{"id":18808,"date":"2016-10-01T16:03:09","date_gmt":"2016-10-01T19:03:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18808"},"modified":"2016-10-01T16:03:09","modified_gmt":"2016-10-01T19:03:09","slug":"ainda-seremos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/10\/01\/ainda-seremos-humanos\/","title":{"rendered":"Ainda seremos humanos?"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 2\/10\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Ainda seremos humanos?<\/strong><\/p>\n<p>Haveria algo em comum entre um professor de humanidades &#8211; para quem o homem era mais feliz na \u00e9poca pr\u00e9-revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, e cr\u00edtico do sistema capitalista &#8211; e um engenheiro, fundador do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, entidade financiada por grandes empresas transnacionais?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9: existe. E a preocupa\u00e7\u00e3o a uni-los \u00e9 o futuro da humanidade.<\/p>\n<p>Esse futuro pr\u00f3ximo transformar\u00e1 o homem em um deus, capaz de vencer as doen\u00e7as e a morte, combinar suas partes org\u00e2nicas com inorg\u00e2nicas (indiferencia\u00e7\u00e3o entre homem e m\u00e1quina), implantar extens\u00f5es de mem\u00f3ria, baix\u00e1-la em computador e \u201ceditar\u201d beb\u00eas para criar seres humanos programados.<\/p>\n<p>Estou falando de dois livros \u201cSapiens &#8211; Uma breve hist\u00f3ria da humanidade\u201d, do professor Yuval Noah Harari (j\u00e1 comentado nesta coluna), e \u201cA quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d, de Klaus Schwab, diretor do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial.<\/p>\n<p>As duas obras abordam o mesmo assunto, a partir de prismas diferentes, mas convergindo em pontos centrais. Harari v\u00ea as mudan\u00e7as de modo mais filos\u00f3fico; Schawab, de forma mais \u201ct\u00e9cnica\u201d, analisando seus efeitos pr\u00e1ticos, sem deixar de abordar os dilemas \u00e9ticos.<!--more--><\/p>\n<p>Schwab relaciona o desenvolvimento sem precedentes nas \u00e1reas da rob\u00f3tica, f\u00edsica, biotecnologia e inform\u00e1tica, em confronto com alguns regi\u00f5es do mundo que ainda n\u00e3o chegaram \u00e0 segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial (1,3 bilh\u00e3o de pessoas sem acesso \u00e0 eletricidade) ou \u00e0 terceira: quatro bilh\u00f5es de pessoas, metade da humanidade, vivem em pa\u00edses em desenvolvimento, sem acesso \u00e0 internet.<\/p>\n<p>Para ele, o futuro ser\u00e1 angustiante se os benef\u00edcios da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica n\u00e3o forem estendidos a todos os setores da sociedade. Para superar o problema, ele prop\u00f5e \u201crepensar\u201d os atuais sistemas econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos. Diz que as novas tecnologias provocar\u00e3o mudan\u00e7as econ\u00f4micas, sociais e culturais de propor\u00e7\u00f5es \u201cfenomenais\u201d, levando a uma \u201cgigantesca\u201d mudan\u00e7a hist\u00f3rica em todo o mundo.<\/p>\n<p>A quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial tamb\u00e9m poder\u00e1 trazer uma \u201cdesigualdade exacerbada\u201d, com grande redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de empregos, aumentando \u201co fosso crescente\u201d entre a riqueza dos que dependem do trabalho e aqueles que det\u00eam o capital\u201d. Ele d\u00e1 como exemplo as tr\u00eas maiores empresas automobil\u00edsticas de Detroit (1990) com 1,2 milh\u00e3o de empregados; e as tr\u00eas maiores empresas do Vale do Sil\u00edcio (2014), com 137 mil funcion\u00e1rios, com faturamento equivalente.<\/p>\n<p>Se a quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial se transformar em uma din\u00e2mica de \u201ctudo ao vencedor\u201d, entre pa\u00edses ou dentro deles, adverte Schwab, haver\u00e1 \u201cmaior n\u00famero de conflitos e tens\u00f5es sociais\u201d. Segundo ele, os l\u00edderes mundiais precisam assegurar que as mudan\u00e7as v\u00e3o melhorar a vida dos povos, caso contr\u00e1rio, \u201ca agita\u00e7\u00e3o social, a migra\u00e7\u00e3o em massa e o extremismo violento poder\u00e3o ser intensificados\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, afirma, ser\u00e1 preciso garantir que nenhuma parte do mundo fique para tr\u00e1s. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 um imperativo moral; \u00e9 um objetivo crucial para mitigar o risco de instabilidade mundial\u201d.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cap\u00edtulos, Schwab afirma que n\u00e3o est\u00e1 mudando apenas o que fazemos, mas o que somos. E aqui ele se encontra com Harari na inquieta\u00e7\u00e3o de que estamos no limiar de redefinir que \u00e9 ser \u201chumano\u201d.<br \/>\n(Se o diretor do F\u00f3rum Econ\u00f4mico vivesse no Brasil, sem d\u00favida, seria chamado de \u201cpetralha\u201d.)<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Primeira revolu\u00e7\u00e3o industrial (s\u00e9c. XVIII)<\/strong><br \/>\nDesenvolvimento da locomotiva e da m\u00e1quina a vapor e sua aplica\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria t\u00eaxtil.<\/p>\n<p><strong>Segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial (s\u00e9cs. XIX\/XX)<\/strong><br \/>\nEletricidade usada para produ\u00e7\u00e3o em massa. Desenvolvimento da ind\u00fastria qu\u00edmica, el\u00e9trica, de petr\u00f3leo e de a\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Terceira revolu\u00e7\u00e3o industrial (s\u00e9c. XX)<\/strong><br \/>\nDissemina\u00e7\u00e3o do uso da internet, tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e a digitaliza\u00e7\u00e3o. Surgimento de celulares, computadores pessoais, notebooks.<\/p>\n<p><strong>Quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial (s\u00e9c. XXI)<\/strong><br \/>\nFus\u00e3o de tecnologias, cruzamento das esferas f\u00edsicas, digitais e biol\u00f3gicas; realidade virtual misturada com o mundo f\u00edsico. Rob\u00f4s e softwares convivendo com seres humanos etc.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/o-homo-sapiens-e-sua-aventura-sobre-a-terra\/\" target=\"_blank\">O homo sapiens e sua aventura sobre a terra<\/a>: coment\u00e1rio ao livro do professor Yuval Harari.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 2\/10\/2016 do O POVO. Ainda seremos humanos? 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