{"id":19719,"date":"2018-12-20T00:01:04","date_gmt":"2018-12-20T02:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=19719"},"modified":"2018-12-19T22:22:21","modified_gmt":"2018-12-20T00:22:21","slug":"leitura-distorcida-da-constituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2018\/12\/20\/leitura-distorcida-da-constituicao\/","title":{"rendered":"Leitura distorcida da Constitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na editoria de Opini\u00e3o, <strong>O POVO<\/strong>, edi\u00e7\u00e3o d 20\/12\/2018.<\/p>\n<p><strong>Leitura distorcida da Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Entendo como razo\u00e1vel a pris\u00e3o depois da condena\u00e7\u00e3o em <strong>segunda inst\u00e2ncia<\/strong>. Quando o processo chega a essa fase j\u00e1 passou pela investiga\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e j\u00e1 recebeu a <strong>senten\u00e7a<\/strong> do juiz de primeiro grau, portanto, h\u00e1 um apropriado grau de certeza de que o acusado cometeu o crime que lhe \u00e9 atribu\u00eddo. Outra <strong>proposta<\/strong>\u00a0para evitar recursos infind\u00e1veis, seria ter o STJ como terceira inst\u00e2ncia, pois, na pr\u00e1tica, o Brasil tem quatro <strong>graus<\/strong> de jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, para <strong>continuar<\/strong>, gostaria que os eventuais leitores lessem com cuidado o que est\u00e1 escrito no <strong>artigo 5\u00ba, inciso LVII<\/strong> da Constitui\u00e7\u00e3o: \u201cNingu\u00e9m ser\u00e1 considerado culpado at\u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria\u201d. Depois, o que reza o <strong>artigo 283 do C\u00f3digo de Processo Penal<\/strong>: \u201cNingu\u00e9m poder\u00e1 ser preso sen\u00e3o em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judici\u00e1ria competente, em decorr\u00eancia de senten\u00e7a condenat\u00f3ria transitada em julgado ou, no curso da investiga\u00e7\u00e3o ou do processo, em virtude de pris\u00e3o tempor\u00e1ria ou pris\u00e3o preventiva\u201d.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o agora, leitura atenta da <strong>defini\u00e7\u00e3o<\/strong> de \u201ctr\u00e2nsito em julgado\u201d, de um dicion\u00e1rio online de termos jur\u00eddicos, recomendado pelo portal do <strong>STF<\/strong>: \u201cDiz-se que a demanda transitou em julgado quando a senten\u00e7a tornou-se definitiva, n\u00e3o podendo mais ser modificada, seja por ter transcorrido o prazo para a interposi\u00e7\u00e3o de eventuais recursos, seja por n\u00e3o caber mais recurso sobre ela\u201d. Agora, <strong>pe\u00e7o licen\u00e7a<\/strong> para resumir. Pelo exposto, o r\u00e9u s\u00f3 pode ser privado de sua liberdade quando o processo for <strong>conclu\u00eddo<\/strong>, quando n\u00e3o houver mais como alter\u00e1-lo de jeito nenhum; quando o caso estiver definitivamente encerrado.<\/p>\n<p>Fico assim me perguntando que tipo de <strong>leitura criativa<\/strong>, melhor dizendo, <strong>distorcida<\/strong> pode levar algu\u00e9m a apreender que um sujeito pode ser preso, depois de ser condenado em segundo inst\u00e2ncia, sem <strong>mandar \u00e0s favas<\/strong> a lei ordin\u00e1ria e a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Certo, \u00e9 <strong>revoltante<\/strong> a morosidade e tamb\u00e9m assistir a criminosos de colarinho branco ou n\u00e3o escapando da Justi\u00e7a pelas brechas do Judici\u00e1rio. Mas ser\u00e1 que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 rasgar a Constitui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>(Abastra\u00ed, na an\u00e1lise, qualquer caso ou personagem em particular, mas voc\u00eas, leitores, n\u00e3o est\u00e3o obrigados a isso.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na editoria de Opini\u00e3o, O POVO, edi\u00e7\u00e3o d 20\/12\/2018. 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