{"id":19250,"date":"2017-12-16T16:03:29","date_gmt":"2017-12-16T18:03:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=19250"},"modified":"2017-12-17T19:47:43","modified_gmt":"2017-12-17T21:47:43","slug":"desigualdade-que-desafia-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2017\/12\/16\/desigualdade-que-desafia-o-brasil\/","title":{"rendered":"A desigualdade que desafia o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 17\/12\/2017 do O POVO.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-19259\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu.jpg\" alt=\"\" width=\"345\" height=\"752\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu.jpg 345w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-300x654.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-120x262.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/><\/a>A desigualdade que desafia o Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Relat\u00f3rio da Oxfam Brasil, com o t\u00edtulo \u201cA dist\u00e2ncia que nos une &#8211; Um retrato das desigualdades brasileiras\u201d, faz uma profunda an\u00e1lise dessa chaga social. O estudo n\u00e3o traz nenhuma informa\u00e7\u00e3o nova para quem conhece minimamente o Pa\u00eds, pois os pesquisadores valeram-se de documentos oficiais j\u00e1 conhecidos. Mas \u00e9 chocante ver os dados reunidos e com an\u00e1lises mostrando os fatores que fomentam essa desigualdade.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o lhes faltasse decoro, a situa\u00e7\u00e3o deveria envergonhar os pol\u00edticos e uma elite insens\u00edvel, que agridem o Bolsa Fam\u00edlia, atacam as cotas e estufam o peito para falar de \u201cmeritocracia\u201d, sem perceber (na verdade percebem) que o ponto de partida dos pobres est\u00e1 a algumas l\u00e9guas de dist\u00e2ncia de um filho da classe m\u00e9dia ou dos herdeiros dos super-ricos. \u00c9 uma corrida desigual, do mesmo modo se, em uma prova de 100 metros rasos, Usain Bolt disputasse com um bando desses \u201cmeritocratas\u201d para ver quem chegaria em primeiro lugar.<!--more--><\/p>\n<p>Neste pa\u00eds cordial, com 207 milh\u00f5es de habitantes, apenas seis pessoas acumulam riqueza equivalente ao patrim\u00f4nio dos 100 milh\u00f5es de brasileiros mais pobres. Os 5% mais ricos ficam com a mesma fatia de renda que os demais 95%. Segundo os c\u00e1lculos da Oxfam, um trabalhador de sal\u00e1rio m\u00ednimo levaria 19 anos para receber o equivalente aos rendimentos de um super-rico em um \u00fanico m\u00eas.<\/p>\n<p>Mas o problema n\u00e3o se restringe ao Brasil, a desigualdade se alastra por v\u00e1rios pa\u00edses. No mundo, 700 milh\u00f5es de pessoas vivem com menos de US$ 1,90 por dia (aproximadamente R$ 6,00). Ao mesmo tempo, oito pessoas t\u00eam o mesmo patrim\u00f4nio que mais da metade da popula\u00e7\u00e3o pobre do mundo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave de tal maneira que o combate \u00e0 desigualdade deixou de ser apenas \u201ccoisa de comunista\u201d. Aumenta cada vez mais o n\u00famero de bilion\u00e1rios preocupados com esse cen\u00e1rio dram\u00e1tico. Talvez n\u00e3o ajam por benemer\u00eancia, mas por perceberem que esse tipo de \u201cdesenvolvimento\u201d \u00e9 insustent\u00e1vel: um modelo no qual a riqueza produzida pela sociedade vai apenas para o topo da pir\u00e2mide pode ser uma bomba-rel\u00f3gio.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 400 super-ricos escreveram cartas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestando-se contra a redu\u00e7\u00e3o de impostos que os beneficiaria. Outros tantos, principalmente os bilion\u00e1rios das novas empresas de tecnologia, est\u00e3o defendendo a renda m\u00ednima universal, assunto que j\u00e1 tratei nesta coluna.<\/p>\n<p>Na semana passada, resenhei o document\u00e1rio \u201cSalvando o capitalismo\u201d, baseado em um livro de mesmo t\u00edtulo, autoria de Robert Reich, ex-secret\u00e1rio do Trabalho no governo de Bill Clinton. No livro e no filme, ele defende que somente ser\u00e1 poss\u00edvel salvar o capitalismo se o sistema passar a distribuir melhor a riqueza produzida.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 saber se no atual est\u00e1gio do capitalismo ainda ser\u00e1 poss\u00edvel corrigir a rota ou se a concentra\u00e7\u00e3o da renda faz parte da l\u00f3gica do sistema; logo, n\u00e3o poderia ser mudada \u201cpor dentro\u201d. Se assim for, dois cen\u00e1rios s\u00e3o poss\u00edveis: 1) teremos uma sociedade absolutamente excludente, como no filme \u201cElysiun\u201d, com os multimilion\u00e1rios vivendo em uma esta\u00e7\u00e3o espacial, com a Terra reduzida a um enorme lix\u00e3o, habitada por seres humanos descart\u00e1veis; 2) o aumento brutal da desigualdade levar\u00e1 a uma revolta popular de propor\u00e7\u00f5es tsun\u00e2micas, cujo desfecho \u00e9 dif\u00edcil prever.<\/p>\n<p>Talvez seja a consci\u00eancia do risco embutido nessas duas possibilidades o motivo que levou alguns desses super-ricos a se lan\u00e7arem \u00e0 tarefa de tentar domar o monstro.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>O QUE FUNCIONA<\/strong><br \/>\nO relat\u00f3rio da Oxfam cita algumas pol\u00edticas que funcionam para reduzir as desigualdades: 1) cobran\u00e7a de impostos de forma progressiva e n\u00e3o regressiva, como \u00e9 hoje: os pobres pagam mais; 2) amplia\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos; 3) expans\u00e3o de programas de complementa\u00e7\u00e3o de renda; 4) melhoria na qualidade e no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal; 5) valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p><strong>O QUE TRAVA<\/strong><br \/>\nE alguns empecilhos que travam o caminho para uma sociedade mais justa: 1) corrup\u00e7\u00e3o; 2) influ\u00eancia excessiva do dinheiro na pol\u00edtica, criando grupos de influ\u00eancia que bloqueiam pol\u00edticas p\u00fablicas de interesse da popula\u00e7\u00e3o mais pobre; 3) distanciamento entre a \u201cclasse pol\u00edtica\u201d e a sociedade.<\/p>\n<p><strong>CR\u00c9DITO<\/strong><br \/>\nA Oxfam \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria brit\u00e2nica, com representa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, cuja miss\u00e3o \u00e9 combater a pobreza e a desigualdade. O relat\u00f3rio completo (em portugu\u00eas) <a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/sites\/default\/files\/arquivos\/Relatorio_A_distancia_que_nos_une.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pode ser visto aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 17\/12\/2017 do O POVO. 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