{"id":19267,"date":"2017-12-30T16:02:06","date_gmt":"2017-12-30T18:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=19267"},"modified":"2017-12-31T12:36:30","modified_gmt":"2017-12-31T14:36:30","slug":"19267","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2017\/12\/30\/19267\/","title":{"rendered":"Brasil, o pa\u00eds das desigualdades"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno People, edi\u00e7\u00e3o de 31\/12\/2017 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-19281\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-2.jpg\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"764\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-2.jpg 327w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-2-300x842.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-2-120x337.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/><\/a>Brasil, o pa\u00eds das desigualdades<\/strong><\/p>\n<p>Sei que tenho insistido no tema \u201cdesigualdade\u201d para falar da sociedade brasileira. Esse foi o assunto sobre o qual escrevi mais vezes neste \u201cMenu Pol\u00edtico\u201d, devem ter observado meus eventuais leitores. E, para encerrar o ano, volto ao assunto.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o isso pois creio que esse \u00e9 um problema que, por \u00f3bvio, atinge principalmente os pobres e desvalidos, as crian\u00e7as, as mulheres e os mais fr\u00e1geis, aqueles que n\u00e3o disp\u00f5em do m\u00ednimo necess\u00e1rio para chamar de digna a sua exist\u00eancia. Mas tamb\u00e9m p\u00f5e em risco toda a sociedade, inclusive os super-ricos &#8211; e uma certa classe m\u00e9dia -, que pensam estar a salvo atr\u00e1s de cercas el\u00e9tricas, guardas armados e carros blindados.<\/p>\n<p>A pobreza, por si s\u00f3, n\u00e3o leva ao crime, me dizem &#8211; e \u00e9 verdade -, mas a desigualdade \u00e9 um poderoso combust\u00edvel da viol\u00eancia. N\u00e3o fosse assim, os crimes de morte estariam distribu\u00eddos em todos os bairros de uma cidade, proporcionalmente \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o. No entanto, os assassinatos concentram-se em alguns bairros, justamente aqueles mais pobres. Alguma raz\u00e3o dever\u00e1 haver para isso: e os motivos est\u00e3o expressos nos \u00edndices de IDH (qualidade de vida), na diferen\u00e7a de renda, na aus\u00eancia de servi\u00e7os b\u00e1sicos do Estado, entre outras discrimina\u00e7\u00f5es que essas popula\u00e7\u00f5es sofrem ao longo da vida.<\/p>\n<p>Nos artigos que escrevi sobre o assunto citei estudos de diversas entidades governamentais ou da sociedade civil. Mesmo com abordagens diferentes, os n\u00fameros sempre chegam \u00e0 mesma conclus\u00e3o: a desigualdade no Brasil \u00e9 obscena.<\/p>\n<p>Segundo estudo mais recente da equipe de Thomas Piketty (autor de \u201cO capital no s\u00e9culo XXI\u201d), 27% da renda brasileira fica nas m\u00e3os do 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 a maior diferen\u00e7a de renda do planeta. O Brasil aparece \u00e0 frente da R\u00fassia (20%), EUA (20%), China (14%) e \u00cdndia (21%). Os dados analisados s\u00e3o de 2015. Os super-ricos brasileiros podem, inclusive, fazer inveja aos bilion\u00e1rios do Oriente M\u00e9dio, que aparecem na lista entesourando 26% da renda da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema se agrava ao se observar que a tend\u00eancia \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 mundial mundial, apesar de a renda crescer para todos, inclusive para os mais pobres. No entanto, os ricos ficam com a maior fatia dos resultados. Os economistas respons\u00e1veis pelo estudo avaliam que a situa\u00e7\u00e3o tende a se agravar ainda mais at\u00e9 o ano de 2050.<\/p>\n<p>Quando o recorte analisa a concentra\u00e7\u00e3o da renda entre os 10% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o, o Brasil tamb\u00e9m se destaca no \u201cp\u00f3dio da desigualdade no mundo\u201d. Na \u00c1frica subsaariana os 10% mais ricos ficam com 54% da renda, logo depois vem o Brasil e \u00cdndia (55%) e o Oriente M\u00e9dio (61%). Segundo o estudo, essas regi\u00f5es s\u00e3o as \u201cfronteiras da desigualdade\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontam o continente europeu como exemplo a ser seguido: os 10% mais ricos da regi\u00e3o ficam com 37% da renda, sendo essa disparidade a menor desde 1980. A \u201creceita\u201d a ser seguida est\u00e1 a tributa\u00e7\u00e3o progressiva de impostos e taxas altas sobre heran\u00e7a e controle rigoroso da evas\u00e3o fiscal, entre outras medidas, que levam \u00e0 maior equidade.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que &#8211; usando um clich\u00ea, por\u00e9m muito pertinente &#8211; estamos todos sentados em cima de um imenso barril de p\u00f3lvora e ningu\u00e9m parece se importar com o pavio, que fica cada vez mais curto.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>VIDA<\/strong><br \/>\nEstudo do IBGE divulgado recentemente, com o t\u00edtulo \u201cTipologia Intraurbana &#8211; Espa\u00e7os de diferencia\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica nas concentra\u00e7\u00f5es urbanas do Brasil\u201d, mostra que Fortaleza tem 63,1% de seus habitantes nas piores condi\u00e7\u00f5es de vida. Em contrapartida, apenas 12,1% dos habitantes est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es consideradas boas.<\/p>\n<p><strong>POBREZA<\/strong><br \/>\nOutro estudo do IBGE revela que 43,5% da popula\u00e7\u00e3o nordestina e 42,1% dos moradores do Norte do pa\u00eds vivem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, fam\u00edlias com renda domiciliar inferior a R$ 387\/m\u00eas por pessoa.<\/p>\n<p><strong>EXTREMA POBREZA<\/strong><br \/>\nO Nordeste (7,2%) e o Norte (6,9%) tamb\u00e9m t\u00eam os maiores \u00edndices de pessoas vivendo em extrema pobreza, domic\u00edlios com renda inferior a R$ 85\/m\u00eas por pessoa.<\/p>\n<p><strong>CR\u00c9DITO<\/strong><br \/>\nInstituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica &#8211; <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>IBGE<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno People, edi\u00e7\u00e3o de 31\/12\/2017 do O POVO. 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