{"id":18761,"date":"2016-08-13T15:59:27","date_gmt":"2016-08-13T18:59:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18761"},"modified":"2016-08-13T15:59:27","modified_gmt":"2016-08-13T18:59:27","slug":"o-universo-privatizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/08\/13\/o-universo-privatizado\/","title":{"rendered":"O universo privatizado"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 14\/8\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O universo privatizado<\/strong><\/p>\n<p>Ao ler uma not\u00edcia recentemente, lembrei-me do Tratado de Tordesilhas, que ainda deve ser ensinado nas escolas, devido \u00e0 import\u00e2ncia do tema.<\/p>\n<p>O tal tratado, de 1494, ganhou o nome da cidade espanhola onde o documento foi assinado e estabelecia uma linha imagin\u00e1ria a 370 l\u00e9guas de Cabo Verde, sendo que as terras achadas ou ainda por achar, a leste, pertenceriam a Portugal e a Oeste seriam da Espanha, com o direito de explor\u00e1-las. Ou seja, o que Portugal e Espanha fizeram foi, basicamente, dividir o mundo entre eles.<\/p>\n<p>Agora &#8211; neste ano da gra\u00e7a de 2016, do s\u00e9culo XXI &#8211; o governo americano deu \u201ctotal liberdade\u201d a uma companhia de transportes para planejar viagens \u00e0 Lua. A empresa chama-se Moon Express e localiza-se no Vale do Sil\u00edcio, regi\u00e3o da Calif\u00f3rnia onde se concentram companhias de inova\u00e7\u00e3o e tecnologia. Outras empresas, como a SpaceX e a Bigelow Aerospace, tamb\u00e9m disputam os direitos de minera\u00e7\u00e3o na Lua, que \u00e9 rica em recursos naturais.<!--more--><\/p>\n<p>Passados mais de 500 anos do Tratado de Tordesilhas, a hist\u00f3ria se repete. Os Estados Unidos concedem direito de explora\u00e7\u00e3o a empresas, com objetivos comerciais, como se fossem donos da Lua.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m poderia argumentar: \u201cBom, mas eles chegaram l\u00e1 primeiro\u201d. Esse me parece mau argumento, primeiro, porque \u201cchegar primeiro\u201d deveria valer apenas para disputas esportivas e n\u00e3o para decis\u00f5es cruciais para o destino da humanidade. Depois, porque a R\u00fassia poderia reivindicar-se dona do espa\u00e7o, j\u00e1 que foi a (antiga) Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a p\u00f4r um homem fora da \u00f3rbita da Terra, Yuri Gagarin.<\/p>\n<p>E, antes dos americanos, um equipamento sovi\u00e9tico (n\u00e3o tripulado) tamb\u00e9m chegou \u00e0 Lua. A espa\u00e7onave Luna 2 tocou o solo lunar e espatifou-se por l\u00e1 (ainda n\u00e3o havia tecnologia para o pouso). A opera\u00e7\u00e3o seguinte, a Luna 3 foi ao lado escuro da lua e fez fotos de alta resolu\u00e7\u00e3o. Em 1970, os sovi\u00e9ticos foram mais longe: fizeram pousar uma sonda em V\u00eanus. Por isso, os russos seriam donos da Estrela d&#8217;Alva?<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se a empresas &#8211; com recursos econ\u00f4micos e tecnologia de ponta &#8211; fosse negado o direito de explorar os corpos celestes &#8211; j\u00e1 que a humanidade vai necessitar expandir-se algum dia -, de que modo isso poderia ser feito?<\/p>\n<p>Alguns analistas defendem um acordo internacional para estabelecer crit\u00e9rios para a explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Seria um tratado para p\u00f4r sob a responsabilidade da comunidade internacional todos os corpos celestes, tornando-os patrim\u00f4nio da humanidade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 \u00f3bvio que algo assim iria contrariar os grandes grupos econ\u00f4micos, que olham para o c\u00e9u como os portugueses e espanh\u00f3is olhavam para o &#8220;novo mundo&#8221;: como oportunidade de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>E, tamb\u00e9m, ser\u00e1 que estamos sozinhos no universo ou poderemos nos encontrar com outras formas de vida inteligentes, como os europeus encontraram, por aqui, os donos primordiais das terras \u201cdescobertas\u201d? Se fosse assim, como isso se resolveria?<\/p>\n<p>Mas, enfim, aquele neg\u00f3cio de vender terreno na Lula tornou-se verdade. N\u00e3o pela fa\u00e7anha de estelionat\u00e1rios enganando incautos, mas sob o controle da maior pot\u00eancia econ\u00f4mica e militar do planeta. Comprar terrenos na Lua tornou-se realidade &#8211; vejamos se a servi\u00e7o de uma boa causa ou para atender aos interesses de uma pequena elite no topo da pir\u00e2mide econ\u00f4mica. Uma passada de olhos pela hist\u00f3ria n\u00e3o admite bons progn\u00f3sticos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Hotel no espa\u00e7o<\/strong><br \/>\nA empresa SpaceX, do bilion\u00e1rio Elon Musk, pretende enviar uma nave n\u00e3o tripulada at\u00e9 Marte, em 2018. A Bigelow Aerospace, do magnata Robert Bigelow, quer explorar o espa\u00e7o para fins tur\u00edsticos. Ele j\u00e1 colocou em \u00f3rbita uma nave para testar a possibilidade de um hotel espacial.<\/p>\n<p><strong>Morando em Marte<\/strong><br \/>\nA empresa Mars-One recruta volunt\u00e1rios para uma viagem sem volta at\u00e9 Marte, onde fundariam uma col\u00f4nia de humanos. A previs\u00e3o \u00e9 que a viagem seja feita em 2022. Milhares de pessoas inscreveram-se para participar da experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos<\/strong><br \/>\nForbes Brasil: <a href=\"http:\/\/www.forbes.com.br\/colunas\/2016\/08\/companhia-privada-norte-americana-ganha-direito-sobre-exploracao-da-lua\/\" target=\"_blank\">Companhia privada norte-americana ganha direito sobre explora\u00e7\u00e3o da Lua<\/a>; Superinteressante: <a href=\"http:\/\/super.abril.com.br\/ciencia\/o-espaco-e-vermelho\" target=\"_blank\">O espa\u00e7o \u00e9 vermelho<\/a>; Astropol\u00edtica: <a href=\"http:\/\/astropolitica.blogs.sapo.pt\/159176.html\" target=\"_blank\">O direito espacial e a explora\u00e7\u00e3o comercial do espa\u00e7o<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 14\/8\/2016 do O POVO. 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