{"id":19271,"date":"2017-12-23T17:04:19","date_gmt":"2017-12-23T19:04:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=19271"},"modified":"2017-12-24T12:54:07","modified_gmt":"2017-12-24T14:54:07","slug":"o-marqueteiro-e-o-limite-da-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2017\/12\/23\/o-marqueteiro-e-o-limite-da-etica\/","title":{"rendered":"O \u201cmarqueteiro\u201d e o limite da \u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 24\/12\/2017 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-19274\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-1.jpg\" alt=\"\" width=\"355\" height=\"620\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-1.jpg 355w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-1-300x524.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2017\/12\/Menu-1-120x210.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><\/a>O \u201cmarqueteiro\u201d e o limite da \u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>Quanto eu era menino pequeno, morando na periferia, meu pai afixou um cartaz \u00e0 frente de nossa modesta resid\u00eancia: \u201cCuidado, cachorro bravo\u201d. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos cachorro, quanto mais bravo; nosso animal de estima\u00e7\u00e3o era uma simp\u00e1tica cabritinha, mansa que s\u00f3 ela, criada em casa, na mamadeira.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de meu pai, com sua inocente mentira &#8211; que n\u00e3o faria mal a ningu\u00e9m -, era preservar dos amigos do alheio a produ\u00e7\u00e3o de meia d\u00fazia de laranjeiras e algumas galinhas, que ciscavam no terreiro dos fundos. (Sim havia um tempo em que se roubavam laranjas e galinhas. Hoje se fabricam laranjas, os pol\u00edticos, e galinhas viraram \u201cchesters\u201d, produzidos em escala industrial.)<\/p>\n<p>A lembran\u00e7a veio-me \u00e0 mem\u00f3ria quando li no portal do El Pa\u00eds a not\u00edcia sobre \u201cO marqueteiro brasileiro que importou o m\u00e9todo da campanha de Trump para usar (nas elei\u00e7\u00f5es brasileiras) em 2018\u201d. Andr\u00e9 Torretta, o tal \u201cmarqueteiro\u201d, associou-se \u00e0 Cambridge Analytica, empresa brit\u00e2nica que trabalhou na pol\u00eamica campanha do presidente americano Donald Trump. A reportagem come\u00e7a com uma explana\u00e7\u00e3o de Torreta, esta:<\/p>\n<p>\u201cEu comprei uma praia e n\u00e3o quero que as pessoas entrem. Qual \u00e9 a melhor placa para eu fincar na areia? Essa, dizendo que a praia \u00e9 privada, ou essa, dizendo que a praia tem tubar\u00e3o? A que tem tubar\u00e3o funciona mais\u201d, conclui, rindo, mostrando as placas em um Power Point. Continua Torreta: \u201cSe n\u00e3o houver tubar\u00e3o na praia ser\u00e1 uma mentira, certo? Se n\u00e3o tiver tubar\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 uma fake news. Eu n\u00e3o vou fazer isso (nas campanhas pol\u00edticas nas quais pretende atuar), mas isso existe, \u00e9 poss\u00edvel e d\u00e1 para ser feito, no limite da \u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>Tr\u00eas coisas sobre a apresenta\u00e7\u00e3o do \u201cmarqueteiro\u201d.<\/p>\n<p>1) Ele poderia ter escolhido um exemplozinho melhor para a sua fake news: o medo de haver tubar\u00e3o nas \u00e1guas do mar n\u00e3o impede, por exemplo, que farofeiros invadam a sua praia particular e se aboletem na areia.<\/p>\n<p>2) Estaria ele no \u201climite da \u00e9tica\u201d se o uso da placa, o fake news, se limitasse aos efeitos do ing\u00eanuo do cartaz do meu pai. Mas todos sabemos &#8211; o \u201cmarqueteiro\u201d mais do que ningu\u00e9m &#8211; o impacto delet\u00e9rio e perigoso de uma not\u00edcia falsa, repetida para milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>3) \u00c9 de se duvidar que a Cambridge Analytica tenha respeito aos \u201climites da \u00e9tica\u201d, levando-se em contra a campanha de Trump e a do Brexit (sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia), na qual a empresa tamb\u00e9m esteve envolvida.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que a Analytica quer testar no Brasil o m\u00e9todo utilizado na campanha de Trump. Esse modelo consiste em trabalhar com quantidades gigantescas de informa\u00e7\u00e3o &#8211; o conceito de \u201cbig data\u201d &#8211; analisando-as de modo a enviar informa\u00e7\u00f5es personalizadas a cada pessoa, manejando a \u201cpsicologia comportamental\u201d para convenc\u00ea-la a aceitar ou rejeitar determinada ideia, pol\u00edtica ou econ\u00f4mica, usando, principalmente, as redes sociais. Os m\u00e9todos para chegar a isso ainda s\u00e3o obscuros.<\/p>\n<p>Em seu portal, a companhia afirma ter cerca de cinco mil tipos de informa\u00e7\u00e3o de mais de 220 milh\u00f5es de americanos. Ou seja, cinco mil informa\u00e7\u00f5es a respeito de cada um dessas 220 milh\u00f5es de pessoas. Alguns especialistas dizem que, cruzando esses dados, a Analytica \u00e9 capaz de saber mais sobre um determinado indiv\u00edduo do que ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Por aqui ainda \u00e9 desconhecida quantidade de informa\u00e7\u00f5es \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da empresa. Por\u00e9m, conseguir dados sobre os brasileiros, em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, \u00e9 a coisa mais f\u00e1cil do mundo. Fora as informa\u00e7\u00f5es que as pessoas oferecem, voluntariamente, nas redes sociais.<\/p>\n<p>Portanto, caro eleitor, olho vivo para n\u00e3o se transformar em joguete nas m\u00e3os de marqueteiros, que v\u00e3o fazer as t\u00e1ticas de Jo\u00e3o Santana e Duda Mendon\u00e7a parecerem coisas de crian\u00e7a.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>CONSERVADORES<\/strong><br \/>\nA Analytica costuma trabalhar para candidatos conservadores. Um de seus investidores \u00e9 Robert Mercer, bilion\u00e1rio republicano. Steve Bannon, que foi estrategista-chefe de Trump, fazia parte do conselho administrativo da empresa.<\/p>\n<p><strong>CR\u00c9DITO<\/strong><br \/>\nEl Pa\u00eds: <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/11\/politica\/1507723607_646140.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O marqueteiro brasileiro que importou o m\u00e9todo da campanha deTrump<\/a>; Valor Econ\u00f4mico: <a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/empresas\/4896618\/apos-trump-e-brexit-cambridge-analytica-vai-operar-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ap\u00f3s Trump e Brexit, Cambridge Analytica vai operar no Brasil<\/a>; Folha de S.Paulo: <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2017\/12\/1940938-empresa-que-atuou-na-campanha-de-trump-chega-ao-brasil.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Empresa que atuou na campanha de Trump chega ao Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 24\/12\/2017 do O POVO. 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