{"id":18934,"date":"2017-02-19T18:46:53","date_gmt":"2017-02-19T21:46:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18934"},"modified":"2017-02-19T18:46:53","modified_gmt":"2017-02-19T21:46:53","slug":"movimento-devagar-chega-as-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2017\/02\/19\/movimento-devagar-chega-as-noticias\/","title":{"rendered":"Movimento &#8220;devagar&#8221; chega \u00e0s not\u00edcias"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o do <strong>O POVO<\/strong> de 19\/2\/2017.<\/p>\n<p><strong>Movimento \u201cdevagar\u201d chega \u00e0s not\u00edcias<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 dez anos um livro chamou-me a aten\u00e7\u00e3o enquanto flanava por uma livraria existente no subsolo do Shopping Aldeota. A capa, de amarelo chamativo, trazia o desenho de um tri\u00e2ngulo vermelho (imitando a placa de tr\u00e2nsito) e dentro dele o t\u00edtulo \u201cDEVAGAR &#8211; Como um movimento mundial est\u00e1 desafiando o culto da velocidade\u201d, finalizando com o desenho de uma tartaruga. O t\u00edtulo em ingl\u00eas \u00e9 \u201cIn praise of slow\u201d (algo como \u201celogio \u00e0 lentid\u00e3o\u201d), livro do jornalista escoc\u00eas Carl Honor\u00e9.<\/p>\n<p>Honor\u00e9, que achava curto o dia de 24 horas, incapaz de ficar sem fazer nada por alguns minutos &#8211; correndo pra cima e pra baixo como exige a profiss\u00e3o -, esperava impaciente na fila de um aeroporto, quando lhe pareceu haver encontrado a solu\u00e7\u00e3o para recuperar o tempo que o filho lhe tomava antes de dormir. Divisou em um jornal exposto no sagu\u00e3o o t\u00edtulo: \u201cA hist\u00f3ria para fazer dormir em um minuto\u201d, a respeito de um livro que prometia entregar a pais desesperados o resumo de contos de fada cl\u00e1ssicos para leitura em 60 segundos, garantindo o efeito sopor\u00edfero para crian\u00e7as insones.<\/p>\n<p>Antevendo os \u201cbenef\u00edcios\u201d, o jornalista se preparou para comprar os volumes dispon\u00edveis, quando o seu pisca-alerta disparou: estava tentando se livrar do filho para ter mais tempo para cumprir mais e mais tarefas a cada hora do dia.<\/p>\n<p>Foi quando resolveu fazer uma revis\u00e3o de suas prioridades e voltou-se \u00e0 pesquisa do movimento \u201cslow\u201d (devagar). Quando se fala desse movimento, a maioria lembra-se do \u201cslow food\u201d, um modo de preparar e comer as refei\u00e7\u00f5es de forma tranquila. No entanto, Honor\u00e9 viajou a v\u00e1rios pa\u00edses para mostrar que o movimento \u201cslow\u201d alcan\u00e7a v\u00e1rias outras \u00e1reas, como medicina, trabalho, lazer e sexo, este de modo a fru\u00ed-lo com menos pressa e mais intensidade, quem sabe, subjetivamente.<!--more--><\/p>\n<p>Quando Honor\u00e9 escreveu o livro, a presen\u00e7a da internet na vida das pessoas era bem menor em rela\u00e7\u00e3o aos dias atuais, por isso, o assunto n\u00e3o deve ter merecido um cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>Mas existe gente pensando no tema: alguns especialistas est\u00e3o sugerindo uma \u201cdieta\u201d de m\u00eddia como forma de enfrentar o bombardeio de not\u00edcias a que as pessoas est\u00e3o submetidas. Segundo reportagem do The New York Times \u00e9 como se viv\u00eassemos dentro de um \u201csupercolisor de not\u00edcias\u201d, o que estaria levando algumas pessoas ao afastamento de textos noticiosos ou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de seu consumo.<\/p>\n<p>Segundo o jornal, especialistas ainda n\u00e3o t\u00eam dados seguros para concluir se os consumidores v\u00eam mudando seus h\u00e1bitos de leitura para proteger a sa\u00fade mental, mas reconhecem que o \u201cecossistema de not\u00edcias\u201d mudou \u201cdrasticamente\u201d nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>Dan Gillmor, professor de Jornalismo da Universidade Estadual do Arizona, est\u00e1 defendo o \u201cmovimento devagar\u201d tamb\u00e9m para as not\u00edcias. Para ele, os jornalistas deveriam estar mais envolvidos no gerenciamento do \u201cfluxo insano\u201d de informa\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o. \u201cSeria melhor uma abordagem do tipo: \u2018Acalme-se\u2019\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>O debate me fez lembrar da f\u00e1bula de Esopo, \u201cO coelho e tartaruga\u201d, na qual os dois disputam uma corrida e a tartaruga vence. Moral da hist\u00f3ria: \u201cO lento, mas constante, vence a corrida\u201d.<\/p>\n<p>Mas, em se tratando de not\u00edcias, o melhor talvez seja nem t\u00e3o r\u00e1pido e nem t\u00e3o devagar. A medida \u00e9 aquela que permita \u00e0s pessoas processarem a not\u00edcia e delas tirarem as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para orientarem as suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Primeiro ou melhor?<\/strong><br \/>\nMuitos de meus colegas jornalistas consideram-me \u201cconservador\u201d quando se trata de estabelecer crit\u00e9rios jornal\u00edsticos. Sempre defendi que, melhor do que dar a not\u00edcia em primeiro lugar, \u00e9 entreg\u00e1-la de forma bem apurada ao leitor.<\/p>\n<p><strong>\u201cVerdade em constru\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><br \/>\nChegou-se a formular uma \u201cteoria\u201d da \u201cverdade em constru\u00e7\u00e3o\u201d. Isto \u00e9, vai-se publicando despreocupadamente nos meios eletr\u00f4nicos e, no decorrer do acontecimento, corrigem-se os erros da m\u00e1 apura\u00e7\u00e3o. Pode-se divulgar uma not\u00edcia incompleta na rede, mas a parte publicada tem de corresponder \u00e0 realidade.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\nThe New York Times:<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2017\/02\/01\/us\/news-media-social-media-information-overload.html?smid=tw-share&amp;_r=2\" target=\"_blank\"> Especialistas sugerem como ajustar sua dieta de m\u00eddia<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o do O POVO de 19\/2\/2017. 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