{"id":18855,"date":"2016-11-12T16:01:49","date_gmt":"2016-11-12T19:01:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18855"},"modified":"2016-11-12T16:01:49","modified_gmt":"2016-11-12T19:01:49","slug":"o-que-aprendi-no-movimento-estudantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2016\/11\/12\/o-que-aprendi-no-movimento-estudantil\/","title":{"rendered":"O que aprendi no movimento estudantil"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 13\/11\/2016 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O que aprendi no movimento estudantil<\/strong><\/p>\n<p>Como os jovens de hoje eu tamb\u00e9m participei do movimento estudantil, fiz greves, fui a passeatas, corri da pol\u00edcia. Sendo um rapaz latino-americano (sem dinheiro no banco etc.), formado por aulas de Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica, e por uma cultura machista, preconceituosa e limitadora &#8211; pr\u00f3pria de cidades pequenas -, assombrei-me maravilhado com a diversidade da vida quando cheguei a S\u00e3o Paulo: rapazes e mo\u00e7as, talvez com hist\u00f3ria igual \u00e0 minha, abrindo uma picada em busca de novos caminhos, em plena ditadura, no meio dos anos 1970.<\/p>\n<p>O bonde da hist\u00f3ria estava passando diante dos meus olhos e somente algu\u00e9m muito insens\u00edvel n\u00e3o o teria agarrado, mesmo no papel de coadjuvante. Novos horizontes se descortinavam e eu queria ver, sentir, participar e aprender. Fui militante de uma organiza\u00e7\u00e3o trotskista, semiclandestina na \u00e9poca, a Converg\u00eancia Socialista.<\/p>\n<p>Vi nascer o movimento negro, os coletivos homossexuais e a retomada da luta feminista. Foi uma escola e nela muito aprendi, tanto com as pessoas que conheci quanto com as organiza\u00e7\u00f5es e partidos que combatiam pela democracia e pela liberdade, cujos militantes lideravam as lutas &#8211; greves, ocupa\u00e7\u00f5es de escolas, manifesta\u00e7\u00f5es de rua, confrontos com a pol\u00edcia: mais verbas para a educa\u00e7\u00e3o, elei\u00e7\u00e3o direta, anistia.<!--more--><\/p>\n<p>Claro que hoje sou uma pessoa diferente, passei a desacreditar em algumas coisas e acreditar em outras. N\u00e3o vejo mais, por exemplo, a revolu\u00e7\u00e3o ali na esquina e nem creio no para\u00edso na Terra, prometido pelo comunismo. Entanto, n\u00e3o renego o passado (nem o idealizo), pelo contr\u00e1rio, dou <em>gracias a la vida que me ha dado tanto<\/em>; foi nesse tempo que abri os olhos para o mundo, afiei meu pensamento e tornei-me uma pessoa mais cr\u00edtica; um tempo que ajudou a forjar o que sou hoje: n\u00e3o \u00e9 grande coisa eu sei &#8211; tenho convic\u00e7\u00e3o e provas -, mas d\u00e1 para o gasto.<\/p>\n<p>Partidos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sempre intervieram no movimento social. Acusar os estudantes de serem militantes \u00e9 querer cassar-lhes um direito democr\u00e1tico; considerar que s\u00e3o mera massa de manobra \u00e9 menosprezar-lhes a intelig\u00eancia. O movimento estudantil \u00e9 e sempre foi uma escola de l\u00edderes. E presumir que somente a esquerda se organiza politicamente, crendo que a direita \u00e9 formada por seres \u201capol\u00edticos\u201d, tecnocratas que querem apenas uma escola sem partido, ou qualquer outra gororoba, \u00e9 ingenuidade ou cegueira ou coisa pior.<\/p>\n<p>Pois bem, o governo Temer manda uma PEC ao Congresso, que vai cortar verbas da Educa\u00e7\u00e3o e dos programas sociais (apesar das negativas oficiais); quer fazer uma reforma do ensino na base da medida provis\u00f3ria. Esperar o qu\u00ea? Que os estudantes fa\u00e7am cara de paisagem, como se nada estivesse acontecendo? Que os partidos de oposi\u00e7\u00e3o aceitem sem questionar?<\/p>\n<p>Ora, foi um governo que assumiu por meio de um golpe, de uma conspirata, de uma manobra parlamentar &#8211; ou \u201clegalmente\u201d, pois \u00e0 vista do Supremo Tribunal Federal (STF), v\u00e1 l\u00e1. Mas onde est\u00e1 a legitimidade, onde est\u00e3o os votos do mandat\u00e1rio que o autorizem a aplicar tais medidas na base da for\u00e7a?<\/p>\n<p>Se os conspiradores pol\u00edticos imaginaram que bastava assumir a Presid\u00eancia para \u201cpacificar\u201d o Brasil, ca\u00edram no conto do vig\u00e1rio, quero dizer, do \u201cmercado\u201d, o principal indutor das pol\u00edticas do governo Temer, que est\u00e1 sendo usado para fazer o servi\u00e7o sujo.<\/p>\n<p>Se vai conseguir, n\u00e3o se sabe &#8211; os dados ainda est\u00e3o rolando -, mas o certo \u00e9 que, ao fim do jogo, independentemente do resultado, o impopular Temer ser\u00e1 pe\u00e7a inserv\u00edvel, e o \u201cmercado\u201d dar-lhe-\u00e1 um chute na mes\u00f3clise e deix\u00e1-lo-\u00e1 na rua da amargura.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Nova universidade<\/strong><br \/>\nSou coordenador de um programa de forma\u00e7\u00e3o de novos jornalistas e noto mudan\u00e7a no perfil dos estudantes que chegam ao jornal. \u00c9 cada vez maior o n\u00famero de alunos de fam\u00edlias remediadas, n\u00e3o brancos, e moradores da periferia que ingressam na Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC).<\/p>\n<p><strong>Debates<\/strong><br \/>\nNo programa \u201cDebates do Povo\u201d (r\u00e1dio O POVO\/CBN), o tema da edi\u00e7\u00e3o de 7\/11\/2016 foi a greve dos alunos da UFC. Isiane Silvestre representou o movimento de ocupa\u00e7\u00e3o na universidade. Moradora do Conjunto Palmeiras, ela \u00e9 doutoranda em Educa\u00e7\u00e3o pela Faced-UFC. Em uma de suas interven\u00e7\u00f5es, emocionada, falou da \u201cluta\u201d que uma pessoa de origem humilde precisa travar para chegar \u00e0 universidade. Para ela, a PEC 241\/55 vai dificultar mais ainda esse acesso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 13\/11\/2016 do O POVO. 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