{"id":18783,"date":"2016-09-01T00:01:19","date_gmt":"2016-09-01T03:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18783"},"modified":"2016-09-01T00:01:19","modified_gmt":"2016-09-01T03:01:19","slug":"collor-e-dilma-duas-historias-e-um-mesmo-destino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/09\/01\/collor-e-dilma-duas-historias-e-um-mesmo-destino\/","title":{"rendered":"Collor e Dilma: duas hist\u00f3rias e um mesmo destino"},"content":{"rendered":"<p>Texto para a editoria de Pol\u00edtica, edi\u00e7\u00e3o de 1\u00ba\/9\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Dilma x Collor<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, n\u00e3o concluiu seu mandato, interrompido por um impeachment em dezembro de 1992, dois anos ap\u00f3s ter assumido a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A reeleita presidente Dilma Rousseff, teve o mesmo destino, pouco mais de um ano ap\u00f3s iniciar o seu segundo mandato. Assim, dos quatro presidentes eleitos ap\u00f3s o fim da ditadura militar &#8211; Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Dilma Roussef &#8211; dois foram defenestrados do cargo.<\/p>\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel que se busquem compara\u00e7\u00f5es, ainda mais porque Collor de Mello &#8211; depois de recuperar os seus direitos pol\u00edticos &#8211; foi eleito senador por Alagoas. A fortuna pol\u00edtica transformou-o de r\u00e9u em julgador, tendo cravado ontem seu voto pela condena\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, do PT, partido que comandou as principais manifesta\u00e7\u00f5es pelo seu impedimento, 24 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Mas, pelo menos em um quesito, Dilma e Collor se parecem: no desprezo ol\u00edmpico pelos rapap\u00e9s planaltinos, com seus tapinhas nas costas, convites para encontros sociais e obrigat\u00f3rias demonstra\u00e7\u00f5es de intimidade com baixo e alto cleros do parlamento. \u00c9 o famoso \u201ccarinho\u201d, que a maioria dos pol\u00edticos adora, para depois exibir em suas \u201cbases\u201d o quanto \u00e9 amigo dos poderosos.<\/p>\n<p>No pacote est\u00e1 inclu\u00edda &#8211; uma grande injusti\u00e7a ao Pobrezinho de Assis &#8211; a mais conhecida ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco: \u201c\u00c9 dando que se recebe\u201d. S\u00e3o quest\u00f5es que fazem parte dos maus costumes pol\u00edticos, mas que um mandat\u00e1rio \u00e9 obrigado a cultivar, se quiser sobreviver na selva brasiliense.<!--more--><\/p>\n<p>Juntando-se o desd\u00e9m pelos v\u00ednculos pessoais com um vezo autorit\u00e1rio, que despreza as necess\u00e1rias negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com os parlamentares, cria-se um caldo que come\u00e7a a ferver at\u00e9 chegar ao ponto de explodir a panela de press\u00e3o. (At\u00e9 onde d\u00e1 pra mover-se de modo republicano em tal p\u00e2ntano \u00e9 quest\u00e3o irrespondida.)<\/p>\n<p>Nessa toada, era inevit\u00e1vel que Dilma perdesse apoios, como Collor perdeu. A raz\u00e3o do impeachment da presidente n\u00e3o foram as \u201cpedaladas\u201d ou os \u201cdecretos de cr\u00e9dito\u201d, mas o isolamento pol\u00edtico que ela mesma procurou, a ponto de n\u00e3o conseguir ao menos 27 votos entre os senadores para livrar-se do impedimento.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s diferen\u00e7as, uma das mais importante entre as duas situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 que Collor estava completamente isolado, sem nenhum apoio na sociedade. Os principais setores sociais, as classes m\u00e9dias, sindicatos, movimentos populares e a imprensa, formaram uma s\u00f3lida frente em oposi\u00e7\u00e3o ao seu mandato. Sintomaticamente, um de seus apelos mais lembrados, \u00e9 a sua exclama\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00e3o de deixem s\u00f3\u201d. Dilma re\u00fane em torno de si alguns dos principais movimentos populares e as manifesta\u00e7\u00f5es de rua em seu favor, ainda que menores, rivalizaram com as de seus opositores.<\/p>\n<p>A respeito do processo em si, o de Collor foi muito mais r\u00e1pido do que transcorreu com Dilma. O de Collor foi finalizado em tr\u00eas meses &#8211; de setembro a dezembro de 1992; com Dilma foram nove meses, a contar de dezembro do ano passado. Contra Collor pesavam acusa\u00e7\u00f5es de beneficiar-se pessoalmente de il\u00edcitos; suspeitas que n\u00e3o existiam sobre a presidente deposta.<\/p>\n<p>Collor perdeu os direitos pol\u00edticos por oito anos, diferentemente de Dilma, que livrou-se dessa pena. Quando ficou decidido o \u201cfatiamento\u201d da vota\u00e7\u00e3o, ele lembrou que, no seu caso, o plen\u00e1rio do Senado decidiu manter o julgamento e cassar seus direitos pol\u00edticos, mesmo depois de ele ter renunciado ao mandato.<\/p>\n<p>O senador tamb\u00e9m disse que o impeachment de Dilma respeitou a Constitui\u00e7\u00e3o, mas considera que o seu impedimento foi um golpe. A avalia\u00e7\u00e3o dos petistas \u00e9 id\u00eantica, em ordem inversa.<\/p>\n<p>Para resolver a pendenga, talvez seja necess\u00e1rio recorrer a outra frase de Collor, que enfeitava camisetas que costumava usar em seus exerc\u00edcios f\u00edsicos: \u201cO tempo \u00e9 senhor da raz\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto para a editoria de Pol\u00edtica, edi\u00e7\u00e3o de 1\u00ba\/9\/2016 do O POVO. 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