{"id":3093,"date":"2009-10-10T00:03:22","date_gmt":"2009-10-10T03:03:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=3093"},"modified":"2009-10-10T00:03:22","modified_gmt":"2009-10-10T03:03:22","slug":"juanita-leon-a-internet-oferece-ao-jornalismo-um-mundo-mais-emocionante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2009\/10\/10\/juanita-leon-a-internet-oferece-ao-jornalismo-um-mundo-mais-emocionante\/","title":{"rendered":"Juanita Le\u00f3n: a internet oferece ao jornalismo um mundo mais emocionante"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3094\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/Juanita-Le\u00f3n-300x295.jpg\" alt=\"Juanita Le\u00f3n\" width=\"300\" height=\"295\" \/>Cronista e editora multim\u00eddia, a colombiana <strong>Juanita Le\u00f3n<\/strong> defende que o papel do jornalista \u00e9 \u201cdeixar testemunho sobre algo que aconteceu\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo somos machos, pero somos muitos\u201d [N\u00e3o somos machos, mas somos muitos, de 2004] e \u201cPa\u00eds de plomo\u201d [Pa\u00eds de chumbo, de 2006], s\u00e3o livros nos quais ela narra o conflito colombiano a partir da voz dos cidad\u00e3os comuns.<\/p>\n<p>Para ela, sobram reportagens in\u00f3cuas e falta escrever mais hist\u00f3rias sobre \u201co poder dos poderosos\u201d.<\/p>\n<p>Juanita dirige<a href=\"http:\/\/www.lasillavacia.com\/\" target=\"_blank\"> La Silla Vac\u00eda<\/a> [A cadeira vazia], um portal de not\u00edcias online e diz que a internet est\u00e1 descortinando um \u201cmundo mais emocionante&#8221; para os jornalistas.<\/p>\n<p>A entrevista abaixo, concedida ao jornalista <strong>Paul Alonso<\/strong>, foi reproduzida do <a href=\"http:\/\/knightcenter.utexas.edu\/blog\/?q=es\/node\/5388\" target=\"_blank\">Blog de Not\u00edcias<\/a>, do Centro Knight, de onde tamb\u00e9m foi recolhida a fotografia. [O texto foi publicado em espanhol, a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de minha responsabilidade, pelo que pe\u00e7o desculpas :)]<!--more--><\/p>\n<p><strong>&#8220;\u00c9 preciso contar mais hist\u00f3rias do poder dos poderosos&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2022 Como se<\/strong> combina o esp\u00edrito anal\u00edtico de La Silla Vac\u00eda com a investiga\u00e7\u00e3o e a cobertura de not\u00edcias di\u00e1rias?<\/p>\n<p>Creio que se a investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica \u00e9 boa, deve ser anal\u00edtica. O importante \u00e9 que a an\u00e1lise seja derivada da reportagem e n\u00e3o do prejulgamento [ou pr\u00e9-conceito] dos jornalistas, como acontece \u00e0s vezes. Em La Silla Vac\u00eda cobrimos a conjuntura noticiosa, por\u00e9m n\u00e3o apenas pelo \u00e2ngulo do acontecimento, mas narrando os contextos, que \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a melhor narra\u00e7\u00e3o para a web.<\/p>\n<p><strong>\u2022 De que modo<\/strong> se contrasta este meio digital com a imprensa tradicional colombiana e como se diferencia desta? Ou seja, qual \u00e9 a sua contribui\u00e7\u00e3o e por que s\u00e3o mais importantes esse tipo de meio na Col\u00f4mbia hoje?<\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o de La Silla Vac\u00eda se d\u00e1 em v\u00e1rios n\u00edveis. Por um lado, desconcentra o monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o. Na Col\u00f4mbia, existem muito poucos meios e, ainda, em poucas m\u00e3os. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o pertencem a umas poucas fam\u00edlias e conglomerados econ\u00f4micos. Uma proposta como La Silla Vac\u00eda oferece outro ponto de vista, nova informa\u00e7\u00e3o e amplia a agenda informativa. Aporta, ainda, uma narrativa que pr\u00f3pria da web. N\u00e3o sentimos a necessidade de usar os conte\u00fados do impresso, nem sentimos nostalgia do texto. Estamos inovando as formas de narrar pela web, com coberturas ao vivo, via Twitter, com gr\u00e1ficos, com n\u00fameros, etc. Por \u00faltimo, aportamos novas vozes ao debate. Nosso blogueiros d\u00e3o informa\u00e7\u00f5es de qualidade, escritas por novas gera\u00e7\u00f5es, por gente que n\u00e3o existia nos meios anteriores.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Pa\u00eds de chumbo<\/strong>, seu livro mais recente, aborda o conflito da viol\u00eancia na Col\u00f4mbia, do ponto de vista do povo que padece a viol\u00eancia, as pessoas an\u00f4nimas, e seu temor cotidiano. Como \u00e9 o processo de investiga\u00e7\u00e3o para narrar e interpretar esses medos?<\/p>\n<p>Exige varias horas de reportagem convivendo com essas pessoa. Implica \u201cponerse en sus zapatos\u201d [saber onde o sapato aperta ou p\u00f4r-se no lugar delas], de tentar sentir o terror que sentiram. Isso \u00e9 imposs\u00edvel fazer, mas fazer a tentativa, j\u00e1 ajuda.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Escrevestes sobre<\/strong> o livro: \u201c\u00c0 medida que cobria o conflito armado, era mais consciente da informa\u00e7\u00e3o que deixar fora dos meus textos. N\u00e3o por m\u00e1-f\u00e9, ou por que um editor exigisse isso, mas porque n\u00e3o basta saber algo, \u00e9 preciso prov\u00e1-lo. Este livro busca espiar essa culpa\u201d Qu\u00e3o importante s\u00e3o os detalhes improv\u00e1veis (rumores, coment\u00e1rios, percep\u00e7\u00f5es, sensa\u00e7\u00f5es, etc.) para contar a hist\u00f3ria de um pa\u00eds?<\/p>\n<p>Com dizem, o diabo est\u00e1 nos detalhes. S\u00e3o detalhes, as perguntas pequenas, as que permitem elucidar a verdadeira hist\u00f3ria. \u00c9 preciso levar as fontes a converter seus adjetivos em substantivos, a traduzir suas opini\u00f5es em hist\u00f3rias concretas. \u00c9 preciso ir aos lugares para ver, para ouvir, para sentir. Nada disso se consegue atr\u00e1s de uma mesa. N\u00e3o se pode escrever uma boa uma boa hist\u00f3ria, se a reportagem \u00e9 feita com pressa.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Qual \u00e9 o<\/strong> papel do jornalismo atualmente na Col\u00f4mbia?<\/p>\n<p>\u00c0s vezes eu sinto que o verdadeiro papel dos jornalistas \u00e9 deixar testemunho de algo que aconteceu. \u00c0s v\u00edtimas ajuda tamb\u00e9m que algu\u00e9m reconhe\u00e7a a sua dor, que algu\u00e9m cr\u00ea que n\u00e3o est\u00e3o loucos, que o horror n\u00e3o foi inventado.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Quais s\u00e3o<\/strong> os maiores desafios dos novos meios colombianos?<\/p>\n<p>N\u00f3s temos a sombra de Garc\u00eda M\u00e1rquez, queremos imit\u00e1-lo sem ter uma fra\u00e7\u00e3o de seu talento. \u00c0s vezes os cronistas substituem sua falta de reportagens circunl\u00f3quios liter\u00e1rios. Eu creio que h\u00e1 muitas cr\u00f4nicas sobre temas in\u00f3cuos \u2013 sobre velhos com mais de 100 anos \u2013 e sobre desvalidos. Falta contar mais hist\u00f3rias sobre o poder dos poderosos.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Como escritora<\/strong> de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o e jornalista multim\u00eddia, qual cr\u00ea que seja o futuro do rep\u00f3rter no jornalismo da era digital?<\/p>\n<p>Creio que o cronista do futuro ter\u00e1 de se parecer mais com um artista: deve apontar a criar experi\u00eancias \u00fanicas para seus usu\u00e1rios. Como os cronistas antigos, voc\u00ea precisa ocupar uns minutos ou umas horas da vida de outro [o leitor]. A diferen\u00e7a \u00e9 que n\u00e3o far\u00e1 com palavras. Far\u00e1 com as ferramentas interativas que a web oferece: com software 3D, que permitir\u00e1 recriar mundos o mundo reportado em mundos virtuais, com v\u00eddeos ao vivo, com a possibilidade de os usu\u00e1rios interagirem diretamente com as fontes. Ser\u00e1 um mundo mais emocionante do que \u00e9 hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cronista e editora multim\u00eddia, a colombiana Juanita Le\u00f3n defende que o papel do jornalista \u00e9 \u201cdeixar testemunho sobre algo que aconteceu\u201d. \u201cNo somos machos, pero&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[568,1330],"class_list":["post-3093","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","tag-colombia","tag-juanita-leon"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3093","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3093"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3093\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3093"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3093"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3093"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}