{"id":19500,"date":"2018-06-28T00:02:06","date_gmt":"2018-06-28T03:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=19500"},"modified":"2018-06-27T12:32:20","modified_gmt":"2018-06-27T15:32:20","slug":"atras-das-grades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2018\/06\/28\/atras-das-grades\/","title":{"rendered":"Atr\u00e1s das grades"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na editoria de Opini\u00e3o, 28\/6\/2018, <strong>O POVO.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Atr\u00e1s das grades<\/strong><\/p>\n<p>Reportagem do jornalista <strong>Thiago Paiva<\/strong> (edi\u00e7\u00e3o de 26\/6\/2018), mostra um caso exemplar &#8211; por\u00e9m n\u00e3o incomum &#8211; de falha do <strong>sistema judici\u00e1rio<\/strong> cearense, que deve repetir-se Brasil afora. Um homem ficou preso <strong>sete anos a mais<\/strong> do que deveria, caso a pena fosse aplicada corretamente<\/p>\n<p>Pelos <strong>crimes<\/strong> de tentativa de furto, furto e recepta\u00e7\u00e3o &#8211; nenhum com viol\u00eancia &#8211; o jovem, 20 anos \u00e0 \u00e9poca, foi sentenciado a 5 anos e seis meses de <strong>reclus\u00e3o<\/strong>. Pelo regime de progress\u00e3o, deveria passar a cumprir a pena em liberdade no intervalo de dois anos. No entanto, ficou atr\u00e1s das grades por <strong>9 anos e 29 dias<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cFoi preso um jovem e saiu um homem semianalfabeto, sem profiss\u00e3o, enfermo (contraiu tuberculose no pres\u00eddio), sem dinheiro e com fam\u00edlia pobre no interior\u201d, disse a defensora p\u00fablica de Mato Grosso, <strong>Jacqueline Gevizier<\/strong>, que est\u00e1 no Cear\u00e1 participando do programa Defensoria sem Fronteiras.<\/p>\n<p><strong>Desorientado<\/strong> e chorando, o rapaz disse \u00e0 defensora ter o objetivo de \u201creconstruir a vida\u201d. Por\u00e9m, nas condi\u00e7\u00f5es em que saiu da cadeia, ele pode ser tragado pelo <strong>destino<\/strong>: \u201cNo primeiro dia, passa fome, no segundo, mendiga, no terceiro, quando a situa\u00e7\u00e3o apertar\u2026\u201d<\/p>\n<p>Em resumo, o <strong>Estado<\/strong>, recusou-lhe a oportunidade de recupera\u00e7\u00e3o. Preferiu trancafi\u00e1-lo, destruindo-lhe a vida, em vez de aplicar pena alternativa, em que o punido pudesse ser \u00fatil \u00e0 <strong>sociedade<\/strong>. Quem pagar\u00e1 por isso? Quantos mais homens e mulheres passam pelo <strong>mesmo drama<\/strong>, neste momento?<\/p>\n<p>Enquanto a m\u00e9dia nacional de <strong>presos provis\u00f3rios<\/strong> (sem condena\u00e7\u00e3o) \u00e9 de 34,4%, no Cear\u00e1 o percentual sobe para 66%. Para Jacqueline Gevizier, o Judici\u00e1rio cearense peca pelo <strong>\u201cexcesso de punitivismo\u201d<\/strong>. Mas corre para discordar \u201ccompletamente\u201d o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Cearense de Magistrados, <strong>Ricardo Alexandre<\/strong>, afirmando que \u201cas normas legais est\u00e3o sendo cumpridas\u201d. Confrontado com o <strong>caso real<\/strong>, ele evitou declara\u00e7\u00f5es, alegando n\u00e3o conhecer o processo.<\/p>\n<p>Alguns <strong>ju\u00edzes<\/strong> agem assim: quando querem expor sua opini\u00e3o falam \u201cem tese\u201d; quando querem omiti-la, apelam para o desconhecimento da demanda, mesmo frente \u00e0 <strong>realidade escancarada<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na editoria de Opini\u00e3o, 28\/6\/2018, O POVO. 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