{"id":18990,"date":"2017-04-15T16:01:59","date_gmt":"2017-04-15T19:01:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=18990"},"modified":"2017-04-15T16:01:59","modified_gmt":"2017-04-15T19:01:59","slug":"renda-basica-universal-uma-saida-para-o-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2017\/04\/15\/renda-basica-universal-uma-saida-para-o-capitalismo\/","title":{"rendered":"Renda b\u00e1sica universal: uma sa\u00edda para o capitalismo"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 16\/4\/2017 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Renda b\u00e1sica universal: uma sa\u00edda para o capitalismo<\/strong><\/p>\n<p>O historiador holand\u00eas Rutger Bregman vem ganhando destaque no debate econ\u00f4mico e ideol\u00f3gico desde que lan\u00e7ou o livro \u201cUtopia para realistas\u201d, em que defende uma renda m\u00ednima universal a ser paga a ricos e pobres.<\/p>\n<p>Bregman diz que a renda b\u00e1sica seria a \u201cconquista mais importante do capitalismo\u201d para acabar com a desigualdade. Defende tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 15 horas semanais e a abertura de todas as fronteiras. Tempera a entrevista, ao jornal espanhol El Pa\u00eds, com cr\u00edticas ao \u201cpopulismo\u201d da direita, reservando para a esquerda o adjetivo de \u201cpaternalista\u201d, cutucando-a por seu discurso \u201cperdedor\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, h\u00e1 pelo menos 20 anos, o ex-senador Eduardo Suplicy (atualmente vereador em S\u00e3o Paulo) vem tentando implementar a renda m\u00ednima. Em 2004 ele conseguiu aprovar um projeto, sancionado pelo ent\u00e3o presidente Lula, que preconizava instituir por etapas a renda m\u00ednima, iniciando-se pelos mais pobres (Bolsa Fam\u00edlia). Suplicy considera que isso foi \u201cum passo\u201d em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cRenda B\u00e1sica de Cidadania\u201d, mesmo t\u00edtulo de um livro que ele escreveu sobre o assunto.<!--more--><\/p>\n<p>Eduardo Suplicy conceitua da seguinte maneira a Renda B\u00e1sica de Cidadania: \u201c\u00c9 uma renda suficiente para que uma pessoa possa prover suas necessidades vitais, como as de alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e outras, que ser\u00e1 paga pelo governo a toda e qualquer pessoa residente no pa\u00eds, inclusive<br \/>\n\u00e0s estrangeiras residentes h\u00e1 cinco anos ou mais no Brasil, n\u00e3o importa a sua origem, ra\u00e7a, sexo, idade, condi\u00e7\u00e3o civil ou mesmo socioecon\u00f4mica. Ser\u00e1 um direito \u00e0 cidadania igual para todos. Refere-se ao direito de todas as pessoas participarem, pelo menos um pouco, da riqueza comum de nossa na\u00e7\u00e3o. A ningu\u00e9m ser\u00e1 negado\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Bregman, a renda b\u00e1sica n\u00e3o deveria ser vista como um gasto, mas como \u201cinvestimento\u201d, afirmando existirem estudos cient\u00edficos provando que a pobreza \u00e9 algo que sai muito caro, gerando doen\u00e7as, mais delinqu\u00eancia e maus resultados escolares. Portanto, \u201cseria muito mais econ\u00f4mico<br \/>\nerradicar a pobreza do que combater os sintomas que ela causa\u201d.<\/p>\n<p>Do mesmo modo que Suplicy, o historiador holand\u00eas defende que os pobres saber\u00e3o utilizar corretamente o dinheiro recebido. \u201cAcredito na liberdade individual, as pessoas sabem o que fazer com suas vidas\u201d.<\/p>\n<p>Para o historiador, a implementa\u00e7\u00e3o da renda b\u00e1sica seria<br \/>\nfundamental para permitir \u201cpela primeira vez na hist\u00f3ria\u201d que as pessoas pudessem recusar trabalhos que n\u00e3o quisessem fazer. Um privil\u00e9gio, diz ele, hoje ao alcance apenas dos mais ricos; com a renda b\u00e1sica, seria um direito de todos. (\u00c9 de se lembrar o discurso da direita tupiniquim contra o Bolsa Fam\u00edlia queixando-se que, no campo, \u201cningu\u00e9m mais queria trabalhar\u201d, isto \u00e9, recebendo a di\u00e1ria miser\u00e1vel que os abonados pagavam aos pobres.)<\/p>\n<p>Para Bregman, \u00e9 poss\u00edvel reduzir a jornada de trabalho para 15 horas semanais. Diz que vivemos \u201catolados no trabalho\u201d por dois motivos. O consumismo: \u201cCompramos coisas de que<br \/>\nn\u00e3o temos necessidade para impressionar pessoas das quais n\u00e3o gostamos\u201d. E o que ele chama de \u201ctrabalho lixo\u201d, isto \u00e9, servi\u00e7os in\u00fateis como \u201cproduzir relat\u00f3rios que ningu\u00e9m ler\u00e1\u201d. Para o autor, atualmente cerca de 30% do trabalho que se faz no mundo \u00e9 in\u00fatil.<\/p>\n<p>Rutger Bregman faz cr\u00edticas \u00e0 direita, por seu discurso populista e \u00e0 esquerda, que, para ele \u201cs\u00f3 sabe ao que se op\u00f5e\u201d, sem apresentar propostas e \u201cpermanece com uma vis\u00e3o muito paternalista de ajudar a quem precisa\u201d &#8211; e prop\u00f5e \u201cvirar esse discurso ao avesso\u201d. (Ele se dirige \u00e0 esquerda europeia, mas, com algumas adapta\u00e7\u00f5es, serve tamb\u00e9m \u00e0 brasileira).<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Patriotismo<\/strong><br \/>\nO pr\u00f3prio Bregman considera \u201cradical\u201d a sua proposta de abrir todas as fronteiras. Mas diz que um pa\u00eds de \u201cpatriotismo forte\u201d deveria sentir-se orgulhoso por abri-las a imigrantes e refugiados, \u201cpois todos os grandes pa\u00edses da hist\u00f3ria da humanidade se basearam neles\u201d.<\/p>\n<p><strong>15 horas<\/strong><br \/>\nPerguntado sobre quantas horas trabalhava por semana, Ruger Bregman disse que, \u201ctalvez\u201d, trabalhe \u201czero hora\u201d. Ele diz n\u00e3o considerar trabalho o que faz, pois ningu\u00e9m o obriga a faz\u00ea-lo. \u201cMas eu gostaria de ver uma sociedade na qual cada um pudesse escolher livremente o seu trabalho&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Conf\u00facio<\/strong><br \/>\nLembra uma frase atribu\u00edda a Conf\u00facio: \u201cEscolha um trabalho que voc\u00ea ame e n\u00e3o ter\u00e1s que trabalhar um \u00fanico dia em sua vida\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito<\/strong><br \/>\nEl Pa\u00eds: <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/23\/economia\/1490287072_800265.html\" target=\"_blank\">A renda b\u00e1sica universal seria a maior conquista do<\/a><br \/>\ncapitalismo; P\u00e1gina de Eduardo Suplicy: <a href=\"http:\/\/eduardosuplicy.com.br\/renda-basica-de-cidadania\/\" target=\"_blank\">Renda B\u00e1sica de Cidadania<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 16\/4\/2017 do O POVO. 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