{"id":19188,"date":"2017-12-02T16:01:30","date_gmt":"2017-12-02T19:01:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=19188"},"modified":"2017-12-02T16:01:30","modified_gmt":"2017-12-02T19:01:30","slug":"google-facebook-e-o-monopolio-da-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2017\/12\/02\/google-facebook-e-o-monopolio-da-informacao\/","title":{"rendered":"Google, Facebook e o monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 3\/12\/2017 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-Pol\u00edtico.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19192\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-Pol\u00edtico-300x767.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"767\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-Pol\u00edtico-300x767.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-Pol\u00edtico-120x307.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-Pol\u00edtico.jpg 307w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Google, Facebook e o monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quem nunca sentiu vontade de ser funcion\u00e1rio do Google ou do Facebook, vendo aquelas imagens de um escrit\u00f3rio futurista, pufes coloridos e pessoas que parecem estar se divertindo em vez de trabalhar? Talvez voc\u00ea mude de ideia ao ler o depoimento de um \u201cchecador\u201d do Facebook, trabalhando oito horas por dia, de segunda a sexta-feira por um sal\u00e1rio m\u00ednimo: \u201cA meta para cada revisor era avaliar, por dia, 3.500 fotos, v\u00eddeos e textos denunciados. Mais de sete por minuto, ou um a cada 8,5 segundos\u201d. (Portal BBC Brasil.)<\/p>\n<p>Quantas vezes voc\u00ea j\u00e1 viu, desde que surgiu a onda da internet, os donos das empresas de tecnologia se apresentarem como os novos gurus da humanidade, esp\u00e9cie de semideuses cultuados por legi\u00f5es de \u201cf\u00e3s\u201d e pensou: \u201cEsses caras s\u00e3o mesmo benfeitores da humanidade\u201d?<\/p>\n<p>De minha parte, sempre mantive reserva, observando a manada. Por h\u00e1bito profissional (se bem que o ceticismo parece andar em falta no mercado) e por ter vivido um bocado de d\u00e9cadas, aprendi a n\u00e3o crer em milagres, sejam eles anunciados por profetas digitais ou anal\u00f3gicos \u2013 e tamb\u00e9m a tomar cuidado com disc\u00edpulos exaltados. Mas sei que a vaga \u00e9 por demais poderosa e h\u00e1 de nos arrastar a todos se o pancad\u00e3o continuar no mesmo ritmo.<\/p>\n<p>J\u00e1 abordei o assunto algumas vezes nesta coluna e a inquieta\u00e7\u00e3o voltou a assaltar-me depois de ler a \u00f3tima resenha \u2013 escrita para a revista Exame pelo jornalista Diogo Rodriguez* \u2013 do livro \u201cWorld without mind \u2013 The existential threat of big tech\u201d (\u201cMundo sem mente \u2013 A amea\u00e7a existencial das grandes empresas de tecnologia\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de Franklin Foer.<!--more--><\/p>\n<p>Diogo considera o livro uma esp\u00e9cie de complemento do longa-metragem \u201cO C\u00edrculo\u201d, que narra a hist\u00f3ria de Mae Holland, contratada por uma grande empresa de tecnologia, cujo nome d\u00e1 o t\u00edtulo ao filme. Era o emprego dos sonhos, com ambiente de trabalho encantador, muitas festas, alojamentos gratuitos e outros benef\u00edcios sociais, assim como o Google e o Facebook.<\/p>\n<p>Por\u00e9m Mae acaba se tornando uma esp\u00e9cie de prisioneira do C\u00edrculo, quando experimenta uma nova tecnologia da empresa, uma minic\u00e2mera que filma todos os seus passos. Sua vida passa a ser acompanhada por milh\u00f5es de pessoas. Os pol\u00edticos tamb\u00e9m come\u00e7am a usar o dispositivo, pois, segundo a propaganda da empresa, a \u201ctranspar\u00eancia total\u201d seria uma \u201cnova era de democracia mundial\u201d.<\/p>\n<p>No livro \u2013 continua Diogo \u2013 Foer centra-se no aspecto ideol\u00f3gico dessas empresas, mostrando a contradi\u00e7\u00e3o entre o discurso e a pr\u00e1tica. Exigem a transpar\u00eancia dos outros, por\u00e9m agem na obscuridade. Para o autor do livro \u201co que come\u00e7ou como um sonho agitado \u2013 a humanidade unida em uma \u00fanica rede transcendente \u2013 tornou-se a base do monop\u00f3lio\u201d. E v\u00ea a concentra\u00e7\u00e3o do poder do Google e do Facebook como \u201cpretexto para a domina\u00e7\u00e3o\u201d. Para ele, o que essas empresas querem \u2013 principalmente o Facebook \u2013\u00e9 a intimidade dos indiv\u00edduos, o que Foer chama de \u201ctranspar\u00eancia radical\u201d ou \u201ctranspar\u00eancia final\u201d.<\/p>\n<p>E, como h\u00e1 muito se sabe, informa\u00e7\u00e3o \u00e9 poder; assim, quem controla todas as informa\u00e7\u00f5es tem poder total. Portanto, nem \u00e9 preciso dizer que tal estado de coisas constitui-se perigo para a democracia. Afinal, claridade demais tamb\u00e9m cega.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>GOOGLE<\/strong><br \/>\nEncontrei uma entrevista de Franklin Foer na qual ele comenta como o jornalismo foi atingido negativamente por essas empresas de tecnologia; o mesmo que a Amazon fez com a ind\u00fastria de livros. (A prop\u00f3sito, usei o Google para fazer as pesquisas, para escrever este texto e para envi\u00e1-lo ao editor.)<\/p>\n<p><strong>SEM-TETO<\/strong><br \/>\nReportagem na Folha de S. Paulo exp\u00f5e como o alto pre\u00e7o dos alugu\u00e9is no Vale do Sil\u00edcio (Calif\u00f3rnia) \u2013 onde est\u00e3o instaladas as empresas de tecnologia \u2013 aumentou a quantidade de moradores de rua. Pessoas com \u201cempregos regulares\u201d, mas que n\u00e3o podem mais pagar tr\u00eas mil d\u00f3lares de aluguel. O \u201cboom da tecnologia\u201d produziu jovens com \u201cpatrim\u00f4nios astron\u00f4micos\u201d e, na outra ponta, reduziu pessoas \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p><strong>CR\u00c9DITO<\/strong><br \/>\nRevista Exame: <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/economia\/os-perigos-do-dominio-de-google-facebook-e-amazon\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os perigos do dom\u00ednio de Google, Facebook e Amazon<\/a>; Universidade da Pensilv\u00e2nia (em portugu\u00eas): <a href=\"http:\/\/www.knowledgeatwharton.com.br\/article\/um-mundo-sem-mente-perigosa-influencia-big-tech\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um mundo sem mente: a perigosa influ\u00eancia do Big Tech<\/a>; BBC Brasil: <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-41912670\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A rotina do brasileiro que moderava posts denunciados no Facebook<\/a>; Folha de S.Paulo: <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2017\/11\/1936485-carro-vira-moradia-para-trabalhadores-do-vale-do-silicio.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carro vira moradia para trabalhadores do Vale do Sil\u00edcio<\/a>.<\/p>\n<p>*Corrigido \u00e0s 19h36min de 3\/12\/2017: <strong>Rodriguez<\/strong>, com &#8220;z&#8221; \u00e9 o correto, antes grafado equivocadamente com &#8220;s&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 3\/12\/2017 do O POVO. 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