretos, agem nos bastidores, mas h\u00e1 aqueles que alardeiam abertamente o seu poder indicat\u00f3rio, gabando-se da influ\u00eancia que desfrutam com a presidente, com o governador ou com o prefeito.<\/p>\n<p>Ainda em 2014, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa &#8211; condenado na opera\u00e7\u00e3o Lava Jato &#8211; disse que, desde o governo Sarney (o primeiro presidente do per\u00edodo p\u00f3s-redemocratiza\u00e7\u00e3o) at\u00e9 Dilma Rousseff, passando por todos os outros presidentes, o \u201capoio pol\u00edtico\u201d sempre foi obrigat\u00f3rio para chegar a uma diretoria da empresa e das coligadas.<!--more--><\/p>\n<p>A coisa chega a tal ponto que at\u00e9 para cargos t\u00e9cnicos de chefia de quarto ou quinto escal\u00e3o, como ger\u00eancia, por exemplo, se faz sentir a influ\u00eancia das \u201cindica\u00e7\u00f5es\u201d. Alguns estudiosos do assunto dizem que, juntando essas fun\u00e7\u00f5es, chegam a 90 mil cargos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do governo federal.<\/p>\n<p>Esse m\u00e9todo de governar, que j\u00e1 era de conhecimento p\u00fablico, fica cada vez mais escancarado. \u00c0 sa\u00edda(?) do PMDB do governo, foi revelado que o partido tem 600 nomeados na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal. Cargos esses que a presidente da Rep\u00fablica pretende lotear entre outras siglas para granjear-lhes a fidelidade, ganhando votos contra o impeachment.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 indiscut\u00edvel que cai muito a efici\u00eancia do servi\u00e7o p\u00fablico, pois nenhum pol\u00edtico faz a indica\u00e7\u00e3o de gra\u00e7a. O apadrinhado sempre ficar\u00e1 lhe devendo o favor, que ser\u00e1 cobrado &#8211; e pago, pois o funcion\u00e1rio chegou ali gra\u00e7as \u00e0 influ\u00eancia de seu indicador e n\u00e3o por crit\u00e9rios profissionais. E, ainda, vai ficar na corda bamba, dependendo da mar\u00e9 pol\u00edtica para se manter no cargo.<\/p>\n<p>Portanto, a cada chacoalhada pol\u00edtica no governo, treme toda a estrutura, como preju\u00edzo para quem precisa dos servi\u00e7os. Se houvesse uma burocracia profissionalizada, os acontecimentos de Bras\u00edlia teriam pouca influ\u00eancia na qualidade dos servi\u00e7os oferecidos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem contar que esse m\u00e9todo \u00e9 a porta aberta \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o de todo tipo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, voltamos ao in\u00edcio. \u00c9 \u00f3bvio que o ganhador das elei\u00e7\u00f5es (federal, estadual ou municipal) tem o direito de governar com seus aliados. Por\u00e9m, isso deve pressupor os minist\u00e9rios (ou secretarias nos casos de munic\u00edpios e estados), mais algumas dezenas de cargos de confian\u00e7a &#8211; e n\u00e3o fazer das institui\u00e7\u00f5es um butim para reparti-las entre os aliados.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Absurdo<\/strong><br \/>\nGil Castello Branco, fundador da ONG Contas Abertas: \u201c\u00c9 um absurdo que n\u00e3o haja transpar\u00eancia sobre onde est\u00e3o esses cargos, e, de forma mais ampla, sobre quem fez as indica\u00e7\u00f5es para preencher os mais de 20 mil cargos de confian\u00e7a da burocracia federal\u201d.<\/p>\n<p><strong>Exagero<\/strong><br \/>\nFelix Lopez, do Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas (Ipea): \u201cProvavelmente h\u00e1 algum exagero no Brasil, e o problema \u00e9 que isso (a quantidade de cargos de livre nomea\u00e7\u00e3o) amplia a rotatividade desses postos e prejudica a continuidade das pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d.<\/p>\n<p><strong>EUA<\/strong><br \/>\nNos Estados Unidos s\u00e3o oito mil cargos de confian\u00e7a no Legislativo e no Executivo federal.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\nDados e declara\u00e7\u00f5es acima s\u00e3o de mat\u00e9ria da <strong><a href=\"http:\/\/goo.gl\/ImJixB.\" target=\"_blank\">BBC Brasil<\/a>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 10\/4\/2016 do O POVO. 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