{"id":2210,"date":"2009-08-31T05:13:32","date_gmt":"2009-08-31T08:13:32","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=2210"},"modified":"2009-08-31T05:13:32","modified_gmt":"2009-08-31T08:13:32","slug":"moveis-coloniais-de-acaju-faz-imprensa-cair-em-pegadinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2009\/08\/31\/moveis-coloniais-de-acaju-faz-imprensa-cair-em-pegadinha\/","title":{"rendered":"M\u00f3veis Coloniais de Acaju faz imprensa cair em pegadinha"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 muito mais frequente do que se imagina a imprensa publicar, confiando nas fontes, informa\u00e7\u00f5es que depois se revelam falsas.<\/p>\n<p>A mais recente \u00e9 a que envolve a banda &#8220;M\u00f3veis Coloniais de Acaju&#8221; [muito prazer, soube da exist\u00eancia devido \u00e0 pol\u00eamica], cujos integrantes\u00a0 inventaram uma hist\u00f3ria para justificar o nome do grupo\u00a0 musical.<\/p>\n<p>Algumas vezes o informante o faz de prop\u00f3sito, para auferir algum tipo de benef\u00edcio; de outras, por desconhecer o assunto de que fala; e h\u00e1 os que fazem apenas com o objetivo de se divertir \u00e0 custa da credulidade [e desconhecimento] dos jornalistas, que deveriam ser c\u00e9ticos [e verificadores] por natureza. Se serve de consolo, mesmo os jornalistas mais experientes, j\u00e1 repassaram alguma informa\u00e7\u00e3o incorreta.<\/p>\n<p>Antes de entrar no caso do &#8220;M\u00f3veis&#8221;, relembremos alguns casos recentes: <strong>a)<\/strong> um internacional, <strong>b)<\/strong> um nacional [que virou internacional] e <strong>c)<\/strong> um &#8220;cearense&#8221; [que virou nacional]:<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> \u201cQuando eu morrer, haver\u00e1 uma valsa de despedida tocando em minha cabe\u00e7a, que s\u00f3 eu poderei ouvir\u201d, a frase atribu\u00edda ao compositor Maurice Jarre, morto em mar\u00e7o deste ano, foi reproduzida pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, mesmo os mais qualificados, como The Guardian e o portal da BBC. A frase, no entanto, fora inventada por um estudante irland\u00eas,\u00a0 que a postou na Wikipedia, para mostrar como os jornais divulgavam, sem checar, informa\u00e7\u00f5es colhidas na rede mundial de compuradores. Shane Fitzgerald, de 22 anos, disse que esperava que blogs e alguns jornais utilizassem a frase, mas achou que as grandes publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o confiariam na Wikipedia, sem verificar as informa\u00e7\u00f5es nela divulgadas. [J\u00e1 havia comentado o assunto neste <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wikipedia-e-o-apostolo-paulo\/\" target=\"_blank\">blog<\/a>.]\n<p><strong>2.<\/strong> A partir de uma not\u00edcia, com fotos, publicada no in\u00edcio do ano no Blog do Noblat, jornais, TVs e r\u00e1dios reproduziram que a advogada brasileira Paula Oliveira, gr\u00e1vida de tr\u00eas meses, havia sido atacada por neonazistas ao sair de uma esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4, na Su\u00ed\u00e7a. Nas fotos podia-se ver v\u00e1rias marcas no corpo da advogada, incluindo a sigla de um partido su\u00ed\u00e7o considerado de extrema-direita. A divulga\u00e7\u00e3o provocou uma onda da revolta na imprensa brasileira acusando a &#8220;xenofobia&#8221; do pa\u00eds europeu. Em pouco tempo revelou-se a farsa: a mo\u00e7a n\u00e3o estava gr\u00e1vida e, ao que tudo indica, ela se automutilou. [A prop\u00f3sito, como andar\u00e1 esse caso? De acusadora, a advogada passou a suspeita e est\u00e1 respondendo \u00e0 Justi\u00e7a su\u00ed\u00e7a, mas n\u00e3o se tem informa\u00e7\u00e3o sobre o desenrolar do processo.]\n<p><strong>3.<\/strong> A imprensa cearense, no in\u00edcio de 2006, foi sacudida pela exposi\u00e7\u00e3o que faria na cidade, no Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura, um dos mais importantes artistas pl\u00e1sticos japoneses da atualidade: Souzareta Geijutsuka. Os jornais publicaram resenhas, informaram sobre as caracter\u00edstas do artista, fizeram entrevistas. Tudo a que tem direito uma personalidade. Acontece que Souzareta era uma inven\u00e7\u00e3o do jovem artista pl\u00e1stico [este real] Yuri Firmeza.\u00a0 A imprensa nacional deu destaque ao caso. Na ocasi\u00e3o, era ombudsman do <strong>O POVO<\/strong> e escrevi a coluna que poder\u00e1 ser vista abaixo.<\/p>\n<p><strong>M\u00f3veis Coloniais de Acaju<\/strong><\/p>\n<p>Quanto ao caso da banda brasiliense, seus integrantes inventaram uma hist\u00f3ria, publicada no site do grupo, dizendo que o nome do grupo era uma homenagem \u00e0\u00a0 &#8220;Revolta do Acaju&#8221;.\u00a0 O &#8220;obscuro epis\u00f3dio da hist\u00f3ria do Brasil&#8221;, a &#8220;Revolta do Acaju&#8221;, teria ocorrido em 1813, quando &#8220;os \u00edndios java\u00e9s, que tradicionalmente usavam a madeira de acaju (cedro) para produzir m\u00f3veis em estilo colonial, se uniram aos portugueses para expulsar da Ilha do Bananal (no atual estado do Tocantins) invasores ingleses que se apoderaram da regi\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>As &#8220;explica\u00e7\u00f5es&#8221; no site da banda prosseguem: &#8220;O pior para aqueles homens foi ver a destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de suas cria\u00e7\u00f5es. Calcula-se que mais de meia tonelada de madeira, em forma de m\u00f3veis coloniais e cachimbos xaman\u00edsticos tenham sido destru\u00eddos pelos ingleses&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo sem ser historiador e nem especialista em pesos e medidas, observam-se <strong>duas pistas muito evidentes<\/strong> de que tudo n\u00e3o passava de uma brincadeira:<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> Voc\u00ea j\u00e1 ouviu dizer que alguma tribo ind\u00edgena brasileira \u00e9 ou teria sido alguma vez na hist\u00f3ria do Brasil produtora de m\u00f3veis?<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong> Meia tonelada [500 quilos] n\u00e3o representa nada em termos de quantidade de madeira beneficiada. Somente para se ter uma id\u00e9ia, um caminh\u00e3o pode carregar mais de 10 toneladas de madeira. Se voc\u00ea juntar o guarda-roupa, a cama e a penteadeira da sua av\u00f3, j\u00e1 deve dar os 500 quilos.<\/p>\n<p>Apesar disso, v\u00e1rios jornais e revistas reproduziram a balela &#8211; segundo a mat\u00e9ria da <a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/0,,EMI90149-15220,00.html\" target=\"_blank\"><strong>revista \u00c9poca<\/strong><\/a> -, que tamb\u00e9m caiu na pegadinha, e escreveu mat\u00e9ria para se explicar aos leitores.<\/p>\n<p>A \u00c9poca fez o que deve ser ser feito &#8211; e tem de ser louvada por corrigir seu erro em mat\u00e9ria de destaque -, mas podia ter passado sem as ironias [dizendo que o texto do site da banda \u00e9 &#8220;cheio de erros de pontua\u00e7\u00e3o&#8221;] e tamb\u00e9m sem a li\u00e7\u00e3o de moral, dando um pito n os integrantes da banda, pois &#8220;muitos jovens est\u00e3o acostumados a tomar como verdade tudo o que leem na internet&#8221;. [Pelo jeito, muitos jornalistas tamb\u00e9m.]\n<p>Pois \u00e9 o seguinte: a arte n\u00e3o tem compromisso com a realidade; o jornalismo sim. Ningu\u00e9m vai ao portal de uma banda de m\u00fasica para aprender hist\u00f3ria do Brasil; mas \u00e0 imprensa, muito gente recorre para entender fatos atuais e hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Veja a seguir coluna do ombudsman de fevereiro de 2006: &#8220;A arte de enganar&#8221;.<!--more--><\/p>\n<p><strong>A arte de enganar<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>O POVO<\/strong> &#8211; coluna do ombudsman: 12\/2\/2006<\/p>\n<p>De f\u00e9rias, n\u00e3o acompanhei passo a passo aquela que dever\u00e1 ser a maior pol\u00eamica do ano, ainda que se tenha pela frente um per\u00edodo eleitoral. A performance, brincadeira, interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u2013 ou seja l\u00e1 como se queira chamar \u2013 de Yuri Firmeza, teve for\u00e7a suficiente para ludibriar a imprensa cearense, que publicou como se fosse verdade uma suposta exposi\u00e7\u00e3o do fict\u00edcio artista japon\u00eas Souzareta Geijutsuka, s\u00f3 existente na imagina\u00e7\u00e3o de seu criador.<\/p>\n<p>Para fazer os jornais ca\u00edrem na, digamos assim, pegadinha, Yuri recebeu apoio oficial da dire\u00e7\u00e3o do Museu de Arte Contempor\u00e2nea do Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura, local onde haveria a duvidosa exposi\u00e7\u00e3o. Suponho que a fian\u00e7a do \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, autenticando como verdadeiras informa\u00e7\u00f5es falsas, tenha sido determinante para que o &#8220;jovem artista contempor\u00e2neo&#8221;, na descri\u00e7\u00e3o (real) de alguns cr\u00edticos, tivesse sucesso em sua empreitada, com o objetivo aparente de &#8220;denunciar&#8221; a suposta prefer\u00eancia dos jornais cearenses por artistas &#8220;de fora&#8221; e um hipot\u00e9tico &#8220;descaso da m\u00eddia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s artes pl\u00e1sticas no Cear\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Antes de continuar \u2013 para evitar confus\u00f5es e mal-entendidos \u2013, duas coisas: 1) o fato de os jornais publicarem a not\u00edcia sem verificar a sua veracidade e, ainda, reproduzirem informa\u00e7\u00f5es do release (nota distribu\u00edda \u00e0 imprensa pela falsa assessoria de imprensa do artista inventado) como se fosse uma aprecia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, produzida pelas pr\u00f3prias reda\u00e7\u00f5es, ao trabalho do fict\u00edcio Souzareta, n\u00e3o tem justificativa aceit\u00e1vel. A responsabilidade pelo engano cabe aos jornais; em casos como esse, a atitude mais correta \u00e9 assumi-lo sem subterf\u00fagios \u2013 e nenhum dos argumentos que vou usar abaixo serve como atenuante a esse erro original; 2) n\u00e3o cabe questionar o &#8220;projeto&#8221; de Yuri Firmeza: uma das fun\u00e7\u00f5es do artista \u00e9 provocar inc\u00f4modos; diferentemente do jornalista, ele n\u00e3o tem compromisso com a objetividade e nem com a &#8220;realidade&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Abordagem<\/strong><\/p>\n<p>Dito isso vou tocar em algumas quest\u00f5es a mereceram amplia\u00e7\u00e3o na abordagem: a) a forma diferenciada como os di\u00e1rios cearenses encararam a pol\u00eamica; b) o modo como a imprensa &#8220;nacional&#8221; a noticiou; e c) a participa\u00e7\u00e3o do Centro Drag\u00e3o do Mar, por meio do Museu de Arte Contempor\u00e2nea, no epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Os jornais cearenses reagiram ao trote de forma diferenciada. Enquanto <strong>O POVO<\/strong> manteve uma postura aberta, sustentando o debate, tratando do assunto em editorial, entrevistando artistas e publicando artigos com diferentes pontos de vista sobre a quest\u00e3o, o Di\u00e1rio do Nordeste encerrou a pol\u00eamica logo que se revelou a farsa. Para o diretor-editor do Di\u00e1rio do Nordeste, Ildefonso Rodrigues, tratou-se de um &#8220;fact\u00f3ide&#8221; (fato irrelevante, criado com o objetivo de atrair aten\u00e7\u00e3o), por isso o jornal &#8220;preferiu n\u00e3o dar seq\u00fc\u00eancia \u00e0 pol\u00eamica&#8221;.<\/p>\n<p>O diretor-geral de Jornalismo do <strong>O POVO<\/strong>, Arlen Medina, diz o seguinte: &#8220;O epis\u00f3dio foi desgastante, mas nos serviu para reorientar uma s\u00e9rie de procedimentos internos em rela\u00e7\u00e3o ao material que recebemos das assessorias de imprensa, principalmente das oficiais. Entendo que uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica (o Museu de Arte Contempor\u00e2nea) abusou de nossa confian\u00e7a e o jornal errou por n\u00e3o ter feito as devidas e necess\u00e1rias checaens. Lamentei a forma como o caso aconteceu, mas nem por isso <strong>O POVO<\/strong> ignorou o fato e suas repercuss\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Olhando por cima<\/strong><\/p>\n<p>Os &#8220;grandes&#8221; jornais do Sudeste trataram o caso com um ligeiro ar de superioridade, preferindo ironizar e tripudiar sobre o erro cometido pela imprensa cearense, abstraindo-se da discuss\u00e3o sobre os procedimentos jornal\u00edsticos ou sobre a fun\u00e7\u00e3o da arte. Tais jornais \u2013 O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, para ficar s\u00f3 nesses exemplos \u2013 n\u00e3o se deram nem mesmo ao trabalho de consultar editores ou rep\u00f3rteres do <strong>O POVO<\/strong> ou do Di\u00e1rio do Nordeste para redigir not\u00edcias sobre o assunto. Isto \u00e9, cometeram o mesmo pecado apontado nos outros: a falta de verifica\u00e7\u00e3o, de &#8220;checagem&#8221;, para usar o jarg\u00e3o das reda\u00e7\u00f5es, desconsiderando a necessidade de &#8220;ouvir o outro lado&#8221; \u2013 medida inscrita em todos os c\u00f3digos de \u00e9tica que regem o of\u00edcio dos jornalistas e das empresas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tais deslizes n\u00e3o se circunscrevem \u00e0 imprensa nordestina. O caso cl\u00e1ssico, mas n\u00e3o \u00fanico, das trapalhadas jornal\u00edsticas, \u00e9 o do &#8220;boimate&#8221;, um suposto cruzamento transg\u00eanico do boi com tomate, experi\u00eancia que permitiria &#8220;sonhar com um tomateiro do qual j\u00e1 se colha algo parecido com um fil\u00e9 ao molho de tomate&#8221;, segundo noticiou a revista Veja em sua edi\u00e7\u00e3o de 27\/4\/1983, reproduzindo uma brincadeira tradicional de 1\u00ba Abril da revista inglesa New Science.<\/p>\n<p>Falamos de casos c\u00f4micos, sem maiores conseq\u00fc\u00eancias. Mas o que dizer de erros graves e letais, como o do caso da Escola de Base (em S\u00e3o Paulo) ou o fato de o New York Times ter sustentado a vers\u00e3o do presidente americano George W. Bush de que haveria armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa no Iraque para justificar a invas\u00e3o ao pa\u00eds?<\/p>\n<p><strong>Drag\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Se os jornais erraram, tamb\u00e9m n\u00e3o se pode absolver a dire\u00e7\u00e3o do Museu de Arte Contempor\u00e2nea, cujo diretor \u00e9 Ricardo Resende, por ter atestado informa\u00e7\u00f5es inver\u00eddicas para dar ares de veracidade \u00e0 inven\u00e7\u00e3o perpetrada por Yuri Firmeza. Resende se defende dizendo dirigir um museu de arte contempor\u00e2nea, que &#8220;tem de estar aberto \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica&#8221;, n\u00e3o podendo nele existir a id\u00e9ia de &#8220;censura ou limita\u00e7\u00e3o&#8221;. Ok, mas \u00e9 parte indissoci\u00e1vel, tradicional e hist\u00f3rica do fazer jornal\u00edstico, desenvolver rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a com determinadas fontes \u2013 e disso elas t\u00eam consci\u00eancia. Nesse equil\u00edbrio se sustenta boa parte da produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica \u2013 e assim \u00e9 em todos os jornais do mundo. De forma planejada, o diretor do museu rompeu o delicado liame, induzindo os jornais ao erro.<\/p>\n<p>Resende n\u00e3o deixa, por\u00e9m, de elogiar a maneira como <strong>O POVO<\/strong>, conduziu a quest\u00e3o, dando flu\u00eancia \u00e0 pol\u00eamica: &#8220;Foi uma postura corret\u00edssima e muito madura, permitindo conversar, levando aos leitores a discuss\u00e3o sobre a arte contempor\u00e2nea&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito mais frequente do que se imagina a imprensa publicar, confiando nas fontes, informa\u00e7\u00f5es que depois se revelam falsas. 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