{"id":19919,"date":"2019-04-25T00:03:44","date_gmt":"2019-04-25T03:03:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=19919"},"modified":"2019-04-24T10:41:00","modified_gmt":"2019-04-24T13:41:00","slug":"a-imprensa-e-a-liberdade-para-errar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2019\/04\/25\/a-imprensa-e-a-liberdade-para-errar\/","title":{"rendered":"A imprensa e a liberdade para errar"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado no <strong>O POVO<\/strong>, editoria de Opini\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o de 25\/4\/2019.<\/p>\n<p><strong>A imprensa e a liberdade para errar<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea publica uma mat\u00e9ria chamando algu\u00e9m de criminoso, acusando algu\u00e9m de ter participado de um esquema, e isso \u00e9 uma inverdade, tem que ser tirado do ar. Ponto.\u201d (<strong>Dias Toffoli<\/strong>, presidente do Supremo Tribunal Federal.)<\/p>\n<p>No ano de 1964 J.B. Sullivan, comiss\u00e1rio do Departamento de Pol\u00edcia em Montgomery (Alabama), derrotou o <strong>New York Times<\/strong> no tribunal estadual, que foi condenado a pagar-lhe indeniza\u00e7\u00e3o de 500 mil d\u00f3lares. O policial recorrera \u00e0 Justi\u00e7a pelo fato de o jornal ter publicado um <strong>an\u00fancio publicit\u00e1rio<\/strong> (assinado por uma associa\u00e7\u00e3o de defesa dos afro-americanos), acusando a pol\u00edcia de agir <strong>arbitrariamente<\/strong>, provocando uma \u201conda de terror sem precedentes\u201d contra defensores dos direitos civis.<\/p>\n<p>Sullivam apontou erros factuais no an\u00fancio, e o tribunal do Alabama entendeu que a <strong>Primeira Emenda<\/strong> da Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o protegia publica\u00e7\u00f5es difamat\u00f3rias. O caso chegou \u00e0 Suprema Corte. A quest\u00e3o era saber se, devido aos <strong>erros factuais<\/strong> e \u00e0 suposta difama\u00e7\u00e3o, a publica\u00e7\u00e3o perderia a prote\u00e7\u00e3o constitucional.<\/p>\n<p>Em seu voto, o relator do processo <strong>William Brennan<\/strong>, escreveu que erros s\u00e3o inevit\u00e1veis e exigir o \u201cteste da verdade\u201d teria o efeito paralisante da <strong>autocensura<\/strong>. Pelo racioc\u00ednio do juiz, mesmo aqueles que t\u00eam certeza do que escrevem poderiam ter medo de n\u00e3o prov\u00e1-lo em ju\u00edzo, ficando sujeitos a pagar indeniza\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias, sufocando a <strong>liberdade de express\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Assim, anotou Brennan, em assuntos p\u00fablicos, eventuais erros n\u00e3o devem impedir o debate \u201clivre, robusto e aberto\u201d. Quanto ao conte\u00fado <strong>difamat\u00f3rio<\/strong>, a Corte indicou que tamb\u00e9m est\u00e1 protegido constitucionalmente, quando o debate for de <strong>interesse p\u00fablico<\/strong>. Assim, agentes p\u00fablicos e o governo t\u00eam de suportar eventuais ataques veementes, c\u00e1usticos e desagrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em resumo, a <strong>Suprema Corte dos Estados Unidos<\/strong> decidiu que, em uma discuss\u00e3o livre, de interesse p\u00fablico, est\u00e3o protegidos pela Primeira Emenda &#8211; al\u00e9m de poss\u00edveis erros factuais &#8211; tamb\u00e9m o conte\u00fado <strong>difamat\u00f3rio<\/strong>.<\/p>\n<p>Lembrei do caso ao ler a declara\u00e7\u00e3o de Dias Toffoli, citada acima. Conto melhor o epis\u00f3dio artigo <a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/03\/22\/o-direito-de-difamar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>O direito de difamar<\/strong><\/a>, escrito quando o julgamento completou 50 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado no O POVO, editoria de Opini\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o de 25\/4\/2019. 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