{"id":19047,"date":"2017-06-24T16:11:46","date_gmt":"2017-06-24T19:11:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=19047"},"modified":"2017-06-24T16:11:46","modified_gmt":"2017-06-24T19:11:46","slug":"associated-press-penitencia-se-da-censura-facebook-busca-facilita-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2017\/06\/24\/associated-press-penitencia-se-da-censura-facebook-busca-facilita-la\/","title":{"rendered":"Associated Press penitencia-se da censura; Facebook busca facilit\u00e1-la"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 25\/6\/2017 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/06\/Menu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19055\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/06\/Menu-300x616.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"616\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/06\/Menu-300x616.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/06\/Menu-120x246.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/06\/Menu.jpg 301w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Associated Press penitencia-se da censura; Facebook busca facilit\u00e1-la<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 de conhecimento geral que os principais jornais brasileiros apoiaram o golpe civil-militar de 1964 sob a desculpa de que havia \u201cclamor popular\u201d pedindo a deposi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart. Na verdade, ocorria o inverso: o governo de Jango tinha o apoio das camadas mais pobres, por\u00e9m era odiado pela elite empresarial e financeira.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a trucul\u00eancia foi aumentando, os jornais passaram a conviver com censores na reda\u00e7\u00e3o, a praticar a autocensura e a fazer concess\u00f5es, mas iniciaram a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura. Em situa\u00e7\u00e3o assim, como deveriam ter-se portado os jornais? Aceitar a censura, procurando fazer o melhor poss\u00edvel nas brechas e nas entrelinhas, ou rebelar-se, abertamente sob o risco de extin\u00e7\u00e3o, como aconteceu com o \u00daltima Hora e o Correio da Manh\u00e3?<\/p>\n<p><strong>Nazismo<\/strong><br \/>\nA Associated Press, uma das maiores ag\u00eancias de jornalismo (texto e fotografia) do mundo, em relat\u00f3rio recente, est\u00e1 prestando contas agora de sua perman\u00eancia em Berlim at\u00e9 1941, \u201capesar do golpe nazista \u00e0 liberdade de imprensa\u201d, conforme reportagem publicada no El Pa\u00eds. A ag\u00eancia est\u00e1 revisando todo o seu trabalho na Alemanha nazista: \u201cA passagem da censura \u00e0 autocensura\u201d e \u201co sil\u00eancio sobre certos abusos do Minist\u00e9rio da Propaganda do III Reich\u201d.<!--more-->Em 1933, o diretor da sucursal da AP em Berlim, Louis P. Lochner, justificou, ao escrit\u00f3rio de Nova York, o fato de ter engavetado uma fotografia mostrando um policial obrigando um empres\u00e1rio judeu a andar pelas ruas, de cal\u00e7as curtas, e com um cartaz antissemita pendurado no pesco\u00e7o. Escreveu Lochner na \u00e9poca: \u201cAbomino a censura e me sinto muito mal por n\u00e3o poder informar tudo o que sabemos (por\u00e9m) \u00e9 mais importante permanecer aqui (em Berlim)\u201d.<\/p>\n<p>Em 1935, sob o mesmo argumento, a AP cumpriu a lei nazista e expulsou todos os seus empregados judeus. Para a historiadora alem\u00e3 Harriet Scharnberg, a Associated Press aceitou as leis de controle da imprensa, \u201camoldando-se ao sistema de controle da imprensa da Alemanha nazista\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ajudando a censura<\/strong><br \/>\nVejamos hoje as grandes empresas da internet.<\/p>\n<p>O Facebook est\u00e1 de olho no imenso mercado chin\u00eas, e seu executivo principal, Mark Zuckerberg, procura manter boas rela\u00e7\u00f5es com os dirigentes do pa\u00eds, tendo se encontrado com o pr\u00f3prio presidente da China, Xi Jinping. Para ser aceito na China, o Facebook est\u00e1 desenvolvendo ferramentas para n\u00e3o deixar que determinados conte\u00fados apare\u00e7am em computadores e dispositivos m\u00f3veis, dependendo da localiza\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio. O objetivo \u00e9 ocultar a informa\u00e7\u00e3o, capitulando \u00e0 pol\u00edtica chinesa de censura.<\/p>\n<p>Por exemplo: not\u00edcias cr\u00edticas ao governo seriam barradas, por algoritmos, em todo o territ\u00f3rio chin\u00eas. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal New York Times. O Facebook j\u00e1 restringe conte\u00fados em outros pa\u00edses, como Paquist\u00e3o, R\u00fassia e Turquia. Por\u00e9m, o novo recurso seria mais um passo no controle da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo diz \u00e0 coluna o articulista do O POVO e professor de M\u00eddias Digitais W. Gabriel, em alguns casos os algoritmos jogam o conte\u00fado proibido (sexualidade, por exemplo, em pa\u00edses isl\u00e2micos) para o fim das consultas, onde raramente o internauta chega em suas buscas. Para ele, essa nova medida do Facebook abre um precedente perigoso. \u201cQuem garante que isso n\u00e3o ser\u00e1 usado para impor determinadas ideias ou favorecer a algum partido pol\u00edtico?\u201d, pergunta.<\/p>\n<p>A outra pergunta \u00e9: quanto tempo demorar\u00e1 o Facebook para fazer um relat\u00f3rio reconhecendo que, em nome dos neg\u00f3cios, usou seu poder para ajudar ditadores, comprometendo a sua suposta miss\u00e3o de \u201cTornar o mundo mais aberto e conectado\u201d?<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>TERCEIRIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>\nO Facebook n\u00e3o faria a censura diretamente, mas por meio de uma empresa \u201cparceira\u201d na China. Seria uma esp\u00e9cie de terceiriza\u00e7\u00e3o da censura.<\/p>\n<p><strong>EXPERIMENTO<\/strong><br \/>\nFuncion\u00e1rios do Facebook entrevistados pelo New York Times disseram que o software de censura \u00e9 um dos muitos experimentos discutidos para a poss\u00edvel entrada na China, o que n\u00e3o quer dizer que ser\u00e1 posto em funcionamento.<\/p>\n<p><strong>CR\u00c9DITO<\/strong><br \/>\nEl Pa\u00eds:<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/10\/cultura\/1497109033_878439.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Mancha do nazismo persegue Associated Press<\/a>; New York Times: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/11\/22\/technology\/facebook-censorship-tool-china.html?_r=2&amp;module=ArrowsNav&amp;contentCollection=Technology&amp;action=keypress&amp;region=FixedLeft&amp;pgtype=article\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook cria ferramenta de censura para voltar \u00e0 China<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 25\/6\/2017 do O POVO. 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