{"id":18722,"date":"2016-06-11T16:01:41","date_gmt":"2016-06-11T19:01:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18722"},"modified":"2016-06-11T16:01:41","modified_gmt":"2016-06-11T19:01:41","slug":"programas-policialescos-contra-a-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/06\/11\/programas-policialescos-contra-a-lei\/","title":{"rendered":"Programas policialescos: contra a lei"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 12\/6\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18727\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/06\/Guabas-300x537.jpg\" alt=\"Guabiras\" width=\"300\" height=\"537\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/06\/Guabas-300x537.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/06\/Guabas-120x215.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/06\/Guabas.jpg 416w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Programas policialescos: contra a lei<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>O volume tr\u00eas do \u201cGuia de monitoramento &#8211; Viola\u00e7\u00f5es de direitos na m\u00eddia brasileira\u201d foi lan\u00e7ado recentemente pela Andi &#8211; Comunica\u00e7\u00e3o e Direitos. A publica\u00e7\u00e3o analisa uma pesquisa realizada em programas de estilo \u201cpolicialesco\u201d, r\u00e1dio e TV, em 10 capitais brasileiras. Em Fortaleza foram avaliados os programas Cidade 190 e Rota 22 (televis\u00e3o) e Na Rota do Crime (r\u00e1dio). Entre os dias 2 e 31 de mar\u00e7o foram monitorados 28 programas nas cinco regi\u00f5es do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nos 30 dias de estudo, os pesquisadores identificaram 4.500 viola\u00e7\u00f5es de direitos; 8.232 infra\u00e7\u00f5es \u00e0s leis brasileiras; 7.529 infra\u00e7\u00f5es \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o multilateral (tratados internacionais) e 1.962 descumprimentos de normas autorregulat\u00f3rias (c\u00f3digo de \u00e9tica dos jornalistas, por exemplo).<\/p>\n<p>Os programas produzidos em S\u00e3o Paulo foram os que registraram o maior percentual de viola\u00e7\u00f5es (26,6%), seguido pelo Distrito Federal (17%) e pelos de Recife (16,2%). Destacou-se negativamente o Cidade Alerta, de S\u00e3o Paulo, com 18% de todos os registros.<!--more--><\/p>\n<p>Foi constatado que a m\u00e9dia de viola\u00e7\u00f5es de direitos nas narrativas de TV (78 por programa) \u00e9 maior do que as observadas no r\u00e1dio (51 por programa), sendo que a maioria dessas produ\u00e7\u00f5es \u00e9 exibida no hor\u00e1rio de almo\u00e7o e no per\u00edodo da tarde.<\/p>\n<p>Para a Andi, a grande quantidade de infra\u00e7\u00f5es evidencia \u201co car\u00e1ter n\u00e3o-circunstancial das pr\u00e1ticas anti-humanistas e antidemocr\u00e1ticas desse modelo de comunica\u00e7\u00e3o, em franca expans\u00e3o no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Quanto ao perfil das pessoas envolvidas &#8211; suspeitos e v\u00edtimas das ocorr\u00eancias delituosas -, apresentadas nos programas policialescos, observou-se que a maioria das narrativas viola o direito das pessoas negras. O mesmo observando-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas. Dos suspeitos com direitos violados, havia 1.068 negros; 399 brancos e dois ind\u00edgenas. Entre as v\u00edtimas que tiveram seus direitos desrespeitados, 80 eram negros e 23 eram brancos.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 forma como as narrativas s\u00e3o constru\u00eddas nos programas policialescos, os pesquisadores indicam que s\u00e3o constru\u00eddas \u201ca partir de um \u00fanico ponto de vista: o do aparato repressivo do Estado\u201d. Para a Andi, reduzir o fen\u00f4meno da viol\u00eancia e da criminalidade \u00e0 esfera policial, fortalecendo as pol\u00edticas de \u201cmano dura\u201d, e ignorando o contexto da produ\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos, termina por acarretar o \u201caumento da viol\u00eancia letal e o fortalecimento de redes criminosas\u201d, conforme observou-se no levantamento \u201cInforme Regional de Desenvolvimento Humano 2013-2014\u201d, do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).<\/p>\n<p>Para a Andi, tamb\u00e9m chamam a aten\u00e7\u00e3o nesses programas \u201cos ataques sistem\u00e1ticos\u201d contra as pessoas que integram o campo dos dos direitos humanos. \u201cOs ataques s\u00e3o t\u00e3o raivosos quanto os direcionais aos suspeitos de crimes. Alguns (programas) chegam a acusar os humanistas de integrarem o crime organizado\u201d. Essa pr\u00e1tica, diz a Andi, \u00e9 \u201cmais pr\u00f3xima da propaganda do que do jornalismo; do insulto puro e simples, do que da cr\u00edtica fundamentada, essa vital para a democracia\u201d.<\/p>\n<p>A Andi conclui afirmando que o trabalho interpela sobre as \u201cfronteiras que separam o jornalismo de outras pr\u00e1ticas do campo midi\u00e1tico\u201d, como a propaganda ideol\u00f3gica e o \u201centretenimento do horror\u201d, dos quais lan\u00e7a m\u00e3o esse tipo de programa. E prop\u00f5e que o tema seja objeto de um \u201camplo debate sobre o fazer jornal\u00edstico, seus limites e responsabilidades\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Programas<\/strong><br \/>\nA Andi caracteriza como programas \u201cpolicialescos\u201d aqueles especializados em narrar \u201cviol\u00eancias e criminalidades\u201d com \u201cforte apelo popular\u201d. O eixo s\u00e3o temas vinculados a ocorr\u00eancias policiais e \u201cfatos violentos, delituosos ou criminosos\u201d. O termo \u201cnarrativa\u201d no estudo \u00e9 utilizado como refer\u00eancia a trechos dos programas monitorados.<\/p>\n<p><strong>Circo de horrores<\/strong><br \/>\n\u201cEsse circo de horrores, transmitido ao vivo, em rede nacional, n\u00e3o \u00e9 apenas uma afronta \u00e0s leis, \u00e9 uma afronta \u00e0 dignidade humana, ao espetacularizar a morte e bombardear o telespectador com execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, chacinas, homic\u00eddios e latroc\u00ednios. Esses programas s\u00f3 divulgam o p\u00e2nico e a inseguran\u00e7a, instalando na popula\u00e7\u00e3o uma sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia.\u201d (Jornalista Mauri K\u00f6nig, em depoimento ao \u201cGuia de Monitoramento\u201d.)<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.andi.org.br\/node\/61646\" target=\"_blank\"><strong>Clique aqui<\/strong><\/a> para saber mais sobre a Andi e baixar gratuitamente os tr\u00eas volumes do trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 12\/6\/2016 do O POVO. 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