{"id":2829,"date":"2009-09-29T05:13:23","date_gmt":"2009-09-29T08:13:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=2829"},"modified":"2009-09-29T05:13:23","modified_gmt":"2009-09-29T08:13:23","slug":"2829or0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2009\/09\/29\/2829or0\/","title":{"rendered":"Texto de assessoria de imprensa tem dono?"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente, o portal <a href=\"http:\/\/www.comunique-se.com.br\/index.asp?p=Conteudo\/NewsShow.asp&amp;p2=idnot%3D53626%26Editoria%3D1192%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D6027193225%26fnt%3Dfntnl\" target=\"_blank\"><strong>Comunique-se<\/strong><\/a>, em uma de suas mat\u00e9rias, abordou a possibilidade de que um texto, enviado aos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o como <em>release<\/em>, poderia ter  a prote\u00e7\u00e3o de direitos autoriais. [<em>Release<\/em>, pronuncia-se &#8220;rel\u00edze&#8221;, \u00e9 um informe ou texto de qualquer esp\u00e9cie enviado por assessorias de imprensa aos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, esperando que seja publicado ou sirva como pauta.]\n<p>Ou seja, outro jornalista n\u00e3o poderia assin\u00e1-lo, tendo-se de public\u00e1-lo com a autoria original. O descumprimento desse regra deixaria o infrator sujeito a processo por danos morais. Ressalve-se que nem todo <em>release<\/em> chega assinado \u00e0s reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria do Comunique-se cita o caso da assessora Claudia Yoscimoto, que  trabalhava\u00a0 para a Prefeitura de de Mogi das Cruzes (SP) &#8211; e acompanhou o prefeito a uma viagem ao Jap\u00e3o. Como parte de seu trabalho de assessoria ela produziu um texto sobre o assunto e enviou-o aos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um site reproduziu o texto na \u00edntegra, retirando a assinatura dela e apondo de outro jornalista. O caso aconteceu em 2007, mas ela somente percebeu este  ano, quando organizava um portf\u00f3lio de suas atividades.<\/p>\n<p><strong>Nas reda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Todo mundo que j\u00e1 trabalhou em uma reda\u00e7\u00e3o de jornal, r\u00e1dio ou TV sabe que se d\u00e1 os mais diferentes destinos para os <em>releases<\/em>. Alguns s\u00e3o usados como sugest\u00e3o de pauta [o jornalista se interessa pelo assunto e vai, ele mesmo, levantar as informa\u00e7\u00f5es]; outros s\u00e3o &#8220;refundidos&#8221; [reescritos para aparar-se os exageros, acrescentar alguma informa\u00e7\u00e3o, ouvir o &#8220;outro lado&#8221;, etc.]; h\u00e1 os usados para pequenas notas e,\u00a0 tamb\u00e9m, o que s\u00e3o reproduzidos na \u00edntegra. Sem falar nos que s\u00e3o &#8211; a maioria &#8211; simplesmente jogados na lata de lixo ou na lixeira virtual.<\/p>\n<p>A mais, eu desconhe\u00e7o caso &#8211; pelo menos nos jornais que leio &#8211; em que um <em>release<\/em> tenha sido publicado com a assinatura do assessor de imprensa que o produziu.<\/p>\n<p><strong>Ghost writer<\/strong><\/p>\n<p>A meu ver o trabalho de assessor de imprensa assemelha-se a de um &#8220;ghost writer&#8221; [escritor fantasma, em portugu\u00eas], um sujeito que \u00e9 pago para escrever algo que ele sabe que outro vai se apropriar. \u00c9 o caso, por exemplo, daqueles que escrevem discursos [para pol\u00edticos, empres\u00e1rios, etc.] ou de algu\u00e9m que ouve o depoimento de uma pessoa, escreve-lhe uma biografia, que o dono [da vida] assina como se fosse uma autobiografia. [Se algu\u00e9m quiser ler algo muito interessante sobre os &#8220;ghost writer&#8221; indico &#8220;Budapeste&#8221;, de Chico Buarque.]\n<p>O que eu quero dizer \u00e9 o seguinte: o assessor de imprensa n\u00e3o pode se queixar quando seu texto \u00e9 assinado por outra pessoas. Mas, ressalve-se: o  jornalista s\u00e9rio, a n\u00e3o ser que fa\u00e7am um trabalho de apura\u00e7\u00e3o &#8211; usando do <em>release<\/em> apenas as informa\u00e7\u00f5es para complementar seu texto -, recusa-se a assinar <em>releases<\/em> reproduzidos como mat\u00e9ria. [Ainda mais um trabalho bem particular, como parece ser aquele que a  assessora Claudia Yoscimoto produziu.]\n<p>Mas, os que assinam um texto de assessoria, dep\u00f5em contra a sua pr\u00f3pria credibilidade e cometem infra\u00e7\u00e3o \u00e9tica, mas n\u00e3o um crime.<\/p>\n<p><strong>Assessorias<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 na ess\u00eancia das assessorias de imprensa  produzir para que outros [os meios de comunica\u00e7\u00e3o] utilizem\u00a0 o seu trabalho. Romper com essa l\u00f3gica significa questionar o pr\u00f3prio papel das assessorias.<\/p>\n<p>A recompensa\u00a0 do assessor de imprensa \u00e9 ver  sua sugest\u00e3o de pauta aceita ou seu texto publicado. Pois esse  \u00e9 um dos objetivos da sua profiss\u00e3o e o interesse de quem paga o sal\u00e1rio do assessor ou contrata uma  empresa de assessoria.<\/p>\n<p>Eu imagino que, caso venha a se difundir essa id\u00e9ia de que um texto de assessoria esteja protegido por direito autoral, as empresas que prestam esse tipo de trabalho ter\u00e3o dificuldade cada vez maiores em ver seu material aproveitado nas reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo os <em>release<\/em> n\u00e3o-assinados, algu\u00e9m o escreveu. E, em \u00faltima an\u00e1lise, seria &#8220;propriedade intelectual&#8221; da empresa que o produziu.<\/p>\n<p><strong>Exce\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o ao que disse acima s\u00e3o  artigos assinados por &#8220;mestres&#8221;, &#8220;doutores&#8221;, &#8220;economistas&#8221;, &#8220;especialistas&#8221; em qualquer coisa, cujos artigos s\u00e3o enviados pelas assessorias \u00e0 mancheias. Hoje, o mais modesto professor ou &#8220;ista&#8221; em alguma coisa tem uma &#8220;assessoria&#8221; que entope a caixa-postal de qualquer jornalista com artigos\u00a0 &#8220;brilhantes&#8221; de seus assessorados, que entendem de penico a bomba at\u00f4mica. Esses, obviamente, n\u00e3o se vai tirar-lhes a assinatura e apor-se outra, pois n\u00e3o \u00e9 a assessoria que assina o texto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, o portal Comunique-se, em uma de suas mat\u00e9rias, abordou a possibilidade de que um texto, enviado aos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o como release, poderia ter&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[255,588,773],"class_list":["post-2829","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-etica","tag-assessoria","tag-comunique-se","tag-direito-autoral"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2829"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2829\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}