{"id":20406,"date":"2020-04-02T09:20:08","date_gmt":"2020-04-02T12:20:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=20406"},"modified":"2020-04-02T09:20:08","modified_gmt":"2020-04-02T12:20:08","slug":"os-limites-do-estado-minimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2020\/04\/02\/os-limites-do-estado-minimo\/","title":{"rendered":"Os limites do \u201cEstado m\u00ednimo\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na editoria de Opini\u00e3o, O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 2\/4\/2020.<\/p>\n<p><strong>Os limites do \u201cEstado m\u00ednimo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Dia desses ouvi de uma comentarista de economia de TV (cito de mem\u00f3ria): \u201cComo a situa\u00e7\u00e3o mudou eu tamb\u00e9m mudo o meu pensamento\u201d. Ela procurava justificar por que passou a defender a interven\u00e7\u00e3o estatal na economia devido \u00e0 crise provocada pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Antes, a preocupa\u00e7\u00e3o da jornalista era com o \u201cequil\u00edbrio\u201d das contas p\u00fablicas. Por isso ficou a favor das reformas e do teto de gastos, limitante das despesas p\u00fablicas. Por\u00e9m, diante da circunst\u00e2ncia emergencial, ela disse ter mudado de opini\u00e3o, passando a defender o aporte de recursos p\u00fablicos, principalmente para o pagamento de uma renda b\u00e1sica para os setores mais empobrecidos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vejam, se encontramos recursos para tomar tais medidas agora &#8211; em conjuntura de crise mundial -, qual era o impeditivo de faz\u00ea-lo antes, quando a situa\u00e7\u00e3o era menos grave no Brasil e no mundo? Se tiv\u00e9ssemos um Pa\u00eds sem pessoas vivendo na mis\u00e9ria, com empregos garantidos, morando em habita\u00e7\u00f5es decentes, providas de saneamento b\u00e1sico; al\u00e9m de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o de qualidade, estar\u00edamos em melhores ou piores condi\u00e7\u00f5es para enfrentar o novo coronav\u00edrus?<\/p>\n<p>No entanto, deixamos de implementar as chamadas medidas \u201cantic\u00edclicas\u201d por mera rejei\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u00c9 que ainda sobrevive na imagina\u00e7\u00e3o de muitos economistas liberais &#8211; Paulo Guedes inclu\u00eddo &#8211; a m\u00e1xima do ex-ministro da Economia, Delfim Netto: \u201cO bolo precisa crescer primeiro para depois ser dividido\u201d. Traduzindo, locupletem-se bancos e super-ricos que, l\u00e1 na frente, v\u00e3o sobrar alguns trocados para os pobres. Entretanto, ao mesmo tempo, aumenta o n\u00famero de economistas abra\u00e7ando a tese de que o crescimento s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel e sustentado se houver redu\u00e7\u00e3o das desigualdades econ\u00f4micas e sociais.<\/p>\n<p>Mas foi necess\u00e1ria uma pandemia para desnudar completamente os limites do chamado \u201cEstado m\u00ednimo\u201d, mostrando que a renda b\u00e1sica de cidadania n\u00e3o era apenas um devaneio do principal defensor dessa pol\u00edtica, o ex-senador &#8211; hoje vereador em S\u00e3o Paulo, Eduardo Suplicy. Trata-se, na verdade, da corre\u00e7\u00e3o de uma injusti\u00e7a hist\u00f3rica. Mas \u00e9 preciso que ela permane\u00e7a e se amplie, mesmo depois que tudo isso passar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo publicado na editoria de Opini\u00e3o, O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 2\/4\/2020. 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