{"id":18976,"date":"2017-03-25T16:03:25","date_gmt":"2017-03-25T19:03:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18976"},"modified":"2017-03-25T16:03:25","modified_gmt":"2017-03-25T19:03:25","slug":"como-vivem-os-pobres-na-suica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2017\/03\/25\/como-vivem-os-pobres-na-suica\/","title":{"rendered":"Como vivem os pobres na Su\u00ed\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 26\/3\/2017 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/03\/Menu-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18977\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/03\/Menu-2-300x601.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"601\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/03\/Menu-2-300x601.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/03\/Menu-2-120x240.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/03\/Menu-2.jpg 390w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Como vivem os pobres na Su\u00ed\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente comentei nesta coluna o estudo do Banco Mundial propondo aumento dos recursos do Bolsa Fam\u00edlia para atender os \u201cnovos pobres\u201d gerados pela crise econ\u00f4mica. No Brasil, s\u00e3os consideradas em \u201cpobreza extrema\u201d fam\u00edlias com renda de R$ 77 por pessoa; a categoria \u201cpobre\u201d classifica fam\u00edlias com renda de R$ 154 por integrante.<\/p>\n<p>Que pa\u00edses do chamado \u201cterceiro mundo\u201d t\u00eam n\u00edvel elevado de pobreza \u00e9 de conhecimento geral. Menos comum \u00e9 descobrir que alguns pa\u00edses \u201cinsuspeitos\u201d da Europa, considerados ilhas de prosperidade, conhecidos por oferecerem condi\u00e7\u00f5es de vida \u00f3timas a seus habitantes, tamb\u00e9m t\u00eam os seus pobres &#8211; e programas sociais para atend\u00ea-los.<\/p>\n<p>Foi com certa surpresa que li no Swissinfo (portal de not\u00edcias da Su\u00ed\u00e7a em portugu\u00eas) o texto \u201cSupermercado para pobres: um \u2018esc\u00e2ndalo\u2019 que j\u00e1 dura 25 anos\u201d. A reportagem aborda uma iniciativa da C\u00e1ritas, que mant\u00e9m 24 lojas para atender pessoas de baixa renda em v\u00e1rias cidades da Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas o espanto foi tamb\u00e9m dos su\u00ed\u00e7os quando a primeira loja da C\u00e1ritas foi aberta em 1992, em Basileia, vendendo a pre\u00e7os abaixo do mercado ou mesmo simb\u00f3licos. Segundo Christoph Bossart, um dos pioneiros, a abertura da primeira mercearia causou \u201cgrande eco midi\u00e1tico\u201d, com alguns jornais propalando que \u201ca presen\u00e7a de uma loja para os pobres, num pa\u00eds rico como a Su\u00ed\u00e7a, era um esc\u00e2ndalo\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>Segundo Bossart, uma \u201cnova pobreza\u201d surgiu nos anos 1990. \u201cCada vez mais pessoas n\u00e3o conseguiam garantir a pr\u00f3pria subsist\u00eancia, mesmo tendo um emprego.\u201d Os clientes s\u00e3o aqueles considerados pobres na Su\u00ed\u00e7a: pessoas de baixa renda, endividados e dependentes do servi\u00e7o social ou de programa de complementa\u00e7\u00e3o de renda por invalidez ou aposentadoria.<\/p>\n<p>Ele diz que o objetivo das lojas continua o mesmo: \u201cAliviar os clientes que t\u00eam or\u00e7amento apertado\u201d. Com o dinheiro economizado, diz ele, sobra algum recurso para \u201cir ao cinema ou comprar um novo par de sapatos\u201d.<\/p>\n<p>Com aproximadamente oito milh\u00f5es de habitantes, cerca de 530 mil pessoas (6,6% da popula\u00e7\u00e3o) s\u00e3o consideradas abaixo da linha da pobreza na Su\u00ed\u00e7a. A refer\u00eancia para definir os que s\u00e3o pobres estabelece como refer\u00eancia a renda mensal de 2.600 francos para uma pessoa sozinha ou 4.900 francos para uma fam\u00edlia com duas crian\u00e7as. Ainda existem outras 500 mil pessoas em situa\u00e7\u00e3o financeira prec\u00e1ria, vulner\u00e1veis a um imprevisto que pode lan\u00e7\u00e1-las na indig\u00eancia. Um franco equivale a aproximadamente R$ 3, mas n\u00e3o se pode fazer uma compara\u00e7\u00e3o direta com o Brasil, pois o custo de vida na Su\u00ed\u00e7a \u00e9 mais alto.<\/p>\n<p>Para efeito comparativo, pode-se tomar uma campanha que os sindicatos su\u00ed\u00e7os fizeram em 2014 para estabelecer um sal\u00e1rio m\u00ednimo no pa\u00eds, de quatro mil francos, valor considerado b\u00e1sico para a manuten\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de quatro pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso observar ainda que o conceito de \u201cpobreza\u201d na Su\u00ed\u00e7a tamb\u00e9m difere da defini\u00e7\u00e3o brasileira. Observe que a C\u00e1ritas proporciona a compra de alimentos a pre\u00e7os mais baixos a pessoas de menor renda de modo a sobrar-lhes dinheiro para pequenos luxos, como divers\u00e3o ou \u201cum novo par de sapatos\u201d.<\/p>\n<p>Nas palavras de Christoph Bossart: \u201cN\u00e3o estamos falando de pessoas que vivem embaixo de pontes, como acontece em muitos pa\u00edses, o nosso sistema de assist\u00eancia social consegue restringir os efeitos da pobreza. Se algu\u00e9m depende da assist\u00eancia social e sabe administrar o seu dinheiro, pode viver muito decentemente\u201d.<\/p>\n<p>Nada que se equipare \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de brasileiros, v\u00edtimas da pobreza extrema, ou os simplesmente pobres, aos quais falta o m\u00ednimo essencial para uma vida digna.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Pobreza extrema<\/strong><br \/>\nFam\u00edlias com renda at\u00e9 R$ 77 por pessoa s\u00e3o consideradas miser\u00e1veis no Brasil. S\u00e3o 6,8 milh\u00f5es de pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o, n\u00famero que pode subir para 9,4 milh\u00f5es em 2017. A categoria \u201cpobre\u201d classifica fam\u00edlias com renda entre R$ 77,01 e R$ 154 por integrante.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nSegundo o Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de quatro pessoas (dois adultos e duas crian\u00e7as) no Brasil deveria ser de R$ 3.811,29 &#8211; sendo o valor oficial de R$ 937.<\/p>\n<p><strong>Sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/strong><br \/>\nDados do IBGE (2010) mostram que 72% dos brasileiros ganham at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, menos da metade do valor calculado pelo Dieese para dar conta das despesas de uma fam\u00edlia de quatro pessoas.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\nSWI: <a href=\"http:\/\/www.swissinfo.ch\/por\/economia\/pobreza-na-su%C3%AD%C3%A7a_supermercados-para-os-pobres--um--esc%C3%A2ndalo--que-j%C3%A1-dura-25-anos\/42880422?srg_evsource=newsletter&amp;ns_mchannel=email&amp;ns_source=swi-nl&amp;ns_campaign=nl-w%5B8%5D\" target=\"_blank\">portal de not\u00edcias da Su\u00ed\u00e7a<\/a>; Blog Pl\u00ednio: <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/banco-mundial-propoe-aumento-do-bolsa-familia-para-atender-os-novos-pobres\/\" target=\"_blank\">Banco Mundial prop\u00f5e aumento do Bolsa Fam\u00edlia para atender os &#8216;novos pobres\u2019\u201d<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 26\/3\/2017 do O POVO. 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