{"id":18767,"date":"2016-08-20T16:01:54","date_gmt":"2016-08-20T19:01:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18767"},"modified":"2016-08-20T16:01:54","modified_gmt":"2016-08-20T19:01:54","slug":"crescer-destruindo-a-terra-ou-decrescer-para-ser-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/08\/20\/crescer-destruindo-a-terra-ou-decrescer-para-ser-feliz\/","title":{"rendered":"Crescer destruindo a Terra ou decrescer para ser feliz?"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 21\/8\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18770\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/08\/Menu-300x523.jpg\" alt=\"Menu\" width=\"300\" height=\"523\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/08\/Menu-300x523.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/08\/Menu-120x209.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2016\/08\/Menu.jpg 328w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Crescer destruindo a Terra ou decrescer para ser feliz?<\/strong><\/p>\n<p>Confesso que nunca havia visto algu\u00e9m defender o decrescimento da economia at\u00e9 ouvir, via r\u00e1dio Senado, um discurso do senador Cristovam Buarque, em outubro de 2009. Ele dizia que, na Europa, j\u00e1 se disseminava o conceito de \u201cdecrescimento feliz\u201d, defendendo que a produ\u00e7\u00e3o material n\u00e3o deveria ser o \u00fanico modo de aferir o bem-estar das pessoas.<\/p>\n<p>A partir do interesse pelo tema, cheguei ao livro \u201cPequeno tratado do decrescimento sereno\u201d, do economista franc\u00eas Serge Latouche. Para ele, \u201co crescimento infinito \u00e9 incompat\u00edvel com um mundo finito\u201d, acrescentando: \u201cEstamos a bordo de um b\u00f3lido sem piloto, sem marcha a r\u00e9 e sem freio, que vai se arrebentar contra os limites do planeta\u201d.<\/p>\n<p>Pois bem, a cada ano, a Global Footprint Network, uma organiza\u00e7\u00e3o internacional que calcula o chamado \u201cDia da Sobrecarga da Terra\u201d, mostra que essa marca \u00e9 atingida cada vez mais cedo. A conta mostra o quanto j\u00e1 se usou de recursos da natureza a mais do que a Terra \u00e9 capaz de repor a cada ano.<!--more--><\/p>\n<p>Neste ano de 2016, a marca foi atingida no dia 8 de agosto. Ou seja, os terr\u00e1queos ficaram devendo quatro meses para a M\u00e3e Terra. \u00c9 como se algu\u00e9m tivesse R$ 100 mil para gastar o ano inteiro, mas o dinheiro acabasse no in\u00edcio de agosto. Ou seja, ser\u00e1 obrigado a sacar a descoberto ou a entrar no cheque especial.<\/p>\n<p>Essa marca fatal vem chegando cada vez mais cedo. No primeiro estudo, de 1990, a data da \u201csobrecarga\u201d foi 7 de dezembro, depois, veio caindo: 2005 (20 de outubro) e, ano passado, em 13 de agosto. Tudo indica que a marca vai continuar despencando. Atualmente, a humanidade consome os recursos equivalentes a 1,6 planeta. Se todos os povos do mundo vivessem como os alem\u00e3es, seriam necess\u00e1rios 3,1 planetas; se a vida fosse como nos Estados Unidos somente 4,8 Terras dariam conta do consumo humano.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que cada vez surgem mais vozes para defender outra forma de desenvolvimento, em que os recursos naturais fossem poupados com mais intensidade, estabelecendo-se outras formas de medir a riqueza de um pa\u00eds, que n\u00e3o somente pelo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Mas como fazer isso?<\/p>\n<p>Para o professor Reinhard Loske, da Universidade de Witten\/Herdeck (Alemanha), outros aspectos deveriam ser levados em considera\u00e7\u00e3o para se avaliar a qualidade de vida de um pa\u00eds: a salvaguarda do meio ambiente, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social, gerando o que ele chama de \u201cindicadores alternativos\u201d. Para o professor, n\u00e3o \u00e9 nos pa\u00edses ricos que as pessoas s\u00e3o mais felizes, \u201cmas onde \u00e9 poss\u00edvel tirar muita felicidade a partir de poucas coisas materiais\u201d. Loske diz ser preciso \u201cabandonar a pura fixa\u00e7\u00e3o por crescimento e partir para um desenvolvimento sustent\u00e1vel e social-inclusivo\u201d.<\/p>\n<p>Loske defende que os pa\u00edses industrializados diminuam o consumo de energia e reduzam o uso de superf\u00edcies de terra de 80% a 90% nas pr\u00f3ximas duas ou tr\u00eas d\u00e9cadas. Isso daria a oportunidade para o desenvolvimento econ\u00f4mico dos pa\u00edses mais pobres. \u201cOs pa\u00edses ricos precisam dar menos import\u00e2ncia ao crescimento econ\u00f4mico e se alinhar mais \u00e0 sustentabilidade\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 os pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento, diz Loske, n\u00e3o deveriam incorrer no mesmo erro dos pa\u00edses industrializados, ou seja, manter um modelo de desenvolvimento pautado no uso de recursos naturais e de energia n\u00e3o renov\u00e1vel, \u201cque, no longo prazo, n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>No artigo da semana passada, \u201cO universo privatizado\u201d falei da empresa Mars-One, que pretende criar uma col\u00f4nia humana em Marte, at\u00e9 2022. Ou seja, parece que h\u00e1 mais preocupa\u00e7\u00e3o em se escapar do problemas &#8211; que podem ser resolvidos na Terra -, levando o mesmo modelo destrutivo de desenvolvimento a outros planetas.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nO professor Reinhard Loske cita v\u00e1rias vezes o Brasil na entrevista que ele concedeu \u00e0 Deutsche Welle (DW), de onde reproduzi as informa\u00e7\u00f5es. Uma de suas afirmativas: \u201cMeu conselho (ao Brasil) seria abandonar essa pura fixa\u00e7\u00e3o por crescimento e partir para um desenvolvimento sustent\u00e1vel e social-inclusivo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos<\/strong><br \/>\nDW: <a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt\/humanidade-esgota-recursos-da-terra-em-2016\/a-19457955\" target=\"_blank\">Humanidade esgota recursos da Terra em 2016<\/a>\u00a0e <a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt\/brasil-precisa-abandonar-a-pura-fixa%C3%A7%C3%A3o-por-crescimento\/a-19372464\" target=\"_blank\">Brasil precisa abandonar a pura fixa\u00e7\u00e3o por crescimento<\/a>; Blog Pl\u00ednio: <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/senador-cristovam-buarque-defende-o-decrescimento-feliz\/\" target=\"_blank\">Senador Cristovam Buarque defende o \u2018decrescimento feliz\u2019<\/a> e <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/pequeno-tratado-do-decrescimento-sereno-de-serge-latouche\/\" target=\"_blank\">Pequeno tratado do decrescimento sereno<\/a>, de Serge Latouche.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 21\/8\/2016 do O POVO. 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Confesso que nunca&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[1517],"class_list":["post-18767","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo-o-povo","tag-menu-politico"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18767\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}